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MOSTRA
A grande arte Mestre das esculturas gigantescas expõe no
CCBB Isabel Butcher
Fotos Divulgação
 | | Nada
usuais: Cloud Gate (acima) custou
23 milhões de dólares; Marsyas
(em vermelho) mede 150 metros; e
duas obras que estarão no CCBB
a escultura de bronze que pesa 1,5 tonelada (em dourado) e Pillar,
na qual o visitante
poderá entrar |
Fotos Divulgação
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Impossível
passar incólume por uma escultura de Anish Kapoor. Seja pelo grau de provocação,
pela interatividade ou por suas proporções monumentais, as obras
desse criador hindu-bretão viraram referência nas artes plásticas.
Uma amostra do trabalho do artista desembarca na cidade pela primeira vez. A partir
de terça (1º), o Centro Cultural Banco do Brasil exibirá dez
peças do escultor. A obra-título da exposição, Ascencion,
é uma instalação de fumaça com 36 metros de altura
que ficará no foyer do prédio. Os vidros da rotunda foram substituídos
por uma turbina de sucção que funciona a 120 quilômetros por
hora. Para completar, 48 ventiladores e iluminação especial. As
criações do artista são, assim, nada convencionais. Outro
exemplo é a instalação que tomará forma no chão
do CCBB em que ele utiliza 5 toneladas de uma cera especial, vinda da Alemanha.
Há também Pillar, peça de aço e laca azul na
qual o visitante pode entrar, e uma escultura de bronze de 4,5 metros de altura
e 1,5 tonelada. "Anish desafia a técnica, os sistemas industriais", diz
o curador Marcello Dantas, que precisou chamar uma empresa inglesa de aerodinâmica
para fazer funcionar a instalação na rotunda.
 | | Anish:
artista premiado expõe no Rio |
O
convite para a exposição foi feito há três anos, depois
de Dantas ter se encantado com os trabalhos de Kapoor numa mostra paralela da
Bienal de Veneza. "Quando entrei na galeria, tive a certeza de que ali havia algo
único", lembra. Apesar de já ter exposto suas obras no Brasil em
1983, quando ainda era um iniciante, e na Bienal Internacional de São Paulo
de 1996, Anish relutou em fazer uma nova exposição. Um empurrãozinho
do amigo Mick Jagger foi decisivo para convencê-lo. Nascido em Bombaim,
em 1954, ele é filho de pai indiano com mãe judia iraquiana. Aos
19 anos partiu para a Inglaterra e, nos anos 80, conquistou notoriedade como integrante
do movimento Nova Escultura Britânica, que usava cores em seus trabalhos.
Em 1990 ganhou o Prêmio Duemila, da Bienal de Veneza, e, no ano seguinte,
o Turner Prize, um dos mais importantes do Reino Unido. "Depois de tanto tempo
vendo obras feitas de metal, é muito bom apreciar as peças coloridas
de Kapoor. Se você passa perto demais, o pigmento vai parar na roupa, e
você acaba levando consigo um pouco da obra", escreveu Adrian Searle, crítico
de arte do jornal The Guardian, no início da carreira do artista.
É
de Kapoor a escultura de produção mais cara do mundo. A Cloud
Gate, fincada no Millenium Park em Chicago, custou a bagatela de 23 milhões
de dólares. Outra façanha do artista foi Marsyas, escultura
com 150 metros de comprimento feita em 2002 para o hall da Tate Modern, o mais
importante espaço inglês de arte contemporânea. Sarah Kent,
da revista Time Out, é entusiasta de seus trabalhos. "Ele faz esculturas
com formas nunca vistas. Têm um quê de nonsense. Não é
comum os escultores usarem cores, mas Kapoor as utiliza. Por isso ele costuma
dizer que é um pintor que faz esculturas", resume Sarah. |