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Craque
da música popular
Debate
e show recordam a obra de Sidney Miller
Pedro
Tinoco
Fotos divulgação
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ção

Miller:
fazendo pose (acima) e com amigos ilustres (à
esq.)
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GERAÇÃO
DE BAMBAS
1 Francis Hime
2 Tom Jobim
3 Dori Caymmi
4 Sidney Miller
5 Dóris Monteiro
6 Zé Kéti
7 Angela Maria
8 Elizeth Cardoso
9 Vinicius de Moraes
10 Edu Lobo |
Ele virou
sala há pouco mais de vinte anos. Suas canções,
premiadas nos festivais que empolgavam multidões nos
anos 60, nunca visitaram uma loja de CDs. Nada mais natural,
portanto, que cada vez menos gente ligue o nome à pessoa.
A injustiça histórica começa a ser reparada
na segunda (1º) e na terça, com o Tributo a
Sidney Miller (confira o serviço na coluna
Shows). O endereço não podia
ser outro: a Sala Funarte Sidney Miller, no Centro, que ganhou
esse nome logo após a morte do compositor, em 1980.
Sidney Álvaro Miller Filho nasceu em Santa Teresa,
em 1945, apenas um ano depois de Chico Buarque, e cometeu
a desfeita de abandonar este mundo com apenas 35 anos. No
caminho, deixou uma obra que levou a diversas comparações
com o colega ilustre. "Dizia-se na época que foi uma
pena o Chico ter surgido um pouco antes", lembra o jornalista
e militante da MPB Sergio Cabral, um dos primeiros a apostar
no talento do músico.
O Tributo
a Sidney Miller começa na segunda com um bate-papo,
mediado por Cabral, entre críticos musicais e amigos
do compositor. Estarão lá os jornalistas Tárik
de Souza e Mauro Dias, além de artistas como Guarabyra,
Jards Macalé e o cineasta Paulo Thiago. Na terça
o couro come. As músicas de Sidney Miller voltam ao
palco nas vozes de Alaíde Costa, Claudio Jorge, Elton
Medeiros, Dóris Monteiro, Paulinho da Viola, Sergio
Ricardo e Zezé Gonzaga, entre outros. Boa chance para
ouvir o que Sidney Miller deixou em três discos de vinil.
São belas canções, como O Circo, Pois
É, Pra Quê? e A Estrada e o Violeiro
premiada no III Festival da MPB, promovido em 1967 pela TV
Record de São Paulo. "Eu estava no júri e lembro
como ele ficou nervoso ao entrar para cantar com a Nara",
conta Cabral. "Ele não era muito de palco, gostava
mais de composição, dos bastidores", explica
Claudio Jorge, parceiro de música e boemia. O público
não notava tanta timidez. "Em 1966, eu era diretor
artístico do Teatro Casa Grande. Uma das atrações
principais faltou e eu botei o Sidney para cantar. Foi a primeira
vez que se ouviu O Circo. A platéia veio abaixo",
diz Cabral.
Sidney
Miller começou a compor em 1962. Sua primeira música
gravada foi o samba Queixa, parceria com Zé
Kéti e Paulo Thiago, que foi defendida por Ciro Monteiro
no I Festival da MPB da TV Excelsior, em São Paulo.
Ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Teo de Barros, compôs
a trilha sonora da peça Arena Conta Tiradentes,
de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Organizou espetáculos
como Yes, Nós Temos Braguinha e Carnavália,
show que relançou a cantora Marlene. Também
fez trilhas para cinema e produziu o disco Coisas Desse
Mundo, de Nara Leão, uma das mais empolgadas intérpretes
do compositor. Nos anos 70, trabalhou no MAM para manter a
sala Corpo Som, um espaço para novos artistas. Após
o incêndio do museu, em 1978, passou a militar pela
música como funcionário da Funarte. Deixou a
mulher, Jane, e dois filhos, Joana, 27 anos, e Carlos, 25.
"Éramos muito pequenos quando ele morreu. Conhecer
a obra dele é uma forma de conhecê-lo melhor",
diz Carlos, coberto de razão.
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