EUA: casos de AVC caíram 50% desde a década de 1980

Taxa de mortalidade por derrame cerebral também está menor, principalmente em pessoas com menos de 65 anos, devido ao controle de fatores de risco

A incidência de acidente vascular cerebral (AVC) entre os americanos caiu nas últimas duas décadas, assim como a taxa de mortalidade da doença. É o que aponta um estudo realizado na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e publicado nesta terça-feira no Journal of the American Medical Association (Jama).

Segundo a pesquisa, o número de pessoas que sofreram um derrame pela primeira vez nos Estados Unidos caiu 50% entre 1987 e 2011. Em relação às mortes subsequentes ao AVC, a queda foi de 40%.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Stroke Incidence and Mortality Trends in US Communities, 1987 to 2011​

Onde foi divulgada: Journal of the American Medical Association (Jama)​

Quem fez: Silvia Koton, Andrea Schneider, Wayne Rosamond, Eyal Shahar, Yingying Sang, Rebecca Gottesman e Josef Coresh

Instituição: Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos

Resultado: Entre 1987 e 2011, a taxa de AVC nos Estados Unidos caiu 50%. A taxa de mortalidade por derrame também caiu, especialmente entre pessoas de 45 a 64 anos.

O levantamento indicou que tal redução ocorreu especialmente em indivíduos com mais de 65 anos – entre aqueles de 45 a 64 anos, a prevalência de AVC permaneceu estável durante o período. A queda na taxa de mortalidade por derrame ao longo desses anos no país aconteceu principalmente entre pessoas com menos de 65 anos.

Na opinião dos pesquisadores, essa redução ocorreu devido ao maior controle de fatores de risco à saúde cardiovascular, que inclui prevenção à pressão alta, o fim do tabagismo e o uso de estatinas para diminuir o colesterol.

Melhoras – “Nós podemos nos parabenizar porque estamos indo bem, mas o AVC continua sendo a quarta causa de mortalidade nos Estados Unidos. Essa pesquisa aponta as áreas que precisam ser melhoradas”, diz Josef Coresh, professor de epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Johns Hopkins e um dos autores do estudo. Segundo ele, os especialistas devem focar em prevenir o derrame em pessoas com menos de 65 anos e diminuir a taxa de mortalidade por AVC entre maiores de 65.

“Ainda há muitos fatores que ameaçam aumentar a taxa de derrame cerebral novamente, e se nós não resolvermos esses problemas, as nossas conquistas podem ser perdidas”, afirma Coresh. Em sua opinião, uma das preocupações dos especialistas na área são as consequências da atual epidemia de obesidade, uma vez que o excesso de peso pode levar ao diabetes e à hipertensão, ambos fatores de risco para o AVC.

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Análise – A nova pesquisa se baseou nos dados de 15.792 americanos de 45 a 64 anos que começaram a ser acompanhados a partir de 1987 e até 2011. No início do estudo, nenhum deles havia sofrido um AVC. Durante esse período, 7% tiveram um derrame cerebral, sendo que 10% morreram um mês após o episódio e 21%, após um ano.

A cada década, a taxa de mortalidade por AVC diminuiu em oito óbitos a cada cem casos de derrame. Essa queda foi mais acentuada em pessoas com menos de 65 anos.

A enfermidade – As doenças cardiovasculares são as principais causas de morte no mundo e no Brasil. Entre as moléstias do sistema cardiovascular, a mais fatal aos brasileiros é o AVC: segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, cerca de 100.000 pessoas morreram devido à doença em 2011.

O estudo internacional Interstroke, realizado em 22 países, entre eles o Brasil, e publicado em 2010, mostrou que 90% dos casos de AVC são associados a fatores de risco evitáveis. São eles: hipertensão, diabetes, sedentarismo, colesterol alto, obesidade, tabagismo, abuso de álcool, problemas cardiovasculares e dietas ricas em gordura e em sal. Os outros 10% podem estar relacionados a fatores como genética e idade.