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TRANSPORTE
Vou de ônibus
Cariocas trocam o aeroporto
pela
rodoviária para fugir do caos
aéreo
Fátima Sá
Fotos Fernando Lemos
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| Conforto na viagem para
São Paulo: ônibus com poltronas que
reclinam 160 graus |
Passar seis
horas dentro de um ônibus nunca esteve nos planos da médica
carioca Ana Paula Rocha. Na semana passada, porém, essa foi
a maneira mais rápida e garantida que ela encontrou para
chegar a São Paulo. "Os vôos atrasam tanto que, somando
o tempo de espera com a duração da viagem, compensa
ir por terra", calculava a médica pouco antes de se instalar
numa poltrona-leito da Auto Viação 1001. Desde o acidente
com o Airbus da TAM, no dia 17, passageiros como Ana Paula vêm
trocando os aeroportos pela Rodoviária Novo Rio sem pestanejar.
O movimento no terminal, por onde circulam 50 000 pessoas diariamente,
cresceu mais de 30%. "Já esperávamos mais viajantes
por causa das férias e dos Jogos Pan-Americanos, mas com
a confusão nos aeroportos a procura explodiu", diz Jorge
Welington, gerente da viação Itapemirim, que liga
o Rio a várias capitais. Houve aumento na procura para Belo
Horizonte, Brasília e, sobretudo, São Paulo. Às
sextas, cerca de oitenta coletivos saem do Rio com destino à
capital paulista. Na sexta-feira 20, trinta ônibus extras
entraram em operação. O preço, é claro,
também ajuda: voar do Rio a São Paulo pela TAM, até
a semana passada, não saía por menos de 269,50 reais.
A passagem mais cara de ônibus entre as duas cidades é
vendida a 77,50 reais.
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| Parra na sala de embarque: TV e internet
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Quem trocou o aeroporto pela rodoviária
está descobrindo que a viagem por terra não precisa
ser um martírio. As passagens podem ser compradas
ou reservadas, dependendo da companhia por telefone ou pela
internet. Muitos ônibus são equipados com DVD e serviço
de bordo, que inclui jornais, biscoitos, sucos, cobertores e travesseiros.
Durante o dia, circula o Double Class da 1001, com dois andares:
no de cima há quarenta poltronas de padrão executivo,
tipo semileito, com apoio para os pés; no de baixo, uma espécie
de primeira classe, com apenas seis poltronas-leito, que têm
encosto de 60 centímetros de largura, estofamento acolchoado
e inclinação de até 160 graus. Os ônibus
saem na hora, mas, para amenizar a espera de quem chega antes, algumas
empresas dispõem de salas de embarque. Na da Útil
há ar-condicionado, duas televisões de tela plana
e dois computadores com livre acesso à internet. "É
uma sala confortável, um bom serviço", diz o engenheiro
de produção Filipe Parra.
A Polícia Rodoviária
Federal, que já estava de prontidão por causa das
férias e do Pan, reforçou o alerta nas estradas em
decorrência do aumento do tráfego. No ano passado,
as dez rodovias federais que cortam o Rio tiveram 10 979 acidentes,
com 512 mortos e 5 614 feridos. Os ônibus responderam por
7,6% de todas as ocorrências. De 1º de janeiro a 30 de
junho deste ano, 445 ônibus sofreram acidentes, deixando quinze
mortos, 31 feridos em estado grave e 194 pessoas levemente feridas.
Nas estradas dificilmente há dúvidas sobre os responsáveis.
A maioria das tragédias é causada por falta de atenção
do motorista.
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