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Cão detecta bactéria que causa infecção hospitalar

Estudo mostra que cães podem ser treinados para identificar a presença da bactérias através do olfato, tanto em amostras de fezes quanto nos próprios pacientes

Pesquisadores na Holanda conseguiram treinar um cachorro para identificar através do olfato pacientes e amostras de fezes contaminadas pela bactéria Clostridium difficile, causadora de várias das infecções chamadas de ‘hospitalares’. A pesquisa foi publicada nesta quinta-feira, no periódico British Medical Journal (BMJ). Estudos anteriores haviam mostrado que cães podem detectar alguns tipos de câncer.

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CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Using a dog’s superior olfactory sensitivity to identify Clostridium difficile in stools and patients: proof of principle study

Onde foi divulgada: periódico British Medical Journal

Quem fez: Marije K Bomers, Michiel A van Agtmael, Hotsche Luik, Merk C van Veen, Christina M J E Vandenbroucke-Grauls e Yvo M Smulders

Resultado: O cão treinado identificou corretamente 50 amostras de fezes contaminadas pela bactéria (100% de sensibilidade) e 47 de 50 não contaminadas (94% de especificidade) entre 100 amostras. Dentre 300 pacientes, ele identificou corretamente 25 de 30 casos de contaminação (83% de sensibilidade) e 265 de 270 pessoas não contaminadas (98% de especificidade).

A Clostridium difficile pode desencadear sintomas que vão desde diarreia moderada até infecções intestinais que podem levar à morte. O diagnóstico precoce é importante não só para o tratamento, mas também para que novas infecções sejam evitadas. Porém, o diagnóstico atual é um procedimento caro e demorado, podendo levar até uma semana, tempo demais quando se trata de uma infecção que pode ser fatal.

Faro apurado – Cliff, um cachorro de raça beagle, de dois anos, foi treinado por um especialista para identificar a presença da bactéria em amostras de fezes e nos próprios pacientes. Quando encontra o odor específico, Cliff se senta ou deita.

O primeiro teste de Cliff, após dois meses de treinamento, foi realizado com amostras de fezes. De um total de 100 amostras, ele identificou corretamente 50 que estavam contaminadas (100% de sensibilidade) e 47 de 50 que não estavam (94% de especificidade).

Depois, Cliff foi levado a dois grandes hospitais, onde analisou 300 pacientes. Nessa etapa, ele identificou corretamente 25 de 30 casos de contaminação (83% de sensibilidade) e 265 de 270 pessoas não contaminadas (98% de especificidade).

Para os pesquisadores, algumas questões importantes ainda precisam ser estudadas, como descobrir o que o animal de fato fareja, se é uma quantidade elevada da bactéria, uma toxina ou um produto da bactéria, e também como ele reagiria a pacientes assintomáticos que carregam a variável tóxica da bactéria.

Além da possibilidade de treinar os cães para analisar os hospitais periodicamente, detectando novos casos de infecção por Clostridium difficile, os pesquisadores pretendem estudar como isso ocorre para desenvolver ‘narizes eletrônicos’, que poderiam desempenhar a mesma função, sem o tempo que leva para que um cão seja treinado.