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GASTRONOMIA
Carnaval de prato cheio Mesmo com
o calor, o verão é a estação da feijoada
Livia de Almeida Dilmar
Cavalher/Strana
 | | Casa
da Feijoada: todo dia é dia para a farra do porco |
A
temperatura pode até andar perto dos 40 graus à sombra. Mas, quando
os tamborins começam esquentar para o Carnaval, começa também
a temporada de feijão-preto, carne-seca, torresminho, couve à mineira
e, é claro, caipirinha. A feijoada completa, carioquíssima, vive
dias de glória no auge do verão, tanto em endereços tradicionais
da cidade quanto em eventos pré-carnavalescos, onde a badalação
é um dos temperos. "Esta é a época mais concorrida. Servimos
mais feijoada no verão do que no inverno", diz Christian Pircio, gerente
de alimentos e bebidas do Caesar Park, que há 25 anos oferece o prato em
bufê todos os sábados. Nesta época, a farra é servida
em duas frentes: no restaurante do 2º andar e também na
cobertura, ambos com deslumbrante vista para a Praia de Ipanema. Tudo para dar
conta de até 480 comensais por dia. E a clientela está longe de
se restringir aos hóspedes do hotel. "Cerca de 80% de nossas reservas são
geradas pelo público externo", garante Christian. No sábado de Carnaval,
os endereços do feijão se multiplicam pela cidade. O mais tradicional
deles é o Gattopardo, na Lagoa, que já completou 28 anos. Mas neste
ano tem couve à mineira até na Melt (em programa com música
eletrônica e o Jongo da Serrinha) e no Nuth Lounge (veja
uma seleção de restaurantes onde o prato é servido).
Para a feijoada de Carnaval do Gattopardo,
estão sendo esperados 1.500 comilões, dispostos a gastar 300 reais
pela camiseta da estilista Alessa que serve de ingresso. Na cozinha, o comando
é de Oswaldo dos Santos, responsável pelo feijão há
25 anos, desde os tempos em que a comilança era restrita aos amigos do
empresário Ricardo Amaral. Hoje, Oswaldo começa a preparar a feijoada
com uma semana de antecedência. A lista de ingredientes inclui 300 quilos
de feijão e quase 1 tonelada de carne. Enquanto no resto do ano a feijoada
do Gattopardo leva apenas o que se convencionou chamar de "carnes nobres"
lombinho, carne-seca, paio, costelinha , no Carnaval, chispe, rabinho e
orelha também aparecem no bufê. André
Valentim/Strana  | | Confeitaria
Colombo: bufê com catorze carnes aos sábados e música ao vivo
|
Segundo a nutricionista
Ana Maria Gonçalves, o verão não é exatamente a melhor
estação para comer feijoada. "A digestão fica mais lenta.
Com toda certeza, vai dar um soninho depois, porque o organismo precisa fazer
mais esforço", explica. Nesta época, o ideal é consumir o
prato acompanhado de muito líquido, mas nada de álcool. Para facilitar
a vida e a digestão dos fãs do feijão, os restaurantes
desenvolveram algumas técnicas. Na Casa da Feijoada, que há dezesseis
anos serve o prato diariamente, a temperatura do salão é mantida
em torno de 20 graus. O feijão vem à mesa, com as carnes escolhidas
pelo freguês, que não param de chegar enquanto houver apetite. O
pequenino restaurante de Ipanema ostenta em seu livro de visitantes assinaturas
de gente como o ex-presidente de Portugal Mário Soares, o cantor Phil Collins
e o violonista Paco de Lucia. Na Barra, a In House oferece um bufê de feijoada
light aos sábados. André Herzog, um dos proprietários, explica
o segredo para tornar o prato mais leve. Preparado na véspera, ele vai
para a geladeira. "A gordura sobe e a gente então a retira", diz.
No prato, a combinação dos ingredientes é engenhosa. "O feijão
é super-rico em ferro e, com o arroz, oferece uma proteína completa.
A laranja é rica em vitamina C, que ajuda a transportar esse ferro. E a
couve fornece fibras, que ajudam a varrer o organismo", explica a nutricionista
Ana Maria. Diz a lenda que a feijoada seria um prato criado pelos escravos com
os restos desprezados pela casa-grande. Mas o folclorista Luiz da Câmara
Cascudo, em A História da Alimentação no Brasil, contesta.
"O que chamamos de feijoada é uma solução européia,
elaborada no Brasil. Técnica portuguesa com material brasileiro", escreveu
Cascudo, lembrando-se dos copiosos cozidos lusitanos. Mas não tem polêmica
que resista à combinação de samba, caipirinha e feijão.
| O feijão
nosso de cada dia Uma seleção
dos lugares onde comer o mais carioca dos pratos
O ano todo Antiquarius, Rua Aristides
Espínola, 19, Leblon,
2294-1049. Sábados, 12h/17h. R$ 62,00. Serviço à mesa, com
caju amigo e salada de laranja. Bar
do Mineiro, Rua Paschoal Carlos Magno, 99, Santa Teresa,
2221-9227. Sábados, domingos e feriados, a partir das 12h. R$ 25,00 (para
dois). Caesar Park, Avenida
Vieira Souto, 460, Ipanema,
2525-2525. Sábados, 12h/19h. Bufê a R$ 69,00, incluindo batidas,
caldo de feijão e sobremesas.
Confeitaria Colombo, Rua Gonçalves Dias, 32, Centro
2232-2300. Sábados, 12h/16h. R$ 39,50 por pessoa, com bufê de saladas
e sobremesas. Café Fleuri,
Hotel Méridien, Avenida Atlântica, 1020, 4º andar, Copacabana,
3873- 8881. Sábados, 12h30/17h. Bufê a R$ 65,00.
Casa da Feijoada, Rua Prudente de Morais, 10,
2523-4994. Todo dia é dia de feijão. Segunda a domingo, 12h/0h.
R$ 42,80 por pessoa. Serviço à mesa, com carnes escolhidas pelo
cliente. Hotel Sheraton, Avenida
Niemeyer, 212, Leblon,
2529-1110. Sábados, 12h30/16h30. Bufê, com saladas e sobremesas.
Água, refrigerante, chope e caipirinha incluídos no preço
(R$ 55,00). In House, Rio Design
Barra, Avenida das Américas, 7777, 3º piso,
2438-7638. Sábados, 12h/17h. Bufê de feijoada light a R$ 24,90 por
pessoa. Madalenna, Rua Visconde
de Pirajá, 539, Ipanema,
3875-9190, ramal 112. Sábados, 12h/último cliente. Serviço
à mesa. R$ 21,90 por pessoa. Só
no Carnaval Chez Pierre, Rua Farme
de Amoedo, 34, Ipanema,
3687-2010. Sábado (5), 13h/17h. R$ 55,00 por pessoa pelo bufê, batidas
e camiseta da Banda de Ipanema. Gattopardo,
Avenida Borges de Medeiros, 1426, Lagoa. Sábado (5), a partir das 14h.
Serviço de manobrista e estacionamento a R$ 10,00. Três bufês
para servir até 1 500 pessoas. Shows de Preta Gil, Davi Moraes, Lan Lan,
Ivo Meirelles e da bateria da Grande Rio custam R$ 300,00.
Melt, Rua Rita Ludolf, 47, Leblon,
2512-1662. Domingo (6), a partir das 17h. Camisa-convite a R$ 80,00. Roda de samba
com Maurício Pessoa e o DJ Moisés. Após as 22h, Dudu Menna
Barreto e a DJ Ana Kazz se apresentam com músicos do Jongo da Serrinha.
Mistura Fina, Avenida Borges
de Medeiros, 3207, Lagoa,
2537-2844. De sábado (5) à terça de Carnaval, 12h/último
cliente. Bufê a R$ 35,60 por pessoa. Apresentação do grupo
de samba Berro d'Água. Nuth
Lounge, Avenida Armando Lombardi, 999, Barra,
3153-8595. Sábado (5), a partir das 14h. Com a bateria da Beija-Flor e
a banda Axé Black. A camiseta-convite custa R$ 150,00 (homem) e R$ 50,00
(mulher). Rio Othon Palace Hotel,
Avenida Atlântica, 3264, Copacabana,
2525-1666. R$ 100,00. Sábado (5), 12h30/17h. Presença da bateria
da Unidos da Tijuca. | |