Idade impacta no sucesso de tratamento de fertilidade

Um estudo mostrou que 71% das mulheres conseguirão engravidar em até 5 anos, mas as chances de sucesso estão diretamente relacionadas à idade da paciente

A maioria das mulheres que passa por algum tratamento de fertilidade – fertilização in vitro (FIV) ou inseminação intrauterina (IIU) – consegue engravidar em até cinco anos. Entretanto, de acordo com um estudo apresentado durante o encontro anual da Sociedade Europeia de Embriologia e Reprodução Humana, realizada em Helsinki, na Finlândia, a idade ainda é um fator importante para determinar o sucesso do procedimento.

Pesquisadores do Hospital Universitário de Copenhague, na Dinamarca, acompanharam 19.884 mulheres desde o início do tratamento de fertilidade até cinco anos depois, para acompanhar as taxas de nascimento. Os resultados mostraram que mais da metade das mulheres teve um bebê dentro de dois anos após o início do tratamento. Dentro de três anos, 65% das mulheres tinham dado à luz, e essa taxa chegou aos 71% em cinco anos.

O estudo também confirmou o que os especialistas já sabiam: as chances de sucesso do tratamento estavam fortemente relacionadas à idade. Enquanto 80% das mulheres com idade inferior a 35 anos tiveram um bebê dentro de cinco anos, naquelas entre 35 e 40 anos, esse número caiu para pouco mais de 60%. Entre as pacientes com mais de 40 anos, apenas 26% tiveram um bebê no mesmo período.

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Segundo especialistas, a chance de uma gravidez natural antes do 30 anos, no auge da juventude, é de 30% – com ajuda da medicina é de 60%. Mas, com o passar da idade, a queda na fertilidade cai vertiginosamente, inclusive por métodos artificiais. Aos 40 anos, a chance natural é de 10% e, com tratamento, de no máximo 20%.

“A maioria das causas de infertilidade pode ser superada, mas a idade é o fator mais importante para prever se os tratamentos serão bem sucedidos ou não.”, disse Sara Malchau, uma das autoras, à rede britânica BBC. Segundo ela, outros fatores que influenciaram o sucesso do tratamento foram índice de massa corporal e tabagismo. “As mulheres com IMC abaixo de 30 também tiveram melhores resultados, bem como as que não fumam.”, completou.

Em relação ao método escolhido, a fertilização in vitro mostrou-se mais eficiente: 42% das mulheres que fizeram FIV engravidaram em até dois anos, contra 34% daquelas que optaram pela inseminação intra-uterina. O estudo também constatou que a ocorrência de gravidez espontânea é comum nas mulheres que iniciam algum tratamento de fertilidade: 14% conseguiram conceber seu filho naturalmente. Novamente, este tipo de gravidez foi mais comum em mulheres com menos de 35 anos que realizaram uma inseminação intra-uterina (IIU).

FIV versus IIU — A fertilização in vitro (FIV) consiste basicamente na fecundação do óvulo em laboratório que irá formar o embrião. As chances desse método são maiores do que as naturais porque permite a extração de 1 a 3 óvulos do organismo da mulher antes da inseminação. No método natural, a mulher libera apenas um óvulo por mês. Além disso, com o passar do tempo, tanto a quantidade como a qualidade dos óvulos caem exponencialmente.

Já a  inseminação interauterina (IIU) consiste na deposição de espermatozoides previamente selecionados no interior da cavidade uterina, por meio de um cateter apropriado. Deve ser feita quando há ovulação natural ou induzida – realizada para  aumentar a probabilidade de fecundação.

Congelamento de óvulos — Uma saída apontada pelos especialistas para solucionar o problema relacionado à idade da mulher é o congelamento de óvulos (que, neste caso, deveria ser feito até por volta dos 30 anos). A técnica consiste em coletar óvulos e congelá-los por meio de um processo de esfriamento rápido, em no máximo cinco minutos, conhecido como vitrificação, que mantém as células intactas e aumenta a taxa de aproveitamento para mais de 90%, já que os óvulos mantêm as características da idade em que foram conservados.

Comentários

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  1. Então conheço um fenômeno. Ela com 53 anos, na primeira tentativa engravidou de gêmeos que nasceram fortes e saudáveis e hoje são pré-adolescentes.

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