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Frutose pode estar ligada ao aumento do apetite, diz estudo

Pesquisa mostrou que, ao contrário da glicose, esse tipo de açúcar não reduz a atividade cerebral ligada ao controle da fome quando é ingerido

A frutose, açúcar frequentemente utilizado como adoçante em alimentos industrializados, parece estimular regiões do cérebro ligadas à fome, em vez de aumentar a saciedade, como ocorre com a ingestão de glicose. Essa é a conclusão de um estudo que buscou entender de que maneira o consumo de açúcar está associado ao ganho de peso. A pesquisa, feita na Universidade Yale, nos Estados Unidos, foi publicada nesta quarta-feira no periódico The Journal of The American Association (JAMA).

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FRUTOSE

Açúcar obtido de frutas, mel, de alguns cereais e vegetais e do xarope de milho. A frutose é metabolizada diretamente no fígado, não precisando de insulina para sua quebra primária. Por ter um gosto mais doce, vem sendo usada como adoçante em alimentos industrializados. Seu consumo excessivo pode sobrecarregar o fígado, levando ao acúmulo de gordura no órgão e à hepatite não-alcoólica.

No estudo, 20 adultos saudáveis com idade média de 31 anos passaram por dois exames de ressonância magnética – um após ingerirem, em jejum, uma bebida adocicada com glicose e outro, após tomarem uma bebida contendo frutose. De acordo com os resultados, a ingestão de glicose reduz a atividade do hipotálamo, área do cérebro ligada ao controle do apetite, mandando a mensagem de que aquele consumo de calorias foi o suficiente e provocando saciedade. Essa diminuição não ocorreu, porém, quando os participantes ingeriram a frutose e, em alguns casos, a atividade do hipotálamo aumentou.

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A frutose, portanto, não provoca saciedade e pode até aumentar a fome, segundo as conclusões da pesquisa. Sabe-se que esse açúcar, que tem um sabor mais doce do que a glicose, como é metabolizado diretamente no fígado, sem passar pela quebra primária feita pela insulina, pode sobrecarregar o órgão e causar doenças. “O consumo desse açúcar também pode provocar resistência à insulina e aumentar o risco de diabetes”, escrevem os autores. Para eles, se os resultados desse estudo forem confirmados, eles reforçarão a ideia de que boa parte da epidemia de obesidade que o mundo vive hoje se deve ao consumo elevado de alimentos com esse açúcar.