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Presidente da Campus Party quer unir educação e empreendedorismo

Em entrevista, na qual fala sobre a edição do evento na Bahia, em agosto, Francesco Farruggia ainda defende a importância de investimento em tecnologia

O empreendedorismo digital será um dos temas discutidos na próxima edição da Campus Party na Bahia, em agosto. O evento, que é o maior nas áreas de ciência e tecnologia no Brasil (e um dos maiores do mundo nesses gêneros), e já recebeu cerca de 900 mil visitantes ao longo de 10 edições em São Paulo, agora ganha outras versões pelo resto do país.

Em entrevista ao site de VEJA, Francesco Farruggia, presidente do Instituto Campus Party, falou sobre o incentivo à formação de universitários empreendedores, tema que será discutido na edição baiana em agosto. Além disso, defendeu a importância da difusão tecnológica para todas as regiões do país.

Por que é tão fundamental discutir o empreendedorismo na Campus Party? Nos preocupamos com a questão do trabalho no futuro. Na Europa, por exemplo, 59% dos profissionais diplomados [com ensino superior] não está encontrando emprego. Além disso, 41% dos estudantes diplomados nos Estados Unidos não conseguem pagar as parcelas de empréstimo que fizeram para arcar com as despesas de seu curso universitário. Percebe-se que as universidades estão prontas para formar profissionais adaptados ao que foi a economia industrial, pré-internet, mas não estão adequadas para a revolução digital. Para a edição da Bahia, firmamos parceria com o projeto Células Empreendedoras, que incorpora nas universidades questões interdisciplinares, como a elaboração de projetos e as maratonas de negócios. Queremos formar empreendedores. Não apenas profissionais com diploma. 

Nos últimos anos, quais foram os principais tema de discussão do fórum? Nos fóruns da Campus Party (CP) já passaram temas muito relevantes, como o Marco Civil da internet brasileira (em 2016). Inclusive, durante as discussões, escrevemos um manifesto para o Governo e conseguimos algumas mudanças no Marco. Em São Paulo discutimos, no início deste ano, como se formarão as chamadas cidades inteligentes. Em Salvador, gostaríamos de focar em algo voltado à educação e, logo, surgiu o tema de empreendedorismo nas universidades. Vamos debater, fazer mesas redondas, apresentar estudos de casos, verificar como o assunto é visto, e depois escrever e emitir um manifesto final, uma conclusão. Esta, aliás, é uma característica do nosso fórum: gostamos de propor soluções.

Qual a importância de expandir a CP para outros locais do país? O Brasil é um “continente” de 200 milhões de habitantes e não queremos “excluir” pessoas que não têm recursos para viajar, pagar ingresso, entre outras despesas, somente por uma questão geográfica. Na Holanda, fazemos sempre uma única CP porque é um país que tem 16 milhões de habitantes, sendo um pouco maior que a cidade de São Paulo. Além de ser um país rico, onde as pessoas não têm dificuldade para se deslocar, em distâncias bem menores.

O foco do evento muda de acordo com cada região? Sim. São diversas realidades econômicas num mesmo Brasil. E a tecnologia tem impactos diferentes em cada um desses cenários. Por exemplo, em Brasília, a ideia é usar a tecnologia em função da transparência, mostrando como acessar os dados abertos da administração pública. Na Bahia, além da integração entre empresas e universidades, falaremos sobre inovação tecnológica no cultivo de produtos locais, como cacau, suco e polpa de frutas. Em Belo Horizonte, o fórum provavelmente será sobre empreendedorismo digital e tecnológico, pois na cidade existe um programa chamado Seed, que é o melhor projeto de aceleração de startups do Brasil. 

Qual o balanço que se pode fazer da Campus Party depois de dez edições no Brasil? O evento, hoje, aborda 30 áreas do conhecimentos: robótica, desenvolvimento, simulação, astronáutica, mídias sociais etc.. E conta, em especial, com o apoio de jovens interessados pela área. Eles são nativos digitais que não têm conhecimento em empreendedorismo, mas entendem da economia digital. O que fazemos é proporcionar a convivência dessas pessoas e o intercâmbio de conhecimento, além de trazer palestrantes que enriquecem o debate. Para a Bahia, por exemplo, teremos a presença do gaúcho Ricardo Cappra, uma das maiores autoridades em big data no mundo; ele participou das duas campanhas presidenciais de Barack Obama e já ocupou o cargo de diretor de estratégias do Google. Também já tivemos grandes nomes no passado, como o do físico Stephen Hawking (que esteve na edição de 2008 em São Paulo). A partir das atividades que acontecem, pegamos as melhores ideias e levamos para outras Campus no mundo, como na Holanda, na Itália, na Alemanha, no México e nos Estados Unidos, com o intuito de criar uma grande rede de intercâmbio e conhecimento. 

Próximas edições brasileiras da Campus Party em 2017:

Brasília – DF: 14 a 18 de junho
Salvador – BA: 09 a 13 de agosto
Pato Branco – PR: 14 e 18 de outubro