Stress não diminui sucesso da reprodução assistida

Dados comparativos mostram que o sucesso do procedimento não tem relação direta com o estado emocional da mulher

“Mulheres em tratamento que não engravidam cedo se culpam por estarem estressadas e, quanto mais longo é o tratamento, mais elas ficam estressadas. Isso apenas reforça um mito”

Jacky Boivin, psicóloga da Universidade de Cardiff

Até hoje, acreditava-se que o stress emocional fosse um entrave ao sucesso da fertilização in vitro. Segundo um estudo publicado no periódico British Medical Journal por pesquisadores da Universidade de Cardiff, da Grã-Bretanha, o stress não exerce influência alguma nas chances da mulher engravidar por este método.

“Mulheres em tratamento que não engravidam cedo se culpam por estarem estressadas e, quanto mais longo é o tratamento, mais elas ficam estressadas. Isso serve apenas para reforçar o mito”, diz a psicóloga Jacky Boivin, coordenadora do estudo. Mas, para a especialista, apesar de o stress não ser fator de insucesso da fertilização, ele é uma condição que deve ser levada em consideração. “O stress pode fazer com que a mulher desista de continuar o tratamento. Esse é um sentimento que não pode ser ignorado”, diz.

Para chegar aos resultados, foi realizada uma releitura em 14 estudos previamente publicados que examinavam os níveis de stress da mulher antes e durante o primeiro ciclo do tratamento de fertilização. Para medir o grau de stress, foram observadas características como tensão, ansiedade e depressão.

Ao final, os pesquisadores perceberam que estar ou não estressada não representava uma diferença significativa no resultado final do procedimento. Os dados mostraram que, comparativamente, o grupo de mulheres que não estavam estressadas e engravidaram e o grupo das que estavam estressadas e também engravidaram eram similares. Isso mostrou que o estado emocional das voluntárias não fez diferença para o sucesso da fertilização.