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2 de fevereiro de 2005
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GASTRONOMIA

Carnaval de prato cheio

Mesmo com o calor, o verão
é a estação da feijoada

Livia de Almeida

 
Dilmar Cavalher/Strana
Casa da Feijoada: todo dia é dia para a farra do porco

A temperatura pode até andar perto dos 40 graus à sombra. Mas, quando os tamborins começam esquentar para o Carnaval, começa também a temporada de feijão-preto, carne-seca, torresminho, couve à mineira e, é claro, caipirinha. A feijoada completa, carioquíssima, vive dias de glória no auge do verão, tanto em endereços tradicionais da cidade quanto em eventos pré-carnavalescos, onde a badalação é um dos temperos. "Esta é a época mais concorrida. Servimos mais feijoada no verão do que no inverno", diz Christian Pircio, gerente de alimentos e bebidas do Caesar Park, que há 25 anos oferece o prato em bufê todos os sábados. Nesta época, a farra é servida em duas frentes: no restaurante do 2º andar e também na cobertura, ambos com deslumbrante vista para a Praia de Ipanema. Tudo para dar conta de até 480 comensais por dia. E a clientela está longe de se restringir aos hóspedes do hotel. "Cerca de 80% de nossas reservas são geradas pelo público externo", garante Christian. No sábado de Carnaval, os endereços do feijão se multiplicam pela cidade. O mais tradicional deles é o Gattopardo, na Lagoa, que já completou 28 anos. Mas neste ano tem couve à mineira até na Melt (em programa com música eletrônica e o Jongo da Serrinha) e no Nuth Lounge (veja uma seleção de restaurantes onde o prato é servido).

Para a feijoada de Carnaval do Gattopardo, estão sendo esperados 1.500 comilões, dispostos a gastar 300 reais pela camiseta da estilista Alessa que serve de ingresso. Na cozinha, o comando é de Oswaldo dos Santos, responsável pelo feijão há 25 anos, desde os tempos em que a comilança era restrita aos amigos do empresário Ricardo Amaral. Hoje, Oswaldo começa a preparar a feijoada com uma semana de antecedência. A lista de ingredientes inclui 300 quilos de feijão e quase 1 tonelada de carne. Enquanto no resto do ano a feijoada do Gattopardo leva apenas o que se convencionou chamar de "carnes nobres" – lombinho, carne-seca, paio, costelinha –, no Carnaval, chispe, rabinho e orelha também aparecem no bufê.

 
André Valentim/Strana
Confeitaria Colombo: bufê com catorze carnes aos sábados e música ao vivo

Segundo a nutricionista Ana Maria Gonçalves, o verão não é exatamente a melhor estação para comer feijoada. "A digestão fica mais lenta. Com toda certeza, vai dar um soninho depois, porque o organismo precisa fazer mais esforço", explica. Nesta época, o ideal é consumir o prato acompanhado de muito líquido, mas nada de álcool. Para facilitar a vida – e a digestão – dos fãs do feijão, os restaurantes desenvolveram algumas técnicas. Na Casa da Feijoada, que há dezesseis anos serve o prato diariamente, a temperatura do salão é mantida em torno de 20 graus. O feijão vem à mesa, com as carnes escolhidas pelo freguês, que não param de chegar enquanto houver apetite. O pequenino restaurante de Ipanema ostenta em seu livro de visitantes assinaturas de gente como o ex-presidente de Portugal Mário Soares, o cantor Phil Collins e o violonista Paco de Lucia. Na Barra, a In House oferece um bufê de feijoada light aos sábados. André Herzog, um dos proprietários, explica o segredo para tornar o prato mais leve. Preparado na véspera, ele vai para a geladeira. "A gordura sobe e a gente então a retira", diz.

No prato, a combinação dos ingredientes é engenhosa. "O feijão é super-rico em ferro e, com o arroz, oferece uma proteína completa. A laranja é rica em vitamina C, que ajuda a transportar esse ferro. E a couve fornece fibras, que ajudam a varrer o organismo", explica a nutricionista Ana Maria. Diz a lenda que a feijoada seria um prato criado pelos escravos com os restos desprezados pela casa-grande. Mas o folclorista Luiz da Câmara Cascudo, em A História da Alimentação no Brasil, contesta. "O que chamamos de feijoada é uma solução européia, elaborada no Brasil. Técnica portuguesa com material brasileiro", escreveu Cascudo, lembrando-se dos copiosos cozidos lusitanos. Mas não tem polêmica que resista à combinação de samba, caipirinha e feijão.

 

O feijão nosso de cada dia

Uma seleção dos lugares onde comer
o mais carioca dos pratos

O ano todo

Antiquarius, Rua Aristides Espínola, 19, Leblon, 2294-1049. Sábados, 12h/17h. R$ 62,00. Serviço à mesa, com caju amigo e salada de laranja.

Bar do Mineiro, Rua Paschoal Carlos Magno, 99, Santa Teresa, 2221-9227. Sábados, domingos e feriados, a partir das 12h. R$ 25,00 (para dois).

Caesar Park, Avenida Vieira Souto, 460, Ipanema,
2525-2525. Sábados, 12h/19h. Bufê a R$ 69,00, incluindo batidas, caldo de feijão e sobremesas.

Confeitaria Colombo, Rua Gonçalves Dias, 32, Centro
2232-2300. Sábados, 12h/16h. R$ 39,50 por pessoa, com bufê de saladas e sobremesas.

Café Fleuri, Hotel Méridien, Avenida Atlântica, 1020, 4º andar, Copacabana, 3873- 8881. Sábados, 12h30/17h. Bufê a R$ 65,00.

Casa da Feijoada, Rua Prudente de Morais, 10, 2523-4994. Todo dia é dia de feijão. Segunda a domingo, 12h/0h. R$ 42,80 por pessoa. Serviço à mesa, com carnes escolhidas pelo cliente.

Hotel Sheraton, Avenida Niemeyer, 212, Leblon,
2529-1110. Sábados, 12h30/16h30. Bufê, com saladas e sobremesas. Água, refrigerante, chope e caipirinha incluídos no preço (R$ 55,00).

In House, Rio Design Barra, Avenida das Américas, 7777, 3º piso, 2438-7638. Sábados, 12h/17h. Bufê de feijoada light a R$ 24,90 por pessoa.

Madalenna, Rua Visconde de Pirajá, 539, Ipanema,
3875-9190, ramal 112. Sábados, 12h/último cliente. Serviço à mesa. R$ 21,90 por pessoa.

Só no Carnaval

Chez Pierre, Rua Farme de Amoedo, 34, Ipanema,
3687-2010. Sábado (5), 13h/17h. R$ 55,00 por pessoa pelo bufê, batidas e camiseta da Banda de Ipanema.

Gattopardo, Avenida Borges de Medeiros, 1426, Lagoa. Sábado (5), a partir das 14h. Serviço de manobrista e estacionamento a R$ 10,00. Três bufês para servir até 1 500 pessoas. Shows de Preta Gil, Davi Moraes, Lan Lan, Ivo Meirelles e da bateria da Grande Rio custam R$ 300,00.

Melt, Rua Rita Ludolf, 47, Leblon, 2512-1662. Domingo (6), a partir das 17h. Camisa-convite a R$ 80,00. Roda de samba com Maurício Pessoa e o DJ Moisés. Após as 22h, Dudu Menna Barreto e a DJ Ana Kazz se apresentam com músicos do Jongo da Serrinha.

Mistura Fina, Avenida Borges de Medeiros, 3207, Lagoa, 2537-2844. De sábado (5) à terça de Carnaval, 12h/último cliente. Bufê a R$ 35,60 por pessoa. Apresentação do grupo de samba Berro d'Água.

Nuth Lounge, Avenida Armando Lombardi, 999, Barra,
3153-8595. Sábado (5), a partir das 14h. Com a bateria da Beija-Flor e a banda Axé Black. A camiseta-convite custa R$ 150,00 (homem) e R$ 50,00 (mulher).

Rio Othon Palace Hotel, Avenida Atlântica, 3264, Copacabana, 2525-1666. R$ 100,00. Sábado (5), 12h30/17h. Presença da bateria da Unidos da Tijuca.

 

     
   

 

 
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