OMS: 1 bilhão de pessoas ainda vivem sem banheiro

Falta de acesso a sanitários eleva o risco de propagação de doenças, a exemplo da epidemia de ebola em países da África

Cerca de 1 bilhão de pessoas ainda não têm acesso a sanitários, o que representa um risco potencial para a propagação de doenças, como demonstrou a disseminação do vírus do ebola. O dado é do relatório Glaas, divulgado nesta quarta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Publicado a cada dois anos, o documento avalia o acesso à água e a sanitários com base em informações de 94 países e 23 agências.

Das pessoas que não têm banheiro, 825 milhões se concentram em apenas dez países, cinco deles na Ásia, sendo que a Índia aparece na liderança, com 597 milhões de pessoas, seguida de Indonésia, Paquistão, Nepal e China (10 milhões). Na África, a Nigéria lidera o ranking com 39 milhões de pessoas. Completam a lista Etiópia, Sudão, Níger e Moçambique (10 milhões).

De acordo com o documento, na Nigéria tem havido apelos para que a população evite a prática de defecar ao ar livre pelo temor de que o ebola se propague pelos fluidos humanos. Na Libéria, o país mais afetado pela epidemia, cerca da metade dos 4,2 milhões de habitantes não utilizam sanitários. Em Serra Leoa, outro país castigado pelo vírus, estima-se que 28% dos indivíduos não tenham banheiro em casa.

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Na África subsaariana, onde 25% dos habitantes defecam ao ar livre, estimativas indicam que uma criança morre a cada 2 minutos e meio, após ingerir água não potável ou como consequência da falta de sanitários e de higiene.

Embora tenha havido progressos no acesso à água potável e aos sanitários, o documento destacou que “a falta de financiamento continua a limitar estes avanços”. “Nós não sabemos ainda qual será a agenda para o desenvolvimento sustentável após 2015, mas a água e os sanitários devem ser prioridades claras, se quisermos criar um futuro que permita que todos se beneficiem de uma vida sadia, digna e próspera”, afirmou, durante a apresentação do informe, Michel Jarraud, encarregado de água na ONU e secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

(Com AFP)