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1° de agosto de 2007

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PAN
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PAN

A folia dos
sem-ingresso

A Praça das Medalhas, em Copacabana,
vira atração turística nos Jogos

Lívia de Almeida

 
Daryan Dorneles
Cardoso, do tiro, e Schlittler e Priscila, do judô: homenagem tocante no Baixo Pan

Sexta-feira de sol em Copacabana. O agente de viagens Leonardo Alves de Azevedo, de 36 anos, passeava tranqüilamente pelo calçadão com a mulher, dois filhos, os pais e uma afilhada. A família, residente em Niterói, resolveu antecipar o fim de semana e participar do Pan de alguma maneira. Como não tinham ingressos para a arena do vôlei de praia, a alternativa foi circular pela vizinha Praça das Medalhas, complexo com três pavilhões e um palco, montado em frente à Avenida Prado Júnior. Dali, a agitação se espraiava. Logo ao lado, numa tenda de 800 metros quadrados fincada na areia, a Loja do Rio recebeu no período dos Jogos 12 000 visitantes por dia, atraídos pelos produtos oficiais: camisas, agasalhos, bonecos, bermudas e chaveiros com o logotipo da competição. "Passei por aqui outro dia e estava animado", relatou o agente de viagens. "Então decidi trazer a família inteira para ver o movimento." Movimento, realmente, não faltou na Praça das Medalhas durante todo o evento. Enquanto aguardava na fila a sua vez para tirar fotos colocando o rosto em bonecos de atletas, a família Azevedo testemunhou o cerco de caçadores de autógrafos e fotos a duas jogadoras da seleção peruana de vôlei, que nem no pódio subiu – foi a quarta colocada na competição. "O brasileiro é muito caloroso", espantou-se, agradecida, Patty Soto, implorando a um fã que a deixasse ir. "Só conseguimos entrada para o basquete", disse Azevedo, resignado. "Mas isso aqui está divertido."

A folia dos sem-ingresso incluía acompanhar a transmissão dos jogos e disputas nos telões. Entre uma competição e outra, o tour prosseguia pelo Salão do Turismo, com suas principais (e óbvias) atrações dos estados brasileiros. Diante de uma réplica da estátua do Cristo Redentor, formava-se uma longa fila para fotos. A estudante Vanessa Guimarães, de 21 anos, não perdeu a pose. "Vim de Corumbá (MS) para ficar por dentro do Pan", afirmou a jovem, em meio à badalação à beira-mar. Recepcionistas caracterizados de gaúchos e baianas faziam sucesso com os visitantes. No palco, situado no lado de fora, grupos musicais se revezavam enquanto a multidão aguardava o ponto alto da noite: a visita obrigatória dos medalhistas brasileiros. Os músicos do Boi Bumbá de Parintins se apresentavam com bailarinos fantasiados de índios, fumaça de gelo seco e efeitos de luz. Depois de uma semana, a platéia já sabia de cor a coreografia e a letra do hit mais executado: Dança pra frente/Gira, mexe pra trás e delira/Leva o braço pra cima. Na sexta (20), as homenagens foram para Priscila Marques e João Gabriel Schlittler, bronze e prata no judô, respectivamente, e Fernando Cardoso, bronze no tiro. A simples entrega de um ramo de flores aos atletas foi suficiente para deflagrar uma reação emocionada da platéia. O Baixo Pan vai deixar saudade.

 

 

         
 
Bolas dentro... e bolas fora
Ricardo Cassiano/Lance Press
Prova de wakeboard: sucesso na Lagoa

 

As novas instalações – Com assentos confortáveis e placares eletrônicos de primeira, a Arena Olímpica e o inteiramente recauchutado Maracanãzinho atraíram ótimo público. Eles foram cenário das provas de ginástica artística e rítmica e das partidas de vôlei e basquete.

Praça das Medalhas – Vizinho da arena onde foram realizados os jogos de vôlei de praia, no Leme, o local virou uma espécie de Baixo Pan. Sempre muito movimentado, o complexo de tendas atraiu torcedores e curiosos em geral, principalmente durante as visitas dos atletas brasileiros que ganharam medalha.  

Os voluntários – O batalhão de 15 000 pessoas deu conta do recado de orientar e informar o público com simpatia e educação.

Trânsito – Felizmente, não se concretizou a previsão de que a interdição de ruas e a criação de faixas seletivas em vias expressas causariam um nó no trânsito carioca. Com exceção do domingo da maratona, quando as pistas centrais da Avenida Presidente Vargas estiveram bloqueadas, dando origem a um enorme engarrafamento, o tráfego não sofreu alterações mais drásticas.

Provas de rua – Todas as competições a céu aberto foram um sucesso. O triatlo na orla de Copacabana, o ciclismo e a maratona no Parque do Flamengo e as provas de remo, esqui e canoagem na Lagoa Rodrigo de Freitas levaram milhares de espectadores às ruas da cidade, num espetáculo democrático, sem cobrança de ingressos.

Lalo de Almeida/Folha Imagem
Cidade do Rock: e o vento quase levou

 

Venda de ingressos – Quando os bilhetes eram negociados apenas pela internet, havia queixas desde a dificuldade de acesso ao site de compra até o recebimento de bilhetes com datas trocadas. Com a venda nos locais de competição, houve filas – e reclamações – gigantescas. As competições começaram e os problemas persistiram. Nas partidas de vôlei, muita gente teve de encarar uma fila dentro do Maracanãzinho para trocar seu lugar, devido à dupla venda do mesmo assento.

Campos de beisebol e softbol – Como disse o mexicano Mario Vásquez Raña, presidente da Organização Desportiva Pan-Americana, a Cidade do Rock foi a "mosca na sopa" dos Jogos. Por problema na drenagem, os campos viraram um charco. No primeiro dia de competição, o placar eletrônico ficou desligado. A deficiência na iluminação cancelou os jogos noturnos. Na segunda-feira passada, uma ventania destruiu parte das tendas do local.

Os animadores de platéia – Com microfone em punho e sempre em decibéis exagerados, eles gritavam palavras de ordem para inflamar os torcedores.

Produtos Pan – O preço dos artigos licenciados foi alto demais. Uma camisa pólo custava 136 reais.

A torcida – Em diversas ocasiões ela vaiou argentinos, americanos e cubanos. Um vexame.

     

 

 
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