Itamaraty admite que ciberataque permitiu acesso a e-mails de funcionários

Segundo Ministério das Relações Exteriores, documentos sigilosos não foram expostos

O Itamaraty admitiu nesta terça-feira um ataque de hackers ao sistema do Ministério das Relações Exteriores mas informou que a ação foi restrita aos e-mails dos funcionários. Segundo o Itamamaty, o acesso ao chamado IntraDocs, no qual ficam arquivados os telegramas e documentos sigilosos do serviço diplomático, e ao sistema de troca de informações entre o Ministério e os postos diplomáticos no exterior não foram atingidos. A informação sobre o ataque virtual foi noticiada pela coluna Radar.

Os ataques começaram na segunda-feira da semana passada. Desde segunda-feira, o sistema de e-mails e de leitura de documentos do Ministério e dos postos diplomáticos no exterior está fora do ar, passando por uma manutenção geral para evitar novos acessos indevidos, e deve voltar ao normal ainda nesta terça-feira.

De acordo com o Itamaraty, hackers usaram o esquema chamado phishing, em que e-mails aparentemente de pessoas conhecidas são enviados para colegas com inclusão de um link malicioso. Ao abrir o link, servidores acabam instalando no sistema os chamados cavalos de troia, que recolhem informações sigilosas dos usuários, como senhas e números de documentos.

O ataque teria contaminado os e-mails de um número ainda indeterminado de funcionários públicos, permitindo o acesso a informações pessoais e a arquivos que servidores e diplomatas mantinham nos e-mails funcionais. A ação, contudo, não teria alcançado o sistema de comunicação sigiloso entre as embaixadas e postos no exterior, o Ministério em Brasília nem o arquivo de telegramas.

O Itamaraty não confirma se houve vazamento de documentos sigilosos. Ainda não há informações do objetivo ou dos responsáveis pelos ataques. Uma investigação sobre o caso foi aberta pelo Gabinete de Segurança Institucional, responsável pela segurança de informações do governo, e pela Polícia Federal.

(Estadão Conteúdo)