Morre Donnall Thomas, ‘pai do transplante de medula óssea’

Médico americano, ganhador do prêmio Nobel em 1990, morreu em Seattle, aos 92 anos

Morreu neste sábado, aos 92 anos, o médico americano Donnall Thomas, considerado o ‘pai do transplante de medula óssea’. Thomas ficou conhecido por ter sido pioneiro no uso do transplante para curar leucemias e outros cânceres no sangue, trabalho pelo qual foi agraciado com o prêmio Nobel de medicina em 1990. O falecimento foi anunciado pelo Centro para Pesquisa em Câncer Fred Hutchinson, instituição em Seattle da qual o médico foi diretor e fez parte até 2002, quando se aposentou.

O trabalho do médico em torno do transplante de medula óssea é um dos mais bem sucedidos no tratamento contra o câncer. Segundo a nota da instituição americana, o procedimento, junto a sua ‘terapia irmã’, o transplante de células-tronco sanguíneas, aumentou as taxas de sobrevivência de certos tipos de cânceres de zero para 90%. Neste ano, cerca de 60.000 transplantes do tipo serão realizados em todo o mundo, de acordo com o centro Fred Hutchinson.

Segundo a agência Associated Press, um porta-voz da instituição afirmou que o motivo da morte de Thomas, que era casado e tinha três filhos, foi doença cardíaca. Ele morreu em Seattle, nos Estados Unidos.

Histórico – Donnall Thomas realizou o primeiro transplante de medula óssea em humanos em 1956. No ano seguinte, o relato do procedimento foi publicado na revista The New England Journal of Medicine. No entanto, somente quase 20 anos após a publicação o transplante passou a ser uma terapia aceita.

Durante esse tempo, o médico, junto a um pequeno grupo de pesquisadores, incluindo sua esposa, Dottie, trabalhou insistentemente para provar que o transplante de medula óssea pode salvar pacientes com leucemia. “Eu já disse no passado que eu tenho dois atributos: um é que eu sou teimoso para continuar fazendo isso e outro é que eu costumo atrair algumas boas pessoas para trabalhar comigo”, disse Thomas em uma entrevista concedida em 2006.

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