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CIDADE
Santos Dumont high-tech Novo terminal será
aberto em três semanas, após desavenças entre a Light e a
Infraero Fátima Sá Fotos
Ricardo Fassanello/Strana
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renovado: o terminal (acima) terá sala de embarque com vista
para a baía (abaixo) e fingers até
o avião, evitando caminhadas na pista |  |
A
nova sala de embarque, de 1 800 metros quadrados, em nada se parece com o espaço
apertado que costuma abrigar os usuários da ponte aérea. Além
de ampla, foi toda revestida o teto inclusive de vidros esverdeados,
trazidos da Bélgica. A tecnologia promete filtrar ruídos e o calor
do sol, sem bloquear o principal: a estonteante vista da Baía de Guanabara.
Essa sala high-tech é a parte mais visível do novo terminal de passageiros
do Aeroporto Santos Dumont, um projeto que vai custar 334 milhões de reais
(a previsão inicial era de 230 milhões). Tudo para adequar o aeroporto
um marco modernista projetado nos anos 30 pelos irmãos Marcelo e
Milton Roberto à demanda crescente de passageiros, que passam de
3,5 milhões por ano. O novo
terminal deveria ter começado a funcionar no último dia 20, na véspera
do feriado de Tiradentes, mas esbarrou num impasse técnico: a Light recusou-se
a fazer a ligação da energia porque segundo ela a instalação
da Infraero era incompatível com o padrão adotado usualmente pela
empresa. Depois de muita discussão, na quinta-feira passada as duas partes
chegaram a um acordo. Enquanto a Infraero adapta sua instalação,
a Light vai usar uma fonte alternativa para abastecer o aeroporto. A energia chegará
ao novo terminal na próxima quinta-feira (3). "A partir dessa data, devemos
gastar quinze dias testando os equipamentos, até abrir o terminal aos passageiros",
calcula Carlos Roberto da Silva, gerente de empreendimentos do aeroporto. "Mas
faremos o possível para antecipar esse prazo." Os passageiros não
vêem a hora. Reconstruído
após o incêndio de 1998, o Santos Dumont foi tombado na ocasião
pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). Por isso, seu projeto
de ampliação, concluído em 2003, passou por dois anos de
alterações até se adequar às exigências do Patrimônio.
"O projeto original descaracterizava o bem tombado", argumenta Marcus Monteiro,
diretor-geral do Inepac. Agora, a ampliação resume-se à construção
de um novo terminal, interligado ao antigo pelo térreo, e a adaptações
no prédio já existente.
A construção tem um jeitão futurista e será destinada
exclusivamente ao embarque de passageiros, com três andares ocupados por
check-in e venda de passagens, lojas, praça de alimentação
e pela confortável sala de embarque. Dela saem oito túneis (fingers),
também transparentes, que conduzirão o viajante à porta do
avião. Como a pista tem capacidade para até catorze aeronaves, os
passageiros daquelas que estiverem fora dos fingers serão transportados
por ônibus. É o fim das caminhadas pela pista, reduzindo o desconforto
e o risco dos passageiros. "Sempre achei maravilhoso descer do avião e
andar diante daquela paisagem maravilhosa da cidade", confessa o diretor do Inepac.
"Mas é preciso lembrar que há dias de chuva e passageiros idosos
ou com dificuldade de locomoção."
Como o desembarque continuará no velho terminal, que será reformado,
a Infraero tem pressa. As obras no prédio antigo só podem começar
quando o embarque tiver sido transferido para o novo. "O desembarque passará
a ser onde é hoje o embarque. Precisamos de dois meses para essa adaptação",
explica o gerente Silva. A sala para quem chega terá 1 073 metros quadrados,
contra os atuais 400. Prevê-se que as esteiras de restituição
de bagagem ficarão menos congestionadas. Hoje, há duas. Com a obra,
elas serão cinco. Se não surgirem mais problemas, em agosto, aos
olhos do público, as obras deverão estar concluídas. O quebra-quebra,
porém, continuará nos bastidores, em áreas a ser usadas pela
administração. Quem viajar nesta fase de adaptação
poderá sofrer alguns contratempos, mas, pelo menos, terá mais distrações.
O complexo de lojas do aeroporto, prestes a triplicar, incluirá grifes
como a Richards. E a praça de alimentação, no 2º piso
do novo terminal, terá atrativos além do cardápio. Restaurantes
e lanchonetes serão igualmente cercados por paredes de vidro. Vai ser difícil
resistir à vista. Eduardo
Monteiro
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