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2 de agosto de 2006

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MOSTRA

A grande arte

Mestre das esculturas gigantescas expõe no CCBB

Isabel Butcher

 
Fotos Divulgação
Nada usuais: Cloud Gate (acima) custou 23 milhões de dólares; Marsyas (em vermelho) mede 150 metros; e duas obras que estarão no CCBB – a escultura de bronze que pesa 1,5 tonelada (em dourado) e Pillar, na qual o visitante poderá entrar
Fotos Divulgação

Impossível passar incólume por uma escultura de Anish Kapoor. Seja pelo grau de provocação, pela interatividade ou por suas proporções monumentais, as obras desse criador hindu-bretão viraram referência nas artes plásticas. Uma amostra do trabalho do artista desembarca na cidade pela primeira vez. A partir de terça (1º), o Centro Cultural Banco do Brasil exibirá dez peças do escultor. A obra-título da exposição, Ascencion, é uma instalação de fumaça com 36 metros de altura que ficará no foyer do prédio. Os vidros da rotunda foram substituídos por uma turbina de sucção que funciona a 120 quilômetros por hora. Para completar, 48 ventiladores e iluminação especial. As criações do artista são, assim, nada convencionais. Outro exemplo é a instalação que tomará forma no chão do CCBB em que ele utiliza 5 toneladas de uma cera especial, vinda da Alemanha. Há também Pillar, peça de aço e laca azul na qual o visitante pode entrar, e uma escultura de bronze de 4,5 metros de altura e 1,5 tonelada. "Anish desafia a técnica, os sistemas industriais", diz o curador Marcello Dantas, que precisou chamar uma empresa inglesa de aerodinâmica para fazer funcionar a instalação na rotunda.

 
Anish: artista premiado expõe no Rio

O convite para a exposição foi feito há três anos, depois de Dantas ter se encantado com os trabalhos de Kapoor numa mostra paralela da Bienal de Veneza. "Quando entrei na galeria, tive a certeza de que ali havia algo único", lembra. Apesar de já ter exposto suas obras no Brasil em 1983, quando ainda era um iniciante, e na Bienal Internacional de São Paulo de 1996, Anish relutou em fazer uma nova exposição. Um empurrãozinho do amigo Mick Jagger foi decisivo para convencê-lo. Nascido em Bombaim, em 1954, ele é filho de pai indiano com mãe judia iraquiana. Aos 19 anos partiu para a Inglaterra e, nos anos 80, conquistou notoriedade como integrante do movimento Nova Escultura Britânica, que usava cores em seus trabalhos. Em 1990 ganhou o Prêmio Duemila, da Bienal de Veneza, e, no ano seguinte, o Turner Prize, um dos mais importantes do Reino Unido. "Depois de tanto tempo vendo obras feitas de metal, é muito bom apreciar as peças coloridas de Kapoor. Se você passa perto demais, o pigmento vai parar na roupa, e você acaba levando consigo um pouco da obra", escreveu Adrian Searle, crítico de arte do jornal The Guardian, no início da carreira do artista.

É de Kapoor a escultura de produção mais cara do mundo. A Cloud Gate, fincada no Millenium Park em Chicago, custou a bagatela de 23 milhões de dólares. Outra façanha do artista foi Marsyas, escultura com 150 metros de comprimento feita em 2002 para o hall da Tate Modern, o mais importante espaço inglês de arte contemporânea. Sarah Kent, da revista Time Out, é entusiasta de seus trabalhos. "Ele faz esculturas com formas nunca vistas. Têm um quê de nonsense. Não é comum os escultores usarem cores, mas Kapoor as utiliza. Por isso ele costuma dizer que é um pintor que faz esculturas", resume Sarah.

     
   

 

 
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