Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Cresce o uso de preservativos entre jovens americanos

Levantamento com 5.865 pessoas, entre as quais 800 menores de 18 anos, conclui que jovens são mais responsáveis em relações ocasionais

Enquanto a maioria dos homens disse que tinha chegado ao orgasmo na última vez que fez sexo, e 85% acreditava que seu parceiro também, apenas dois terços das mulheres pesquisadas disseram que tinham chegado ao orgasmo na última relação sexual

Um amplo estudo sobre o comportamento sexual dos americanos com base na maior pesquisa nacional desde 1992, descobriu que o uso de preservativos está se tornando norma entre adolescentes sexualmente ativos.

Na verdade, eles são mais responsáveis do que os adultos, relatam os pesquisadores, no estudo que será divulgado nesta segunda-feira. A grande maioria dos sexualmente ativos entre 14 e 17 anos disse ter usado preservativo na última relação, em comparação com bem menos que a metade dos adultos envolvidos em relações casuais.

“Acho que assim como os adolescentes desenvolvem rapidamente a expectativa de que vão aprender a dirigir, não importa onde vivam”, disse o co-autor do estudo, J. Dennis Fortenberry, professor de pediatria na escola de medicina da Universidade de Indiana, “há o mesmo sentido comum entre adolescentes contemporâneos que, ao chegar ao ponto em que começam a pensar em ter relações sexuais, o preservativo faz parte dessa decisão”.

O novo estudo, o primeiro a incluir como participantes jovens de 14 anos e idosos de 94, descobriu que décadas depois da revolução sexual, as diferenças sobre satisfação sexual entre homens e mulheres permanece.

Enquanto a maioria dos homens disse que tinha chegado ao orgasmo na última vez que fez sexo, e 85% acreditava que seu parceiro também, apenas dois terços das mulheres pesquisadas disseram que tinham chegado ao orgasmo na última relação sexual. E um número surpreendente de mulheres – quase um terço – disseram ter experimentado dor na última vez que fez sexo (apenas 5% dos homens disseram a mesma coisa).

O relatório foi elaborado a partir da Pesquisa Nacional sobre Saúde Sexual e Comportamento, realizada por pesquisadores do Centro de Promoção da Saúde Sexual da Universidade de Indiana. Foi baseado em respostas de 5 865 pessoas, incluindo 800 menores de 18 anos.

O estudo foi bem recebido por profissionais de saúde e educadores sexuais, que dizem que o tema tem poucas informações, mesmo com monumentais mudanças sociais – o movimento pelo direito dos homossexuais, o aumento da coabitação, a demora em se casar e ter filhos, a epidemia de Aids e o amplo uso da internet e de drogas para a disfunção erétil, entre outros – que têm transformado as atitudes sexuais.

As agências governamentais e fundações privadas estão relutantes em pagar por estudos de comportamento sexual que não incidem sobre a reprodução, dizem especialistas. A última pesquisa nacional representativa, a Pesquisa Nacional de Saúde e Vida Social, de 1992, foi iniciada no âmbito do governo, mas o Congresso cortou o financiamento e ela foi completada com o apoio de fontes privadas.

“Houve uma enorme explosão de pesquisas em praticamente todas as áreas da medicina, exceto na chamada medicina sexual”, disse Irwin Goldstein, editor-chefe do The Journal of Sexual Medicine, que dedica toda sua edição atual a trabalhos feitos a partir do estudo, comentados por especialistas.

O novo estudo foi financiado pela Church & Dwight, o fabricante do preservativo Trojan. Os pesquisadores disseram que ainda que tivessem informações compartilhadas com o patrocinador durante o curso do estudo, a empresa não exerceu influência direta sobre como formular as perguntas para avaliar com precisão o uso de preservativos.

Mesmo que os americanos sejam bombardeados com imagens sexuais, têm pouco acesso a informações confiáveis sobre o comportamento sexual, disse Monica Rodriguez, presidente do SIECUS, o Conselho de Educação e Informação Sexual dos Estados Unidos, uma organização sem fins lucrativos com sede em Nova York. “Por isso esse estudo é tão importante – ele nos dá uma noção do que realmente está acontecendo, no lugar de ‘bem, minha vida sexual não deve ser normal, porque eu não gosto disso ou só gosto daquilo'”.

O estudo também constatou que, embora 7% dos homens e mulheres se identificassem como “outro, além de homossexual”, uma porcentagem muito maior relatou ter mantido relações sexuais com pessoas do mesmo sexo. Entre as mulheres de 30 anos, por exemplo, 14% disse que fez sexo oral com outra mulher em algum momento da vida; 13% dos homens com mais de 40 anos disseram ter feito sexo oral com outro homem.

Os adultos que usam preservativos nas relações sexuais classificaram sua excitação, prazer e orgasmo tão intensos como quando fazem sexo sem camisinha.