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Médicos cubanos dizem que vieram ao Brasil para ajudar

O grupo participou de entrevista no Aeroporto dos Guararapes, em Recife, mas se recusou a falar sobre salários. Governo brasileiro pagará 10 mil reais

Os primeiros médicos cubanos que chegaram ao Brasil dizem que vieram para ajudar. O grupo, que deu entrevista coletiva nesta sábado no Aeroporto dos Guararapes, em Recife, se esquivou das perguntas sobre salários e benefícios. Informações, não confirmadas, indicam que os profissionais contratados por meio de convênio com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) só irão receber um porcentual de 25% a 40% do salário de R$ 10 mil, que será pago pelo governo brasileiro.

“Nossa motivação é a solidariedade. Viemos para ajudar, colaborar, complementar com os médicos brasileiros”, desconversou Milagros Cardenas Lopes, 61. “O salário é suficiente”, complementou Natasha Romero Sanches, 44.

Os médicos saíram de Havana em um voo fretado, que trouxe os primeiros 200 cubanos para trabalhar nos 701 municípios que não despertaram interesse de profissionais brasileiros do Programa Mais Médicos.

Na entrevista, eles informaram que todos são especialistas em saúde da família e têm experiência de ajuda em outros países como Haiti, Venezuela, Paquistão, Guatemala e Honduras.

“Nossas famílias estão seguras, com o necessário para viver”, disse Natasha Romero Sanchez. “Nós nos formamos com base na solidariedade e no humanismo”, acrescentou ao falar da alegria de estar no Brasil e poder “colaborar com o SUS”.

Eles tentaram minimizar a rejeição da classe médica brasileira, que critica, entre outras coisas, a falta de um exame para validar os diplomas dos estrangeiros no Brasil. “Viemos aprender com nossos colegas e poder ajudar o povo pobre que sofre com carência de atenção médica primária adequada”.

Neste sábado, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, criticou as ações judiciais que vêm sendo movidas contra o Programa Mais Médicos. Padilha reafirmou que o governo federal não vai recuar. Na sexta-feira, a Associação Médica Brasileira (AMB) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) entraram com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender o programa e afirmaram que vão orientar os profissionais brasileiros a não socorrer erros cometidos por médicos cubanos.

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