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Edição
2032, 31 de outubro de 2007
Interdisciplinar
- Física, Matemática e História
O
poder das chaves
Discuta com a classe como esse dispositivo
de segurança se transformou com o tempo

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História e simbologia de apetrechos
de segurança


Examinar
e discutir a evolução das chaves
e fechaduras ao longo da história |
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As
novas tecnologias aplicadas às fechaduras, que constituem
o tema do Guia de VEJA, remetem às primitivas peças
criadas pelo homem para trancar suas portas. As primeiras
chaves de que se têm notícia surgiram, com sua
companheira inseparável, a fechadura, há cerca
de 4 mil anos, no Egito Antigo. Era algo um tanto diferente
do que estamos habituados a ver atualmente, mas quanto ao
princípio de funcionamento, a semelhança com
uma peça moderna Yale é notável. Mas
sem pagar royalties às múmias egípcias,
a patente industrial do dispositivo foi registrada como "invenção"
por Linus Yale, nos Estados Unidos.
Como dizia Antoine-Laurent de Lavoisier, na natureza nada
se cria, ao menos, devemos acrescentar, desde o Big Bang.
Essas questões deixam entrever que a reportagem permite
uma reflexão coletiva com a turma sobre aspectos históricos,
culturais e tecnológicos peculiares à espécie
humana.
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Reprodução |
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Randy Faris / Corbis / Latinstock |
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ENIGMAS
Da esq. para a dir.: chave rotatória
do século XII encontrada no Castelo de Conisbrough,
Inglaterra, e cadeado usado no século XVIII |
Atividades
1ª e 2ª aulas - Leia o texto com os alunos e, em seguida,
distribua cópias do quadro dessa página Entre
a Cobiça e o Poder. Isso vai ajudar a esquentar
o debate e dar uma idéia do tema a ser discutido. De
início, convide-os a refletir sobre a utilidade das chaves
em contraposição com a sua ausência, por
exemplo, entre os indígenas sul-americanos. Cuidado para
não serem levados à conclusão camarada
de que a chave é uma invenção capitalista,
criada por capitalistas, para defender o capitalismo. A história
mostra que não...
Faça um rápido passeio intelectual pela história
das chaves e das fechaduras, desde as simples trancas, usadas
ainda hoje em muitas localidades dos interior, até as
"moderníssimas" engenhocas eletrônicas
mostradas na reportagem. Nessa perspectiva, aborde também
a tranca egípcia, com travas de pinos móveis como
"segredo", a clavis dos antigos romanos, que também
lembra em muito a chave Yale atual, e a chave gorja, aquela
de dente único, muito usada até algumas décadas
atrás.
Assinale que a idéia da dupla também é
explorada nas histórias ficcionais, tanto literárias
como cinematográficas, onde elas têm o papel de
permitir o acesso a bens materiais como tesouros, remédios
e venenos; ou imaterial (conhecimento, caminhos etc).
Muitas vezes, a ficção atribui a povos primitivos
a capacidade de engendrar intrincados adereços com mecanismos
feitos com cipós, bambus, pedaços de madeiras
e pedras, contrariando o que conhecemos sobre os verdadeiros
povos antigos. Outras vezes, civilizações avançadíssimas
são imaginadas utilizando tecnologia rudimentar com aparatos
mecânicos para proteger e restringir acesso a seus segredos.
Proponha, se houver tempo disponível, que a turma pesquise
essas duas vertentes: a chave na história e na ficção.
Discuta com os meninos se as chaves usuais são de fato
modernas e eficientes. Será que não dispúnhamos
de tecnologia suficiente há 20 ou 30 anos para fazer
unidades eletrônicas? E as magnéticas, eram inconcebíveis
nos anos 1950? Então, por que a maioria dos mortais possui
exemplares Yale? O momento é propício para lembrar
à classe que a colocação de um produto
no mercado depende muito mais da maximização do
lucro de alguns, do que do total coletivo que ele possa trazer
à todos.
Em seguida, debata a questão da segurança e da
adequação dos diversos sistemas. Mostre as imagens
e o diagrama do cadeado ao lado. Comente com os adolescentes
que as trancas egípcias funcionavam de maneira semelhante
às chaves/fechadura Yale. Levante a questão das
patentes: será que as requeridas e registradas por Linus
Yale, nos Estados Unidos, realmente protegem a criação
intelectual? Será que o mundo teria, para ser justo,
que pagar royalties aos descendentes dos antigos egípcios?
E quanto às chaves eletrônicas atuais? Será
que elas representam de fato maior segurança à
maioria das pessoas? Por que apenas agora elas estão
disponíveis nos mercados?
Quanto à segurança, ressalte que com o uso de
"mixas", é possível abrir qualquer fechadura
de tambor modelo Yale. Ela funciona como uma chave-mestra. Realce
também que existem milhares de chaveiros espalhados em
todo lugar capazes de abrir rapidamente qualquer fechadura tradicional
quando perdemos as chaves. Além disso, um número
ainda maior de não-chaveiros também anda por aí
com mixas a ignorar o significado de "propriedade alheia".
Então, pergunte novamente aos estudantes se as tradicionais
são de fato seguras, e remeta a discussão para
a conveniência das chamadas fechaduras eletrônicas.
Por fim, uma outra abordagem ainda permite uma análise
matemática das diferentes combinações que
se pode ter numa chave Yale. Digamos que ela tenha 5 pinos móveis
com uma precisão de cerca de 0,1 milímetros (para
mais ou para menos) na detecção da posição
de abertura e que o curso total de cada pino seja cerca de 3
milímetros. Então, para cada pino, temos cerca
de 15 possíveis posições diferentes. Com
5 pinos, o número cresce para 15x15x15x15x15 combinações
diferentes, ou seja, cerca de 760 mil posições
por chave. Então, podemos concluir que em igual número
de chaves distintas, há uma boa chance de encontrar duas
que abrem a mesma fechadura.
Vale o inverso também, em 760 mil fechaduras distintas,
é possível que uma mesma chave possa abrir duas
delas. Esse tipo de raciocínio pode ser aplicado a chaves
eletrônicas para mostrar que do ponto de vista das combinações
possíveis elas podem ser efetivamente muito mais confiáveis.
Entre
a cobiça e o poder
É curioso observar que o uso de chaves é
relativamente recente. Até os dias atuais, boa
parte dos seres humanos nunca teve contato com esse apetrecho,
destinado a dar ao seu possuidor poder sobre o acesso
a algo pretensamente cobiçado. Enquanto povos indígenas
brasileiros, aborígenes australianos, tribos africanas
sub-saarianas, civilizações antigas americanas
e asiáticas não mantêm chaves materiais
para seus bens, nossa civilização não
existiria sem elas. Assim, é comum vermos a ostentação,
ainda que inconsciente, de porta-chaves com diversas delas:
chave do carro, da casa, do escritório, do depósito,
do cofre...possui-las significa deter o poder de acesso.
Exibi-las é ostentar poder. São Pedro, o
patriarca da igreja católica, detém a chave
do céu... os nobres varões medievais guardavam
consigo as chaves dos cintos de castidade de suas mulheres.
Pessoas eminentes recebem a chave da cidade. A chave presume
a posse por poucos de algo ambicionado por muitos.
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Sucesso
de público
Este é um modelo de cilindro, cujo funcionamento
se baseia num tambor principal com 5 furos em linha.
Em cada um, há dois pinos de metal: o de cima,
preso a uma mola, tende a manter o inferior abaixado.
Ao ser inserida na fechadura, a chave empurra os pinos
para a posição correta, o que lhe permite
girar e destrancar o cadeado.
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Aula sugerida por Renato da Silva Oliveira,
professor de Física e coordenador do Planetário
Móvel Asterdomus, de São Paulo
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