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2 de maio de 2007

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SAÚDE

Inseticida neles?

Cariocas pagam, mas fumacê pode
ser ineficaz no combate à dengue

Isabela Caban

 
Eurico Dantas/Agência O Globo
Desinsetização: ela só funciona se as gotículas atingirem o mosquito

Tela nas janelas, repelente e muita chinelada. O carioca se defende como pode contra o mosquito da dengue, o vilão do verão que, apesar do fim da estação, teima em não ir embora. Na tentativa de acabar com o Aedes aegypti, moradores da Zona Sul e de condomínios da Barra da Tijuca têm contratado empresas especializadas em dedetização. Pagam em média 300 reais para desinsetizar áreas comuns usando o popular fumacê, equipamento que asperge o inseticida. Diagnosticada com dengue hemorrágica duas semanas atrás, a advogada Neide Fonte afirma que há mais três casos no prédio onde mora, na Lagoa. "Como nunca mais vi o fumacê da prefeitura passar por aqui, decidimos nos cotizar no prédio para pagar o serviço", conta.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o número de caminhões que desinsetizam as ruas diminuiu: os quarenta veículos que circulavam pela cidade em 2002, quando houve uma epidemia da doença, foram reduzidos a oito. "A eficiência do fumacê no combate ao Aedes é cada vez mais questionada", diz Mauro Blanco, coordenador do controle de vetores da prefeitura. "Para matar o mosquito, a gotícula do inseticida precisa atingi-lo. Mas ele vive dentro das casas, aonde o inseticida não chega. O que o fumacê mata é pernilongo." Para Anthony Érico Guimarães, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, não há dúvida: o fumacê não resolve. A única solução é combater os possíveis criadouros. "Não adianta falar em pneus e caixas-d'água na Zona Sul", afirma. "Nessa região, o mais comum é encontrar água parada em lugares como fosso de elevador, calha de escoamento entupida, pratinhos de planta, bromélias." Pôr areia ou água sanitária no prato de planta não resolve. "É preciso jogar a água fora", assegura.

O total de casos de dengue cresce desde o início do ano. Em março, a Secretaria Municipal de Saúde registrou 575 ocorrências na Zona Sul, 171 mais do que no mesmo mês no ano passado. Em 2007, o Aedes já fez 7 385 vítimas na cidade. A progressão dos números impressiona: em janeiro, houve 968 casos; em março, 3 668. A superintendente de vigilância em saúde da prefeitura, Meri Baran, explica que, apesar da alta incidência, não se pode falar em epidemia. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), isso só acontece quando há mais de 470 casos de uma doença para cada 100 000 habitantes. "Em 2002 tivemos uma epidemia", compara. "Foram 2 352 casos para cada 100 000 habitantes. Neste ano houve, até agora, 126 casos por 100 000, e a tendência, com a aproximação do inverno, é que a proporção diminua."

O artista plástico Ângelo Venosa e seu filho, Daniel, 18 anos, acabam de se recuperar da dengue. No prédio de seis apartamentos onde moram, numa bucólica rua ao lado do Parque Lage, no Jardim Botânico, outros dois vizinhos ficaram doentes. "A dengue é que nem assalto", diz Ângelo Venosa. "Você acha que está longe, mas quando pega começa a ouvir falar de vários outros casos próximos."

 

O que fazer quando se contrai a doença

Genilton José Vieira


Os sintomas da dengue se assemelham aos da gripe: febre, dores de cabeça e no corpo

Eles podem desaparecer em três dias e voltar após 48 horas de forma mais grave. Nesse caso, é preciso procurar imediatamente um médico

Se suspeitar que está doente, não tome em hipótese alguma remédios que tenham o ácido acetilsalicílico em sua composição, como a aspirina, pois podem provocar hemorragia

O risco de dengue hemorrágica é maior em pessoas que já tiveram a doença. Portanto, quem foi contaminado uma vez precisa tomar cuidados redobrados

     
   

 

 
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