‘Terapia do ovo’ pode ajudar a tratar crianças alérgicas ao alimento

Dar doses cada vez maiores de ovo a jovens com alergia pode aumentar a tolerância ao ingrediente ou até eliminar completamente esses sintomas

Dar a crianças que têm alergia a ovo doses crescentes do alimento pode ajudar a tratar o problema, concluíram pesquisadores do Centro para Criança da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. Em um estudo publicado no periódico The New England Journal of Medicine, esses especialistas mostraram que o método é capaz de amenizar ou até eliminar as reações adversas apresentadas pela maioria desses jovens. Isso não quer dizer, porém que esse tratamento possa ser aplicado no dia-a-dia a partir de agora – para isso, são necessárias mais pesquisas.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Oral Immunotherapy for Treatment of Egg Allergy in Children

Onde foi divulgada: periódico The New England Journal of Medicine

Quem fez: Wesley Burks, Stacie Jones, Robert Wood, David Fleischer, Scott Sicherer, Robert Lindblad, Donald Stablein, Alice Henning, Brian Vickery, Andrew Liu, Amy Scurlock, Wayne Shreffler, Marshall Plaut, e Hugh Sampson

Instituição: Centro para Criança da Universidade Johns Hopkins, Estados Unidos.

Dados de amostragem: 55 crianças de cinco a onze anos com alergia a ovo

Resultado: A imunoterapia oral aplicada em crianças alérgicas a ovo – ou seja, dar a elas doses crescentes do alimento – reduz ou até elimina as reações adversas na maioria delas

Essa abordagem é a chamada imunoterapia oral, que consiste em, com o tempo, condicionar o sistema imunológico de uma pessoa alérgica a tolerar determinados ingredientes sem que ela apresente sintomas graves. Outros estudos menores já haviam mostrado que o método pode ser eficaz no tratamento de indivíduos que sofrem do problema, mas com outros tipos de comida, como amendoim e leite.

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Participaram da pesquisa 55 crianças de cinco a onze anos de idade que apresentavam alergia a ovo. Ao longo de dez meses, 40 participantes receberam quantidades crescentes de clara de ovo e o restante, doses de placebo. Segundo o estudo, 35 dos participantes que passaram pelo tratamento apresentaram melhoras em relação às reações alérgicas – sendo que 11 deles mostraram uma eliminação completa desses sintomas e o restante passou a ser capaz de tolerar quantidades maiores do alimento sem demonstrar sintomas. As outras cinco crianças deixaram de participar da pesquisa por conta de reações alérgicas relacionadas ao tratamento. Os jovens do grupo do placebo não tiveram melhora.

Os pesquisadores afirmam que, embora nem todas as crianças que passaram pelo tratamento tenham sido curadas, o fato de elas terem desenvolvido uma maior tolerância ao alimento ao qual são alérgicas já melhora de maneira significativa a qualidade de vida desses pacientes. Isso porque uma resistência maior previne contra reações alérgicas sérias decorrentes da exposição acidental aos ingredientes, situações que costumam acontecer em restaurantes e festas, por exemplo, quando o indivíduo não controla a maneira pela qual a comida foi preparada.