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PAN
A folia dos
sem-ingresso
A Praça das Medalhas, em
Copacabana,
vira atração turística nos Jogos
Lívia de Almeida
Daryan Dorneles
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| Cardoso, do tiro, e Schlittler
e Priscila, do judô: homenagem tocante no
Baixo Pan |
Sexta-feira
de sol em Copacabana. O agente de viagens Leonardo Alves de Azevedo,
de 36 anos, passeava tranqüilamente pelo calçadão
com a mulher, dois filhos, os pais e uma afilhada. A família,
residente em Niterói, resolveu antecipar o fim de semana
e participar do Pan de alguma maneira. Como não tinham ingressos
para a arena do vôlei de praia, a alternativa foi circular
pela vizinha Praça das Medalhas, complexo com três
pavilhões e um palco, montado em frente à Avenida
Prado Júnior. Dali, a agitação se espraiava.
Logo ao lado, numa tenda de 800 metros quadrados fincada na areia,
a Loja do Rio recebeu no período dos Jogos 12 000 visitantes
por dia, atraídos pelos produtos oficiais: camisas, agasalhos,
bonecos, bermudas e chaveiros com o logotipo da competição.
"Passei por aqui outro dia e estava animado", relatou o agente de
viagens. "Então decidi trazer a família inteira para
ver o movimento." Movimento, realmente, não faltou na Praça
das Medalhas durante todo o evento. Enquanto aguardava na fila a
sua vez para tirar fotos colocando o rosto em bonecos de atletas,
a família Azevedo testemunhou o cerco de caçadores
de autógrafos e fotos a duas jogadoras da seleção
peruana de vôlei, que nem no pódio subiu foi
a quarta colocada na competição. "O brasileiro é
muito caloroso", espantou-se, agradecida, Patty Soto, implorando
a um fã que a deixasse ir. "Só conseguimos entrada
para o basquete", disse Azevedo, resignado. "Mas isso aqui está
divertido."
A folia dos sem-ingresso incluía
acompanhar a transmissão dos jogos e disputas nos telões.
Entre uma competição e outra, o tour prosseguia pelo
Salão do Turismo, com suas principais (e óbvias) atrações
dos estados brasileiros. Diante de uma réplica da estátua
do Cristo Redentor, formava-se uma longa fila para fotos. A estudante
Vanessa Guimarães, de 21 anos, não perdeu
a pose. "Vim de Corumbá (MS) para ficar por dentro do Pan",
afirmou a jovem, em meio à badalação à
beira-mar. Recepcionistas caracterizados de gaúchos e baianas
faziam sucesso com os visitantes. No palco, situado no lado de fora,
grupos musicais se revezavam enquanto a multidão aguardava
o ponto alto da noite: a visita obrigatória dos medalhistas
brasileiros. Os músicos do Boi Bumbá de Parintins
se apresentavam com bailarinos fantasiados de índios, fumaça
de gelo seco e efeitos de luz. Depois de uma semana, a platéia
já sabia de cor a coreografia e a letra do hit mais executado:
Dança pra frente/Gira, mexe pra trás e delira/Leva
o braço pra cima. Na sexta (20), as homenagens foram
para Priscila Marques e João Gabriel Schlittler, bronze e
prata no judô, respectivamente, e Fernando Cardoso, bronze
no tiro. A simples entrega de um ramo de flores aos atletas foi
suficiente para deflagrar uma reação emocionada da
platéia. O Baixo Pan vai deixar saudade.
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