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NEGÓCIOS
Barril de pólvora
Briga de sócios deflagra guerra entre redes de botequins Lívia
de Almeida Dilmar
Cavalher/Strana  | | Vizinhança
incômoda: no Jardim Botânico,
um bar junto do outro |
Haja
pressão no chope! Um racha entre os sócios de duas concorridas redes
de botecos resultou em troca de acusações e de identidade
dos bares envolvidos. O arranca-rabo promete terminar na Justiça. Sem brinde,
é claro. No início de abril, o Conversa Fiada perdeu três
de suas oito casas por causa desse desentendimento. A unidade de Itaipava foi
vendida, a de Ipanema e a do Jardim Botânico se converteram em filiais do
concorrente Espelunca Chic, que, assim, dobrou sua rede em apenas quatro dias.
A toque de caixa, o bordô nas paredes, típico do Conversa, deu lugar
ao revestimento de pedras portuguesas do Espelunca. Saíram de cena as garçonetes
circulando de mesa em mesa com bandejas de petiscos e entrou no salão um
sushiman, características de cada cadeia (veja o quadro).
"Sou o único dono da marca Conversa Fiada", reivindica André Silva,
fundador da casa. "Nossas filiais são montadas na forma de franquia participativa,
e os sócios de Ipanema e do Jardim Botânico pararam de pagar royalties",
dá sua versão para o imbróglio. "Nunca houve um contrato
de franquia", discorda Luís Antonio de Almeida, um dos dissidentes, agora
sócio do rival Espelunca. "Havia, sim, um acordo verbal estabelecendo que
eu tinha metade dos direitos sobre a marca, a partir da ampliação
da rede." Dilmar
Cavalher/Strana  | André
Valentim/Strana  | | Zaccaro:
"Almeida não dura muito do meu lado" | Silva: "O que eu quero
é que eles me esqueçam" |
O
Espelunca Chic foi criado no ano passado pelo empresário Roberto Zaccaro.
Não é sua primeira experiência no ramo. Em 2005, ele se juntara
a André Silva e a Luís Antonio de Almeida para instalar o Conversa
Fiada do Leblon. Antes, tinha sido sócio-proprietário dos restaurantes
Mistura Fina e Toq Final. "Havia sérios problemas administrativos", aponta
Zaccaro. "Um dia, chegaram a faltar 52 itens do cardápio. Resolvi sair."
Ele vendeu sua parte a Almeida e abriu o Espelunca Chic, na Gávea. Em fevereiro,
foi a vez de o outro sócio abandonar a parceria com Silva. Na partilha,
Almeida ficou com o direito da marca nos pontos de Ipanema e Jardim Botânico.
Aliou-se, então, a Zaccaro e não quis saber do nome. "Um belo dia,
recebi uma comunicação por escrito informando que eles não
queriam mais usar 'Conversa Fiada'", conta o rival. A
briga originou um emaranhado de participações societárias
e a esdrúxula situação de parceiros comerciais que não
se falam. Almeida, que se associou ao Espelunca Chic, ainda tem 45% de participação
no Conversa Fiada da Barra, o pioneiro do grupo. Por sua vez, quando cedeu os
pontos ao ex-sócio, Silva manteve 10% da sociedade no bar do Jardim Botânico.
Com a recusa do ex-parceiro de negócios de usar a marca, hoje se vê
na inusitada situação de ser sócio do concorrente. Dilmar
Cavalher/Strana  | | Pedras
portuguesas na parede e sushi à mesa: marcas do Espelunca Chic |
Silva
decidiu partir para o contra-ataque utilizando as mesmas armas do inimigo. Vai
inaugurar no Jardim Botânico uma filial de sua rede, parede a parede com
o concorrente. Ainda em reforma, o imóvel exibe uma faixa na fachada que
dá bem a dimensão bélica entre os vizinhos: "Boteco é
igual a amigo. É pra valer. Tem alma, alegria, honestidade, caráter.
Boteco de verdade não deixa ninguém na mão! Tem jogo de cintura,
muda para o lado mas não perde a razão!" O dono do Conversa Fiada
anuncia, ainda, o combate em outras frentes. Promete para dentro de sessenta dias
uma nova filial na Rua Vinicius de Moraes, em Ipanema, onde instalará um
lounge com música para dançar no 3º andar. Até agosto,
expande sua marca para o Shopping New York City Center, na Barra. "Consegui novos
sócios e estamos investindo 3 milhões de reais." Ele aproveita para
cutucar os ex-companheiros. "O que me faltou foi uma retaguarda organizada", afirma.
Pelo jeito, a briga vai longe, sem saideira à vista. André pensa
em invadir com barril e serpentina do Conversa Fiada os bairros de Copacabana
e Gávea, territórios ocupados pelo oponente. "Ele não agüenta
muito tempo do meu lado. Que venha", desafia Roberto Zaccaro. É apenas
o aperitivo de uma controvérsia que ainda deve ter muita espuma. De raiva.
Aberto em setembro de 2006
Está em 4 endereços (Gávea,
Copacabana, Ipanema e Jardim Botânico), com 2
novas filiais a caminho (Niterói e Leblon).
Tem 170 empregados
Serve até 1 500 litros de chope
por dia
Inovação: sushi-bar no botequim | |
Aberto em agosto de 2004
Está em 5 endereços (Barra, Leblon,
Tijuca, Búzios e Angra dos Reis), com 3 novas filiais a caminho (Ipanema,
Jardim Botânico e Barra)
Tem 240 empregados
Serve até 3 100 litros de chope
por dia
Inovação: bandejas de quitutes circulando pelas mesas |
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