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1° de agosto de 2007

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CIDADE

A passarela do Leblon

Atores famosos, empresários poderosos,
socialites, intelectuais e celebridades em
geral se cruzam na Dias Ferreira, a rua
das grandes badalações

Sofia Cerqueira

Fernando Lemos

Luana Piovani na Praça Cazuza, no início da via: flanando em seu canto preferido do Rio


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O mapa dos agitos

Duas da tarde. Chico Buarque passa pela calçada. Carolina Dieckmann, barrigão de nove meses, caminha em direção a um ateliê. A poucos metros, Guilhermina Guinle devora uma salada. Reynaldo Gianecchini surge com amigos. A noite cai. O casal Du Moscovis e Cynthia Howlett conversa entre sushis no mesmo lugar onde Caetano Veloso e a atriz Ildi Silva foram vistos juntos pela primeira vez, em abril. É madrugada. Andréa Beltrão entra no supermercado e, numa livraria perto dali, José Wilker folheia uma revista. O que pode lembrar o vaivém de uma cidade cenográfica da TV Globo é, na verdade, o cotidiano da rua mais badalada do Rio, a Dias Ferreira, no finalzinho do Leblon. "Isto aqui virou a Hollywood carioca", diz a atriz Luana Piovani, outra presença constante no pedaço. A freqüência vip atrai um batalhão de paparazzi. Mas não são só artistas que chamam atenção nos 700 metros de extensão dessa via encravada entre as avenidas Ataulfo de Paiva e Bartolomeu Mitre. Lá circulam empresários de peso, socialites e, é claro, quem quer ver e ser visto. O local é referência no circuito gastronômico, com restaurantes como Carlota, Sushi Leblon e Celeiro. Nos últimos dois anos, também virou sinônimo de um comércio chique e exclusivo, com grifes como Isabela Capeto e Patrícia Viera. Já são mais de trinta ateliês em seus sete quarteirões. Há três meses, a estilista paulista Adriana Barra ampliou a lista. Não é a última novidade. Na semana passada, foi aberto um brechó de luxo; nos próximos dias, o designer de jóias Alfredo Grosso inaugura um ateliê; e, ainda neste ano, o Mirai e o Sushi Leblon, japoneses já fixados naquelas calçadas, ganham filiais na própria rua.

Fernando Lemos
Guilhermina Guinle no Celeiro: "Trago amigos de fora para conhecer"


Primeira via aberta no Leblon, quando o bairro era ainda um imenso areal, e chamada de Rua do Pau até o início do século passado, a Dias Ferreira fervilha 24 horas por dia. Ao bochicho dos restaurantes – nos dois primeiros quarteirões funcionam doze – e do sofisticado roteiro de ateliês somam-se charmosos cafés, casas de chá e uma chocolateria. A agenda cultural é garantida pelas livrarias Argumento, a preferida do novelista Manoel Carlos, e Letras & Expressões, point de famosos nas madrugadas. Juntas, as duas promovem até oito lançamentos de livros por semana. Estrelas da TV também são vistas no Hortifruti e no supermercado Zona Sul, aberto dia e noite. Tanto agito num único endereço tem seu preço – e alto. O aluguel de uma sala de 40 metros quadrados num prediozinho antigo e muitas vezes sem elevador vai de 2 000 a 4 000 reais (o de um imóvel semelhante em Botafogo custa 600 reais). Só as luvas de um ponto na rua variam de 600 000 a 1 milhão de reais. "Pensei inicialmente em abrir uma loja no Jardim Botânico ou em Santa Teresa", conta Adriana Barra. Mudou de idéia ao encontrar uma sala vazia num pequeno prédio art déco da rua por onde circula sua clientela estrelada: Camila Pitanga, Malu Mader, a apresentadora Astrid Fontenelle... "A Dias Ferreira tem a cara do Rio", afirma. "É sofisticada, descontraída e com clima de bairro."

Maysa Borges na loja de Isabela Capeto: "O ambiente ainda é de província"

A exemplo do que acontece em boa parte do seleto circuito de ateliês locais, o cliente que chega à loja de Adriana Barra toca a campainha como quem visita um amigo e é recebido com biscoitinhos e bate-papo. "Não sou adepta do shopping, me encontrei aqui", diz Astrid Fontenelle. Carioca, há trinta anos radicada em São Paulo, a apresentadora tem ficado no Rio para gravar seu programa de TV. "Venho umas duas vezes por semana almoçar no Celeiro ou jantar no Sushi Leblon", conta. "Estou me recariocando." São justamente os dois restaurantes – o primeiro, um requintado e caríssimo bufê de saladas (R$ 65,80, o quilo); o segundo, o japonês mais in da cidade – os focos preferidos dos paparazzi. "Não precisa ter festa ou evento: aqui encontramos famosos naturalmente", explica o fotógrafo Carlos Sadicoff, pioneiro no ofício de flagrar celebridades pela cidade. Diariamente, ele estaciona o carro na Dias Ferreira e dali mesmo, munido de laptop, transmite as fotos para revistas e sites. Dentro do veículo mantém camisas diferentes, chapéus e óculos para se disfarçar, embora a inconfundível cabeleira prejudique a discrição. Gaba-se de ter fotografado na área Marília Gabriela e Reynaldo Gianecchini recém-separados, Chico Buarque, Malu Mader, Ronaldo Fenômeno, Giovanna Antonelli, Alinne Moraes e Fernanda Torres, entre muitas outras figuras. "Alguns famosos passaram a pedir a comida em casa por causa disso", revela Bia Herz, uma das proprietárias do Celeiro.

 
Fernando Lemos
Astrid Fontenelle no ateliê de Adriana Barra: "Eu me encontrei aqui"

Luana Piovani é refratária à vigilância das lentes. Mas nem assim deixa de flanar por seu canto preferido da cidade. "É o lado chato de lá, mas não vou abdicar de viver", diz. Seu tour inclui o supermercado, um salão de beleza, os restaurantes Mirai ou Togu e, após a praia, o frango com farofa de ovo do Galeto do Leblon, um dos pioneiros da região. Ela vive esbarrando em conhecidos. "É impossível passar aqui e não encontrar alguém", confirma o ator Edwin Luisi, que malha todos os dias numa academia lá. "É uma rua deliciosa, eclética, e as pessoas mantêm o hábito de andar a pé", acrescenta a apresentadora Cynthia Howllet. Assim que sua filha Manuela completou 1 mês, em maio, ela retomou a rotina de ir duas vezes por semana ao Sushi Leblon, às vezes com o marido, o ator Du Moscovis. "A gente evita apenas a varanda, por causa dos paparazzi", lamenta. Gastronomia, moda e gente bonita. A combinação atrai turistas. "Virou um programa ir à Dias Ferreira", comenta a atriz Guilhermina Guinle. "Volta e meia trago um amigo de fora." Ela costuma almoçar no Celeiro e levar seu cachorro numa pet shop vizinha do restaurante. Na Argumento costuma encontrar o pai, o empresário Luiz Eduardo Guinle, que tem escritório nas adjacências.

 
Selmy Yassuda
Cynthia Howlett (à dir.) e a amiga Nana Viveiros: no Sushi Leblon

Um vaivém inimaginável há quase três décadas. Em meados de 1978, os editores Fernando Gasparian, Alfredo Machado e Sérgio Machado passaram em frente à livraria que a mulher do primeiro, Dalva, abrira no número 199. "Eles disseram que não ia durar seis meses", lembra Laura Gasparian, filha de Dalva e Fernando. A livraria Argumento não somente vingou como mudou para um espaço maior – na mesma rua, claro –, ganhou o concorrido Café Severino e virou referência na cidade. "Quando alugamos a casa, há 25 anos, o atrativo era o preço do ponto", lembra Bia, do Celeiro. O Sushi Leblon chegaria quatro anos mais tarde. Em 2002, suas sócias, Ana Carolina Gayoso, Bia Stewart e Marina Hirth, abriram outro restaurante na rua, o Zuka. Nos próximos meses, inauguram mais um: o Pop Fish, um japonês voltado para um público mais jovem. O restaurante Mirai abrirá uma filial na mesma calçada. "Resolvo o almoço aqui em volta", diz o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que tem escritório no Leblon Corporate, um dos prédios comerciais mais caros do Rio, onde o metro quadrado custa cerca de 12 000 reais. "Era uma rua comum que agora tem um clima carioca-chique, cheio de coisas úteis", afirma a professora de ioga Isabela Fortes, outra habituée. Seu roteiro inclui o ateliê aMargarida, aberto há um ano, com modelos em edições limitadas e peças sob medida.

Não foi só o perfil do público que mudou. A rua estreita e arborizada teve a mão invertida na década de 90. Na mesma época, a circulação de ônibus foi proibida. Existem problemas crônicos, como falta de vagas e de infra-estrutura – volta e meia o esgoto vaza. Ainda assim, há cinco anos moradores e comerciantes vetaram um projeto de urbanização que padronizaria as calçadas. Temiam pela descaracterização de um lugar que conserva uma tradicional loja de pianos, uma casa de ferragens cinqüentenária e autênticos botecos pés-sujos. "Temos a badalação num ambiente de província, as pessoas se cumprimentam", aponta a socialite e designer de bolsas Maysa Borges da Fonseca, dona de um ateliê e cliente de Isabela Capeto. Há tanta gente que já foi capa de revista chamando atenção na Dias Ferreira que o escritor Rubem Fonseca, radicalmente avesso a fotos e entrevistas, consegue andar praticamente incógnito por ela, em geral de boné, quase irreconhecível. "Gosto de caminhar, e aqui é interessante", disse ele à repórter de Veja Rio, numa raríssima declaração, apressando o passo. "Gosto de ver sem ser visto. Não posso perder o meu anonimato."

 

SEGREDOS DO SUCESSO

O que se pode encontrar nos 700 metros de extensão da Rua Dias Ferreira, entre as avenidas Ataulfo de Paiva e Bartolomeu Mitre

15 restaurantes basdalados, entre eles 4 japoneses

Mais de 30 sofisticados ateliês, lojinhas e showrooms. Há desde o comércio de roupas feitas sob medida até multimarcas, além de lojas de acessórios, jóias, moda infantil, peças de decoração e lingerie

2 grandes livrarias

2 cafés, loja de vinhos, tabacaria, chocolateria, fast-food e casa de chá

Academia de ginástica e de ioga

Supermercado aberto 24 horas e Hortifruti



O LUGAR CERTO PARA VER E SER VISTO

Fotos Edson Theófilo/Ag. News
 
Almoços em família: Fernanda
Torres e o filho
Joaquim saindo
do Zuka
  O ex-presidente Fernando Henrique caminha com sua filha Bia Cardoso

Fausto Candelaria
 
Caetano Veloso e a atriz Ildi Silva: flagrados por paparazzi
em abril, pela primeira vez
  Alinne Moraes e o namorado, Sérgio Marone, que mora na rua: presenças constantes

 
Carolina Dieckmann: comprinhas
e almoços
até o fim da gravidez
  Tititi constante: Taís Araújo e Reynaldo Gianecchini com um grupo de amigos

 

         
     

 

 
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