Mais de 40% das crianças brasileiras estão nas redes sociais
Muitas criam perfis burlando as regras dos serviços. Saiba quais os cuidados que pais devem ter com a atividade on-line de seus filhos
Por
Renata Honorato
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2 out 2012, 19h26
Thinkstock (Thinkstock/VEJA/VEJA)
O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) divulgou nesta terça-feira dados da primeira pesquisa Kids Online Brasil, cujo objetivo é analisar o comportamento das crianças brasileiras na internet. Foram entrevistadas 1.580 crianças e adolescentes: entre aqueles com idades entre 9 e 11 anos, o índice de adesão às redes sociais é de 42%; na faixa dos 11 a 16 anos, a taxa sobe para 70%. Desse último grupo, 23% já fizeram novos contatos on-line e 25% chegaram a encontrar os amigos virtuais pessoalmente.
Visitar uma rede social já é a segunda atividade infanto-juvenil mais comum na rede, depois de fazer trabalho escolar, de acordo com a pesquisa do CGI. Assistir a vídeos no YouTube, jogar on-line e postar fotos na internet aparecem, respectivamente, em terceiro, quarto e quinto lugares.
A atividade on-line dessas crianças e adolescentes preocupa os pais. Ainda mais porque parte delas burla as regras de uso das redes sociais, mentindo a idade mínima (13 anos) para criar perfis nos serviços.
Segundo Juliana Cunha, psicóloga e coordenadora do Helpline, projeto da Safernet em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos do governo federal, os dados do CGI comprovam o crescimento da presença de crianças nas redes sociais. “Teoricamente, essas crianças não poderiam estar cadastradas, mas sabemos que a realidade é diferente”, diz Juliana. De acordo com a psicóloga, é imprescindível que os pais acompanhem as atividades on-line de seus filhos. “Não se trata de proibição. Os pais precisam, antes de tudo, frequentar os mesmos ambientes on-line, afinal as crianças são muito vulneráveis.”
O estudo do CGI foi realizado em parceria com a London School of Economics (LSE), que conduz levantamentos similares na Europa.
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1. Negociação
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Os pais devem negociar com seus filhos e explicar para eles que aquela é uma rede para adolescentes e adultos. Se ainda assim a criança não quiser fechar a conta, os pais não devem proibi-la de usar a rede, a fim de evitar a abertura de um perfil secreto. Nesse caso, a família deve estimular as crianças a frequentarem o site sempre acompanhadas dos pais.
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2. Avaliação
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Os pais devem avaliar se a criança tem maturidade para frequentar o ambiente, uma vez que a circulação de conteúdos violentos ou adultos não é controlada.
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3. Senha
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Cada família tem um estilo próprio de educar seus filhos. Cabe ao pai, portanto, avaliar se uma criança de 10 ou 11 anos tem autonomia para ter uma senha secreta. O mais importante é criar uma relação de confiança com a criança, de modo que ela se sinta confortável a procurar a família em caso de dúvidas.
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4. Dados pessoais
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A família tem de saber quais dados estão sendo expostos. É importante que os pais avaliem as informações incluídas pelas crianças em seus perfis. Também é imprescindível que a família fique atenta às fotos. As crianças não entendem que muitas vezes uma imagem publicada na rede nunca mais poderá ser excluída, uma vez que já foi compartilhada.
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5. Hábitos
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Os pais devem frequentar as mesmas redes que seus filhos e devem tê-los em sua lista de amigos.