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Dieta britânica poderia salvar milhares de vidas da Grã-Bretanha

Com mais frutas e vegetais e menos gordura saturada, alimentação da Inglaterra é mais saudável do que na Escócia, no País de Gales e no norte da Irlanda

Cerca de 4.000 mortes poderiam ser prevenidas todos nos anos na Grã-Bretanha. Isso se a população da Escócia, do País de Gales e do norte da Irlanda adotassem uma dieta como a mantida pela Inglaterra – também Grã-Bretanha. De acordo com uma pesquisa publicada no BMJ Open, por consumirem mais frutas e vegetais e menos gorduras saturadas os ingleses morrem menos de doenças cardíacas e alguns cânceres do que seus vizinhos.

As taxas de mortalidade por doenças cardiovasculares e câncer são mais elevadas na Escócia, no País de Gales e ao norte da Irlanda, quando comparadas à Inglaterra. Já se sabe, no entanto, que essas doenças estão associadas a uma dieta rica em gordura saturada e sal e com baixo índice de fibras, frutas e vegetais.

Pesquisa – Os pesquisadores levantaram, então, dados sobre mortalidade por doença coronária, derrame e 10 cânceres associados como a alimentação, incluindo os de esôfago, intestino e estômago. Foi levantado ainda o consumo médio de 10 componentes da dieta – incluindo calorias. A pesquisa foi realizada nos quatros países da Grã-Bretanha e analisou dados de 2007 a 2009.

Os resultados mostraram que a população da Escócia e do norte da Irlanda, em geral, comem mais gordura saturada e sal e menos frutas e vegetais, quando comparados à população da Inglaterra. Já as diferenças de alimentação entre o país de Gales e a Inglaterra se tornaram menores nos três anos.

Em seguida, os pesquisadores calcularam as diferenças nas taxas de mortalidade que poderiam ser esperadas, caso houvesse uma mudança nos hábitos alimentares. Entre 2007 e 2009, morreram 22.000 pessoas a mais no País de Gales, na Escócia e no norte da Irlanda por doenças cardiovasculares e cânceres relacionados à dieta, quando comparado à Inglaterra. As maiores diferenças foram encontradas na Escócia.

Prevenção – Percebeu-se, então, que mais de 6.000 mortes nos três anos poderiam ter sido prevenidas ou prorrogada na Escócia – o equivalente a 40% da diferença de mortalidade com a Inglaterra -, apenas se a população mantivesse a mesma dieta do país vizinho. A redução na diferença de mortalidade, caso a dieta fosse alterada, foi ainda maior para o país de Gales e o norte da Irlanda, com 81%. Isso sugere que há outros fatores além dos alimentares contribuindo para a grande diferença encontrada na Escócia.

Ao todo, mais de 11.000 mortes poderiam ter sido prevenidas ou prorrogadas – cerca da metade das mortes ‘extras’ causadas por doenças cardiovasculares e cânceres relacionados à dieta. Diferenças no total calórico ingerido e no consumo de frutas e vegetais foram responsáveis por grande parte das variações nos índices de morte.

Segundo os autores, a alimentação sozinha não pode reduzir completamente essa diferença no número de mortes entre os países. O impacto de outros comportamentos de risco, como cigarro, bebidas alcoólicas e sedentarismo, também precisam ser levados em consideração.