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Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular lança novas diretrizes sobre tratamento de varizes

Normas deverão padronizar tratamento para a doença, que pode afetar até 50% das mulheres e 37% dos homens

Nesta terça-feira, a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) apresentou suas novas diretrizes sobre os tratamentos de varizes, doença que, segundo estimativas, afeta ou vai afetar até o final da vida 50% das mulheres e 37% dos homens no Brasil. Trata-se de um conjunto de normas que deve orientar os médicos no atendimento de pacientes com esse tipo de problema. As diretrizes foram apresentadas no 39º Congresso Brasileiro de Angiologia e de Cirurgia Vascular, que vai até sábado, em São Paulo.

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VARIZES

São veias superficiais da pele dilatadas de maneira anormal. As veias se alongam e se alargam. Podem provocar dor e sensação de pernas cansadas. Se não tratadas, podem desenvolver dermatite, inflamação na veia ou hemorragias. Os sintomas aparecem antes de serem visíveis, com os inchaços. Mesmo se for eliminada ou tratada, não pode ser curada.

varizes varicosas

varizes varicosas (VEJA)

INSUFICIÊNCIA VENOSA PROFUNDA

É uma fase tardia da trombose venosa, que é a formação de coágulos de sangue nas veias profundas. Acontece quando o sangue vai até as pernas mas não volta ao coração de maneira adequada, podendo obstruir a veia.

As diretrizes envolvendo terapias de compressão elásticas, que são as meias indicadas para pacientes com varizes, já foram aprovadas pela Associação Médica Brasileira (AMB). Elas definem quem e como deve receitar a meia compressora, e quando e para qual finalidade ela deve ser usada.

O coordenador nacional das diretrizes da SBACV, o cirurgião Aldemar Araújo Castro, destaca a importância das normas: “Devemos deixar explícito para todos os médicos e também para a população a melhor forma de tratar o doente”, disse. Segundo ele, as “regras” foram feitas com base em perguntas feitas pela própria classe médica sobre os procedimentos envolvendo as doenças vasculares. “Devem colocar um ponto final nas divergências que existem entre profissionais ao tratar a doença.”

Diretrizes sobre terapia de compressão elástica

  1. • Somente o médico deve prescrever a meia ao paciente, levando em conta a medida da perna, compressão e modelo
  2. • O uso da meia elástica melhora significativamente os sintomas da insuficiência venosa, como dores e sensação de peso
  3. • O uso de meia elástica em gestantes melhora as dores provocadas pelas dilatações venosas, mas não impede o surgimento de novas varizes
  4. • O uso de meia elástica em pacientes que já tiveram trombose venosa é recomendado e reduz incidência de problemas decorrentes da doença
  5. • Não usar a compressão pode aumentar a recorrência de úlceras por insuficiência venosa
  6. • Usar meias elásticas diariamente após três semanas de uma escleroterapia (a maneira mais comum de eliminar pequenos vasos, feita por meio de injeções) melhora o resultado do tratamento

Essas novas diretrizes e o restante dos trabalhos que serão apresentados durante a semana no congresso, entretanto, não trazem tratamentos inéditos para varizes. “Nosso foco é mapear tudo o que vem sendo falado sobre as técnicas que estão disponíveis para os médicos, tanto as clínicas quanto as cirúrgicas, para depois propormos pesquisas no sentido de novos tratamentos”, diz Castro.

É importante ressaltar que o uso das meias de compressão não evita o aparecimento de varizes, somente diminui a dor e o inchaço característicos da doença. Segundo a SBACV, para evitar o aparecimento de varizes é preciso – além de seguir os mesmo hábitos recomendados para a prevenção de doenças cardíacas, como perder peso, não fumar e praticar exercícios – evitar ficar em pé ou sentado por muito tempo, não usar cintas abdominais apertadas e, se possível, não tomar hormônios anticoncepcionais .

Qual o melhor tipo de cirurgia? – Apesar de ainda não terem sido concretizadas, as diretrizes sobre as terapias cirúrgicas para o tratamento de varizes nas pernas também foram apresentadas. Os especialistas fizeram a comparação entre tratamentos clínicos (meia elástica, medicamentos, alimentação correta e prática de exercícios físicos), cirúrgicos (laser, radiofrequência, tratamento endovascular ou cirúrgico aberto e escleroterapia com espuma) e também entre os tipos de cirurgia entre si, na busca da conclusão de qual é o melhor.

Embora demonstrado que são melhores para os pacientes do que os clínicos, nenhum processo cirúrgico se mostrou superior ao outro. “Todos são eficiêntes para tratar as varizes e nenhuma terapia, clínica ou cirúrgica, resolve sozinha os problemas”, explica José Aderval Aragão, angiologista e coordenador das diretrizes sobre tais tratamentos. Para o médico, os profissionais devem decidir a melhor técnica baseados em fatores como: questões fisiológicas, preferências pessoais e disponibilidade financeira, já que alguns procedimentos não chegam ao SUS e são mais caros do que outros.