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O computador pessoal de Steve Jobs

Uma ideia acompanhou o criador da Apple desde o nascimento da companhia: transformar a máquina em um produto de massas, acessível a todo cidadão

O computador é uma peça fundamental nas casas e escritórios em todo mundo. Muito novas, as crianças já sabem, por exemplo, como operar o mouse ou como navegar pela internet. Se o mundo digital está presente na vida de todos, é importante agradecer à dupla Steve Wozniak e Steve Jobs. O primeiro por ter inventado um computador realmente acessível a leigos, o Apple II, e o segundo, por ter convencido Woz a vender sua invenção.

Wozniak disse em sua biografia oficial que, ao criar o seu primeiro computador, não tinha intenção de comercializá-lo. “Projetei o Apple I porque queria dá-lo gratuitamente a outras pessoas”, escreveu. Jobs foi a pessoa que o fez mudar de idéia, com um argumento simples: mesmo que tivessem prejuízo vendendo placas de computador, eles teriam sua própria empresa. O pensamento fascinou Woz e a dupla seguiu seu caminho para fundar a Apple Computers.

Steve Jobs não era engenheiro. Sua força dentro da empresa estava em outras habilidades: seu poder de convencimento e senso estético. Foi ele o responsável pela primeira venda do Apple I: cem máquinas para uma loja de computadores, um pedido que renderia a quantia de 50.000 dólares. Ele também corria atrás dos fornecedores, convencendo-os a fazer negócio com dois garotos que nem tinham terminado a faculdade. Por outro lado, seu aguçado senso estético, conquistado nas aulas de caligrafia da faculdade, ajudou a criar o gabinete do Apple II, o primeiro feito de plástico e que se tornou um padrão para os computadores da época.

Mas a principal contribuição de Jobs ao mundo do computador foi sua participação em um projeto menor dentro da Apple, chamado Macintosh, originalmente comandado por Jeff Raskin. Jobs acabou assumindo o grupo, transformando o Mac original em algo em que ele acreditava: um dispositivo voltado para as massas, com uma interface gráfica intuitiva. Em outras palavras, um eletrodoméstico. O Macintosh foi revolucionário em vários sentidos para sua época, mesmo não tendo um disco rígido e outras funcionalidades importantes. Sua tela monocromática, mas com pequenos ícones representando comandos, e sua caixa fechada, impedindo alterações e modificações, foi uma vitória da inteligência arrogante de Jobs.

Outro passo importante de Jobs foi deixar a Apple e criar a NeXT. Seu computador em forma de cubo feito em magnésio, era diferente de tudo que se fazia na época. Em uma máquina dessas foi desenvolvido o primeiro servidor web e também o primeiro navegador para a internet. Também nessa época, começou a ser desenvolvido o sistema operacional que serviria de base para o Mac OS X. A empresa foi um fracasso, não conseguiu vender seus computadores para o grande público, mas serviu de trampolim para que Jobs voltasse à Apple para salvar a empresa que criara vinte anos antes.

No regresso, Jobs colocou ordem na bagunça em que a Apple se tornara, oferecendo uma infinidade de equipamentos, cada um deles roubando espaço do outro no mercado e aos olhos do consumidor. De uma só vez, Jobs cortou excessos, deixando apenas duas linhas de produtos: uma para consumidores comuns, outra para profissionais. Para atender ao usuário doméstico, apostou em um projeto monobloco, diferente de tudo que estava à disposição dos consumidores: o iMac.

A Apple passou, finalmente, a ser a empresa que oferece novas tecnologias para cidadãos comuns. O iMac foi o primeiro computador equipado com portas USB, hoje um padrão de mercado. O iBook, de 1999, introduziu a rede sem fio para notebooks, com o seu AirPort. A porta de conexão FireWire, com velocidades de transferência de 400 Mb/s, ajudou a criar a indústria do vídeo digital. Por último, mas não menos importante: a marca desenvolveu baterias para notebooks com autonomia superior a 3 horas, antigo padrão de desktops. Com inovações como essa, Jobs provocou impacto na vida de todos nós e, em certa medida, ajudou a formatar o mundo de nossos dias.