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1° de agosto de 2007

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TRANSPORTE

Vou de ônibus

Cariocas trocam o aeroporto pela
rodoviária para fugir do caos aéreo

Fátima Sá

 
Fotos Fernando Lemos
Conforto na viagem para São Paulo: ônibus com poltronas que reclinam 160 graus

Passar seis horas dentro de um ônibus nunca esteve nos planos da médica carioca Ana Paula Rocha. Na semana passada, porém, essa foi a maneira mais rápida e garantida que ela encontrou para chegar a São Paulo. "Os vôos atrasam tanto que, somando o tempo de espera com a duração da viagem, compensa ir por terra", calculava a médica pouco antes de se instalar numa poltrona-leito da Auto Viação 1001. Desde o acidente com o Airbus da TAM, no dia 17, passageiros como Ana Paula vêm trocando os aeroportos pela Rodoviária Novo Rio sem pestanejar. O movimento no terminal, por onde circulam 50 000 pessoas diariamente, cresceu mais de 30%. "Já esperávamos mais viajantes por causa das férias e dos Jogos Pan-Americanos, mas com a confusão nos aeroportos a procura explodiu", diz Jorge Welington, gerente da viação Itapemirim, que liga o Rio a várias capitais. Houve aumento na procura para Belo Horizonte, Brasília e, sobretudo, São Paulo. Às sextas, cerca de oitenta coletivos saem do Rio com destino à capital paulista. Na sexta-feira 20, trinta ônibus extras entraram em operação. O preço, é claro, também ajuda: voar do Rio a São Paulo pela TAM, até a semana passada, não saía por menos de 269,50 reais. A passagem mais cara de ônibus entre as duas cidades é vendida a 77,50 reais.

Parra na sala de embarque: TV e internet

Quem trocou o aeroporto pela rodoviária está descobrindo que a viagem por terra não precisa ser um martírio. As passagens podem ser compradas – ou reservadas, dependendo da companhia – por telefone ou pela internet. Muitos ônibus são equipados com DVD e serviço de bordo, que inclui jornais, biscoitos, sucos, cobertores e travesseiros. Durante o dia, circula o Double Class da 1001, com dois andares: no de cima há quarenta poltronas de padrão executivo, tipo semileito, com apoio para os pés; no de baixo, uma espécie de primeira classe, com apenas seis poltronas-leito, que têm encosto de 60 centímetros de largura, estofamento acolchoado e inclinação de até 160 graus. Os ônibus saem na hora, mas, para amenizar a espera de quem chega antes, algumas empresas dispõem de salas de embarque. Na da Útil há ar-condicionado, duas televisões de tela plana e dois computadores com livre acesso à internet. "É uma sala confortável, um bom serviço", diz o engenheiro de produção Filipe Parra.

A Polícia Rodoviária Federal, que já estava de prontidão por causa das férias e do Pan, reforçou o alerta nas estradas em decorrência do aumento do tráfego. No ano passado, as dez rodovias federais que cortam o Rio tiveram 10 979 acidentes, com 512 mortos e 5 614 feridos. Os ônibus responderam por 7,6% de todas as ocorrências. De 1º de janeiro a 30 de junho deste ano, 445 ônibus sofreram acidentes, deixando quinze mortos, 31 feridos em estado grave e 194 pessoas levemente feridas. Nas estradas dificilmente há dúvidas sobre os responsáveis. A maioria das tragédias é causada por falta de atenção do motorista.

         
 


     

 

 
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