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2 de maio de 2007

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Santos Dumont high-tech

Novo terminal será aberto em três semanas, após desavenças entre a Light e a Infraero

Fátima Sá

 
Fotos Ricardo Fassanello/Strana
Aeroporto renovado: o terminal (acima) terá sala de embarque com vista para a baía (abaixo) e fingers até o avião, evitando caminhadas na pista

A nova sala de embarque, de 1 800 metros quadrados, em nada se parece com o espaço apertado que costuma abrigar os usuários da ponte aérea. Além de ampla, foi toda revestida – o teto inclusive – de vidros esverdeados, trazidos da Bélgica. A tecnologia promete filtrar ruídos e o calor do sol, sem bloquear o principal: a estonteante vista da Baía de Guanabara. Essa sala high-tech é a parte mais visível do novo terminal de passageiros do Aeroporto Santos Dumont, um projeto que vai custar 334 milhões de reais (a previsão inicial era de 230 milhões). Tudo para adequar o aeroporto – um marco modernista projetado nos anos 30 pelos irmãos Marcelo e Milton Roberto – à demanda crescente de passageiros, que passam de 3,5 milhões por ano.

O novo terminal deveria ter começado a funcionar no último dia 20, na véspera do feriado de Tiradentes, mas esbarrou num impasse técnico: a Light recusou-se a fazer a ligação da energia porque segundo ela a instalação da Infraero era incompatível com o padrão adotado usualmente pela empresa. Depois de muita discussão, na quinta-feira passada as duas partes chegaram a um acordo. Enquanto a Infraero adapta sua instalação, a Light vai usar uma fonte alternativa para abastecer o aeroporto. A energia chegará ao novo terminal na próxima quinta-feira (3). "A partir dessa data, devemos gastar quinze dias testando os equipamentos, até abrir o terminal aos passageiros", calcula Carlos Roberto da Silva, gerente de empreendimentos do aeroporto. "Mas faremos o possível para antecipar esse prazo." Os passageiros não vêem a hora.

Reconstruído após o incêndio de 1998, o Santos Dumont foi tombado na ocasião pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). Por isso, seu projeto de ampliação, concluído em 2003, passou por dois anos de alterações até se adequar às exigências do Patrimônio. "O projeto original descaracterizava o bem tombado", argumenta Marcus Monteiro, diretor-geral do Inepac. Agora, a ampliação resume-se à construção de um novo terminal, interligado ao antigo pelo térreo, e a adaptações no prédio já existente.

A construção tem um jeitão futurista e será destinada exclusivamente ao embarque de passageiros, com três andares ocupados por check-in e venda de passagens, lojas, praça de alimentação e pela confortável sala de embarque. Dela saem oito túneis (fingers), também transparentes, que conduzirão o viajante à porta do avião. Como a pista tem capacidade para até catorze aeronaves, os passageiros daquelas que estiverem fora dos fingers serão transportados por ônibus. É o fim das caminhadas pela pista, reduzindo o desconforto e o risco dos passageiros. "Sempre achei maravilhoso descer do avião e andar diante daquela paisagem maravilhosa da cidade", confessa o diretor do Inepac. "Mas é preciso lembrar que há dias de chuva e passageiros idosos ou com dificuldade de locomoção."

Como o desembarque continuará no velho terminal, que será reformado, a Infraero tem pressa. As obras no prédio antigo só podem começar quando o embarque tiver sido transferido para o novo. "O desembarque passará a ser onde é hoje o embarque. Precisamos de dois meses para essa adaptação", explica o gerente Silva. A sala para quem chega terá 1 073 metros quadrados, contra os atuais 400. Prevê-se que as esteiras de restituição de bagagem ficarão menos congestionadas. Hoje, há duas. Com a obra, elas serão cinco. Se não surgirem mais problemas, em agosto, aos olhos do público, as obras deverão estar concluídas. O quebra-quebra, porém, continuará nos bastidores, em áreas a ser usadas pela administração. Quem viajar nesta fase de adaptação poderá sofrer alguns contratempos, mas, pelo menos, terá mais distrações. O complexo de lojas do aeroporto, prestes a triplicar, incluirá grifes como a Richards. E a praça de alimentação, no 2º piso do novo terminal, terá atrativos além do cardápio. Restaurantes e lanchonetes serão igualmente cercados por paredes de vidro. Vai ser difícil resistir à vista.

 
Eduardo Monteiro

     
   

 

 
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