Medalha olímpica garante três anos a mais de vida

Segundo nova pesquisa, sobrevida ocorre independentemente da intensidade do esporte praticado. No entanto, em atividades com muito contato físico e colisões, risco de mortalidade pode aumentar

Ganhar uma medalha olímpica – independentemente se é de ouro, prata ou bronze – pode significar quase três anos a mais de vida em comparação com a longevidade média da população. Engana-se, porém, quem pensa que essa maior sobrevivência se deve aos exercícios intensos e rotinas de treinos físicos e de resistência extremamente exigentes. Segundo pesquisadores australianos, o benefício vale, por exemplo, tanto para ciclistas quanto jogadores de golfe. Ou seja, também não depende da intensidade do exercício – o que vale é conquistar uma medalha.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Mortality in former Olympic athletes: retrospective cohort analysis e Survival of the fittest: retrospective cohort study of the longevity of Olympic medallists in the modern era

Onde foi divulgada: revista British Medical Journal (BMJ)

Quem fez: Philip Clarke, coordenador do primeiro estudo, e Frouke Engelaer, coordenador da outra pesquisa

Instituição: Universidades de Melbourne, na Austrália, e de Leiden, na Holanda

Dados de amostragem: 25.063 atletas que participaram de alguma olimpíada

Resultado: Medalhistas olímpicos vivem três anos a mais do que a população em geral de seu país independentemente do esporte que praticam

Esses achados fazem parte de um estudo da Universidade de Melbourne, na Austrália, publicado nesta quinta-feira no periódico British Medical Journal (BMJ). No estudo, os pesquisadores compararam a expectativa de vida de mais de 15.000 atletas olímpicos que haviam ganhado alguma medalha entre 1896, anos das primeiras Olimpíadas, em Atenas (Grécia), e 2010, ano das Olimpíadas de Inverno de Vancouver (Canadá), com a da população de seus países.

Após ajustarem os resultados para idade, sexo e nacionalidade, os autores observaram que os medalhistas viviam, em média, 2,8 anos a mais do que os seus compatriotas, independentemente do tipo da medalha, do país e da intensidade do esporte praticado. Portanto, os resultados foram o mesmo para praticantes de atividades leves (como o golfe, que foi esporte olímpico até 1904 e voltará em 2016, no Rio de Janeiro), moderada (como tênis) e intensa (ciclismo ou remo, por exemplo).

Segundo os autores, o foco do trabalho não foi entender os motivos pelos quais os medalhistas olímpicos vivem mais, mas sim quantificar tal sobrevida. Porém, eles acreditam que isso possa ter relação com fatores genéticos, com a prática frequente de atividade física e com o fato de atletas serem, em geral, mais saudáveis. Eles se alimentam melhor e apresentam uma condição cardiovascular mais saudável, por exemplo.

Efeito adverso – No entanto, há um grupo específico de esportes que pode surtir efeito contrário, ou seja, elevar o risco de morte. Foi o que mostrou uma pesquisa feita Universidade de Leiden, na Holanda, publicada nessa mesma edição do BMJ. Segundo o estudo, que olhou para 9.889 ex-atletas que participaram de ao menos uma olimpíada, atividades caracterizadas por muito contato físico e colisão, como boxe e rúgbi, por exemplo, elevam o risco de morte na vida adulta em até 11%. Para os autores, a maior mortalidade é um reflexo do efeito dessas colisões e lesões a longo prazo.

Em um editorial que acompanhou o estudo, especialistas afirmaram que qualquer pessoa pode obter a vantagem na sobrevida dos atletas olímpicos, “basta seguir as recomendações diárias de atividade física.” O texto foi escrito por Adrian Bauman e Steve Blair, respectivamente professores da Universidade de Sidney, na Austrália, e da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos. Para eles, praticar ao menos 150 minutos por semana de algum exercício moderado ou intenso já aumenta em, ao menos, um ano a expectativa de vida em relação à média da população em geral.