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1° de agosto de 2007

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Clubinho com taxímetro

Ipanema ganha espaço de lazer infantil
que cobra por hora para cuidar da criançada

Carlos Henrique Braz


Fotos Fernando Moraes
A clientela no restaurante: bonecos e gibis à disposição


A fila de carrinhos de bebê estacionados na calçada desperta a curiosidade para o cenário. Do outro lado do muro, a primeira visão que se tem ao entrar no prédio de três andares é a de mesas e cadeiras pequeninas dividindo o salão com o mobiliário convencional. Chega a ser engraçado ver a criançada recém-saída da fralda bebendo sucos e refrigerantes. Aberto recentemente na Rua Barão da Torre, em Ipanema, o Engenho é uma área de lazer indoor, espécie de clube-creche com taxímetro, para crianças de até 12 anos. Por 25 reais a hora, os pais deixam seus filhos sob os cuidados de recreadores, que fazem oficinas de teatro, pintura, capoeira e ioga, além de brincadeiras tradicionais. "Nosso objetivo é preencher com atividades de arte e lazer o tempo ocioso das crianças que ficam em casa com babás", afirma a arquiteta Sonia Rocha Miranda, idealizadora do empreendimento.

Na verdade, a iniciativa deriva daqueles espaços nos shoppings onde recreadores cuidam das crianças enquanto os adultos vão às compras. A diferença dessa nova casa está no incremento da infra-estrutura. No térreo funciona o Café da Família. Os chefs Guilherme Clemente e Antônio Costa – que foi auxiliar de Claude Troisgros por 25 anos – desenvolveram um menu com duas opções por dia de pratos balanceados: filé mignon, frango ou peixe, acompanhado de batatinha sorriso, seleta de legumes, arroz integral com passas e damasco e caldo de feijão. No 1º andar estão as salas de música e teatro, além de uma outra dedicada exclusivamente aos bebês. No 2º, a brinquedoteca e o ateliê de artes. A cobertura destina-se às aulas de teatro, capoeira e ioga. Lá, também, há uma horta que serve de lazer e aprendizado para a criançada. As verduras e os legumes cultivados no local abastecem o restaurante no térreo.

 
Menu mirim: batata sorriso em pratos balanceados

Essa variedade de atividades seduz altinhos e baixinhos. A consultora de informática Maria Lazaroni de Moraes fez um pacote de duas horas por dia, durante as férias, para suas filhas Anna Luiza, de 3 anos, e Maria Antônia, de 10 meses. "Por falta de programa, cheguei a levar minha filha mais velha quatro vezes para ver a mesma peça", conta Maria Alice. O medo da violência pesou igualmente na decisão de investir no lazer em redoma. "Não levo mais minhas meninas para a pracinha por medo de bala perdida", diz. Outra cliente é a jornalista Joana de Mello, mãe de Manoel, de 9 meses, que passa pelo menos uma hora por dia na área exclusiva para bebês, onde só se entra com pantufas descartáveis: "Como moramos em apartamento, é uma alternativa para ele brincar em lugar mais amplo".

 
Brinquedoteca: uma das salas para os pequenos se esbaldarem

         
     

 

 
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