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Game ‘Fifa’ e Tiago Leifert, um casamento que deu certo

Na segunda entrevista da série sobre games, o brasileiro da Electronic Arts revela detalhes da criação do título, um campeão do futebol virtual

O brasileiro Gilliard Lopes tem a profissão com que muita gente sonha. Além de trabalhar como desenvolvedor de games na Electronic Arts, em Vancouver, no Canadá, ele é produtor do Fifa 13, um dos mais tradicionais jogos de futebol do mundo. O game foi lançado no início deste mês no Brasil e traz, em disco, dez times brasileiros da série A do Campeonato Brasileiro. Os torcedores dos demais clubes, contudo, não devem ficar desapontados por ficarem de fora da disputa virtual: uma atualização on-line promete incluir no jogo mais equipes, como Palmeiras e Vasco. Entre as novidades do Fifa 13 está a presença do apresentador Tiago Leifert no papel de locutor e do ex-jogador Caio Ribeiro, como comentarista. “Isso reafirma nosso compromisso de longo prazo com o mercado brasileiro, que tem grande potencial”, diz Lopes. A entrevista com o executivo, publicada abaixo, faz parte de uma série de conversas que VEJA.com manteve com representantes de algumas das principais empresas do universo dos games, descrita a seguir.

As entrevistas da série sobre games:

o mexicano Aníbal Vera, da Konami, fala do PES 2013

– terça-feira: o canadense Philippe Ducharme, da Ubisoft, fala de Assassin’s Creed III

– quarta-feira: a americana Kiki Wolfkill, da Microsoft, fala de Halo 4

– quinta-feira: o americano Bill van Zyll, da Nintendo, fala do Wii U

Por que a Electronic Arts decidiu apostar no mercado brasileiro? Percebemos uma grande evolução no setor. Todo mundo sabe que, historicamente, o mercado principal do Fifa é a Europa. Embora o Fifa sempre tenha vendido bem no Brasil, seu desempenho não era excepcional. O recente crescimento foi impulsionado por duas razões: por um lado, comprar um console aqui ficou mais fácil; por outro, o público se conscientizou dos benefícios de comprar jogos originais. Para aproveitar essas oportunidades no país, “localizamos” o Fifa para o português e convidamos o apresentador Tiago Leifert (da Rede Globo) para narrar os jogos e Caio Ribeiro para comentar as partidas. Isso reafirma nosso compromisso de longo prazo com o mercado brasileiro, que tem grande potencial.

Na TV, Leifert não é narrador, mas participa do game desempenhando essa função. A Electronic Arts não ficou com medo de críticas pela escolha? Tivemos a oportunidade de oferecer para o consumidor brasileiro uma narração diferente, nova e com a cara do Fifa. O público no Brasil é descontraído e a nossa narração sempre foi muito clássica, similar à que os europeus estão acostumados. Aqui, a dinâmica tinha que ser diferente. A escolha do Tiago acabou sendo um casamento perfeito, já que ele entende de futebol e videogame. Vendo o resultado do trabalho tenho certeza que, embora arriscada, nossa aposta foi perfeita. O Tiago fala para o gamer e destaca detalhes sobre o jogo que ninguém repara durante uma partida na TV. Deu certo desta vez e dará ainda mais certo nos próximos anos.


Por que alguns times brasileiros só estarão disponíveis a partir de uma atualização? Temos um departamento que só trabalha com licenciamentos, mas o futebol é um dos casos mais complicados. Para licenciar um time, a equipe da EA precisa negociar com centenas de parceiros diferentes. No caso do hockey ou do basquete, onde você tem ligas, como a NHL (National Hockey League, nos Estados Unidos e Canadá) ou a NBA (National Basketball Association, dos EUA), é mais simples negociar e fechar contratos. Neste ano, começamos desde muito cedo a conversar com todos os times, mas esse é um processo pouco ágil. Saímos com dez clubes da primeira divisão no disco e estamos preparando uma atualização que vai responder aos anseios dos consumidores.

Qual a expectativa da Electronic Arts para o Fifa 13 no Brasil? O Fifa evoluiu muito e está em um ponto em que consegue atender um público mais abrangente. Com certeza, uma de nossas grandes vantagens é justamente ter a essência do que é participar de uma partida de futebol. Vários de nossos modos de jogo tentam reproduzir a emoção de participar de um clube: isso, obviamente, chama mais atenção das pessoas que são amantes de futebol. Nosso nicho é bem definido historicamente. De qualquer forma, especialmente neste ano, decidimos incluir no game funcionalidades direcionadas para o público casual. Diante da constatação de que algumas pessoas acham o Fifa difícil, introduzimos uma nova ferramenta, cujo objetivo é ensinar aos jogadores iniciantes as mecânicas básicas do Fifa em situações controladas.

O jogo privilegia os modos on-line. Esse é um recurso importante para um jogo de futebol? Observamos que o público brasileiro gosta desse tipo de disputa. Alguns dos líderes nessas categorias on-line são brasileiros. No ano passado, no Fifa Interactive World Cup, um campeonato mundial organizado pela Fifa, na Suíça, dois finalistas eram daqui. O povo brasileiro gosta de competir on-line e, por isso, investimos muito nesses recursos. Somos o único game de futebol onde é possível jogar “onze contra onze”, cada um controlando um jogador diferente.

Como foi concebida a trilha sonora do Fifa 13? Temos um time de desenvolvimento e produção com gente do mundo inteiro. Como futebol é um esporte popular em vários países, nossa equipe lá na EA Canadá, em Vancouver, é bastante diversificada. Um escritório em Los Angeles faz a pré-seleção das músicas e uma das produtoras é especializada em Fifa. Em seguida, eles nos enviam essa lista e ela é compartilhada entre os produtores e desenvolvedores. Todo mundo pode sugerir outros artistas. Eu adoro a trilha e tenho todas as músicas desde Fifa 2008 no meu iPod. Conheci muitas bandas novas por causa do jogo.

Quantos brasileiros trabalham na equipe do Fifa? No time principal de desenvolvimento, se não contarmos o pessoal que está no Brasil fazendo coleta de dados, sou apenas eu. Alguns outros brasileiros trabalham no mesmo estúdio, em outros projetos. Temos ainda alguns sul-americanos. Um dos nossos produtores se chama Sebastian Enrique. Ele é um desenvolvedor argentino que trabalhou no Brasil e foi para a EA Canadá.

Qual foi o seu papel no projeto Fifa 13? Sou produtor da área de renderização e apresentação. Toda a parte gráfica do jogo passa pelo meu crivo. O papel do produtor é cuidar do design e pensar novas funcionalidades. Após o lançamento, avaliamos o que existe no mundo do futebol e que ainda não está no game. A ideia é transformar essa experiência em algo mais realista. Neste ano, por exemplo, investimos no domínio da bola. Sentimos que nas edições anteriores os jogadores tinham um domínio muito fácil, o que na realidade é diferente. Todo os membros da equipe jogam futebol: mantemos até um campo no estúdio, onde nos divertimos e também trabalhamos.

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