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Mortes por gripe H1N1 foram subnotificadas, aponta estudo

Por Mariana Lenharo

São Paulo – A influenza H1N1, ou gripe suína, pode ter matado entre 2009 e 2010 no mundo, durante a pandemia, até 15 vezes mais do que apontaram os dados oficiais. Essa é a conclusão de um estudo divulgado ontem pelo periódico científico The Lancet Infectious Diseases. Os números chamam a atenção porque o total de óbitos provocados pela doença voltou a crescer no País neste ano.

No mundo inteiro, foram reportadas 18.500 mortes comprovadamente relacionadas à doença entre abril de 2009 e agosto de 2010. Nesse período, a Organização Mundial da Saúde solicitou que os países reportassem a ela todos os casos. O que os especialistas do Centro de Controle e Prevenção de doenças do governo dos EUA concluíram é que o vírus H1N1 pode ter sido responsável, na verdade, por cerca de 284.500 mortes – 201.200 devido a problemas respiratórios e 83.300 ligadas a eventos cardiovasculares.

Para chegar a esses números, os autores avaliaram a taxa de pacientes diagnosticados por testes de laboratório com a gripe H1N1 naquele período, em 12 países, incluindo representantes de baixa, média e alta renda. Em seguida, analisaram a taxa de letalidade entre os pacientes diagnosticados em cinco países de alta renda. Depois, multiplicaram a taxa geral de infecções por H1N1 pela taxa de letalidade dos países mais desenvolvidos.

Os americanos trabalharam com a ideia de que, nos países mais ricos, os dados são mais precisos em relação aos números das demais nações. Além disso, nos países menos desenvolvidos o risco de morrer por H1N1 tende a ser mais alto, pois a demora para receber o diagnóstico costuma ser maior.

Para o infectologista André Villela Lomar, da Sociedade Brasileira de Infectologia, essa discrepância entre os números oficiais e os números do estudo se deve, em parte, ao fato de que muitos pacientes estavam internados em unidades que não tinham acesso a exames laboratoriais para confirmar a presença do H1N1. �O método laboratorial também não é perfeito. Depende do tempo em que o paciente chega no hospital e da maneira como o material é coletado�.

Para a infectologista Nancy Bellei, professora da Unifesp e membro da Sociedade Paulista de Infectologia, naquela primeira onda pandêmica, a maior parte dos serviços não conseguia fazer o diagnóstico. As informações são do Jornal da Tarde.

Mariana Lenharo