Brasileiros são estudantes aplicados de línguas. Mas os argentinos se saem melhor

Confira os hábitos e o desempenho dos usuários do Duolingo, plataforma de idiomas com 110 milhões de adeptos no mundo — 12 milhões no Brasil

Os brasileiros, em geral, têm pouco domínio do inglês e de outros idiomas estrangeiros (sem falar nos tropeços com a língua materna). Mas estão se esforçando. Usuários assíduos da plataforma gratuita de aprendizado Duolingo – são 12 milhões no universo de mais de 110 milhões de usuários no mundo -, já formamos o segundo maior grupo de uma só nacionalidade no serviço. À nossa frente, apenas os Estados Unidos.

Leia mais:

Que nota os brasileiros dão para o transporte coletivo?

Duolingo: por que o Google investe na máquina que ensina?

Oito em cada dez brasileiros que estão na plataforma estudam inglês. É uma parcela ligeiramente superior à registrada entre nossos vizinhos latino-americanos e bastante maior do que a média global (54,9%). Somos esforçados. Na comparação com usuários dos mesmos territórios, os brasileiros são os estudantes que realizam diariamente mais “unidades”, como é chamada, no Duolingo, uma sequência de exercícios que trata de um tema. (confira os detalhes na tabela abaixo)

Os brasileiros também usam a ferramenta com mais frequência (2,6 dias por semana, em média) do que americanos e latino-americanos. Mas são ultrapassados por argentinos e pela média global (2,7, cada um). Por pouco.

O que os dados contam Duolingo

O que os dados contam Duolingo (VEJA)

Apesar do esforço, a meticulosa engrenagem de inteligência do Duolingo revela as dificuldades. Por exemplo: menos de 5% dos brasileiros usam a interface da plataforma em língua inglesa – o que já seria um exercício em si. O valor é ligeiramente superior na Argentina. A média mundial é de quase 40%, certamente puxada para cima pela participação dos americanos: quase 80% deles usam a plataforma em inglês. O desempenho brasileiro nos exercícios (chamados “desafios”) propostos também fica abaixo – mas bem pouco, como mostra a tabela.

Numericamente, o público brasileiro avança na plataforma. “A cada mês, cresce a taxa de brasileiros que chega ao serviço. Estamos felizes de ter vocês por aqui”, diz o israelense Itai Hass, engenheiro de software do Duolingo responsável pela consolidação dos dados apresentados nesta reportagem. “Já oferecemos mais de 50 cursos de línguas. Em breve, chegarão outros.”

Mais serviços – Nesta segunda-feira, a plataforma anunciou uma parceria com o Uber, que permitirá que usuários do app de transporte privado solicitem um carro com motorista que fale o inglês. O recurso vai valer para o Rio de Janeiro. Na outra ponta, os motoristas estão aprimorando a fluência no idioma a partir da plataforma de línguas e poderão obter o certificado de proficiência fornecido pelo próprio Duolingo. Mais de 1.400 motoristas brasileiros já estão inscritos no programa.

“Em um país com questões sérias de segurança como o Brasil, aprimorar a comunicação entre passageiros e motoristas certamente permitirá que os visitantes estrangeiros usufruam melhor sua estada no país. E o recurso chegará a tempo para o Carnaval”, diz Gina Gotthilf, vice-presidente de comunicações e desenvolvimento internacional da startup americana.

Na próxima edição, a série “O que os dados contam” vai trazer informações exclusivas do serviço MaxMilhas, market place de milhas aéreas