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2 de maio de 2007

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Barril de pólvora

Briga de sócios deflagra guerra
entre redes de botequins

Lívia de Almeida

 
Dilmar Cavalher/Strana
Vizinhança incômoda: no Jardim Botânico, um bar junto do outro

Haja pressão no chope! Um racha entre os sócios de duas concorridas redes de botecos resultou em troca de acusações – e de identidade dos bares envolvidos. O arranca-rabo promete terminar na Justiça. Sem brinde, é claro. No início de abril, o Conversa Fiada perdeu três de suas oito casas por causa desse desentendimento. A unidade de Itaipava foi vendida, a de Ipanema e a do Jardim Botânico se converteram em filiais do concorrente Espelunca Chic, que, assim, dobrou sua rede em apenas quatro dias. A toque de caixa, o bordô nas paredes, típico do Conversa, deu lugar ao revestimento de pedras portuguesas do Espelunca. Saíram de cena as garçonetes circulando de mesa em mesa com bandejas de petiscos e entrou no salão um sushiman, características de cada cadeia (veja o quadro). "Sou o único dono da marca Conversa Fiada", reivindica André Silva, fundador da casa. "Nossas filiais são montadas na forma de franquia participativa, e os sócios de Ipanema e do Jardim Botânico pararam de pagar royalties", dá sua versão para o imbróglio. "Nunca houve um contrato de franquia", discorda Luís Antonio de Almeida, um dos dissidentes, agora sócio do rival Espelunca. "Havia, sim, um acordo verbal estabelecendo que eu tinha metade dos direitos sobre a marca, a partir da ampliação da rede."

 
Dilmar Cavalher/Strana
André Valentim/Strana
Zaccaro: "Almeida não dura muito do meu lado" Silva: "O que eu quero é que eles me esqueçam"

O Espelunca Chic foi criado no ano passado pelo empresário Roberto Zaccaro. Não é sua primeira experiência no ramo. Em 2005, ele se juntara a André Silva e a Luís Antonio de Almeida para instalar o Conversa Fiada do Leblon. Antes, tinha sido sócio-proprietário dos restaurantes Mistura Fina e Toq Final. "Havia sérios problemas administrativos", aponta Zaccaro. "Um dia, chegaram a faltar 52 itens do cardápio. Resolvi sair." Ele vendeu sua parte a Almeida e abriu o Espelunca Chic, na Gávea. Em fevereiro, foi a vez de o outro sócio abandonar a parceria com Silva. Na partilha, Almeida ficou com o direito da marca nos pontos de Ipanema e Jardim Botânico. Aliou-se, então, a Zaccaro e não quis saber do nome. "Um belo dia, recebi uma comunicação por escrito informando que eles não queriam mais usar 'Conversa Fiada'", conta o rival.

A briga originou um emaranhado de participações societárias e a esdrúxula situação de parceiros comerciais que não se falam. Almeida, que se associou ao Espelunca Chic, ainda tem 45% de participação no Conversa Fiada da Barra, o pioneiro do grupo. Por sua vez, quando cedeu os pontos ao ex-sócio, Silva manteve 10% da sociedade no bar do Jardim Botânico. Com a recusa do ex-parceiro de negócios de usar a marca, hoje se vê na inusitada situação de ser sócio do concorrente.

 
Dilmar Cavalher/Strana
Pedras portuguesas na parede e sushi à mesa: marcas do Espelunca Chic

Silva decidiu partir para o contra-ataque utilizando as mesmas armas do inimigo. Vai inaugurar no Jardim Botânico uma filial de sua rede, parede a parede com o concorrente. Ainda em reforma, o imóvel exibe uma faixa na fachada que dá bem a dimensão bélica entre os vizinhos: "Boteco é igual a amigo. É pra valer. Tem alma, alegria, honestidade, caráter. Boteco de verdade não deixa ninguém na mão! Tem jogo de cintura, muda para o lado mas não perde a razão!" O dono do Conversa Fiada anuncia, ainda, o combate em outras frentes. Promete para dentro de sessenta dias uma nova filial na Rua Vinicius de Moraes, em Ipanema, onde instalará um lounge com música para dançar no 3º andar. Até agosto, expande sua marca para o Shopping New York City Center, na Barra. "Consegui novos sócios e estamos investindo 3 milhões de reais." Ele aproveita para cutucar os ex-companheiros. "O que me faltou foi uma retaguarda organizada", afirma. Pelo jeito, a briga vai longe, sem saideira à vista. André pensa em invadir com barril e serpentina do Conversa Fiada os bairros de Copacabana e Gávea, territórios ocupados pelo oponente. "Ele não agüenta muito tempo do meu lado. Que venha", desafia Roberto Zaccaro. É apenas o aperitivo de uma controvérsia que ainda deve ter muita espuma. De raiva.

 

Aberto em setembro de 2006

Está em 4 endereços (Gávea, Copacabana, Ipanema e Jardim Botânico), com 2 novas filiais a caminho (Niterói
e Leblon).

Tem 170 empregados

Serve até 1 500 litros
de chope por dia

Inovação: sushi-bar
no botequim

 

Aberto em agosto de 2004

Está em 5 endereços (Barra, Leblon, Tijuca, Búzios e Angra dos Reis), com 3 novas filiais a caminho (Ipanema, Jardim Botânico e Barra)

Tem 240 empregados

Serve até 3 100 litros
de chope por dia

Inovação: bandejas de quitutes circulando pelas mesas

     
   

 

 
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