31 de agosto de 2009 Ciências Humanas e suas Tecnologias – Geografia Analise com a turma os efeitos da dispersão de espécies exóticas no Brasil e em outras partes do mundo Em meados do século XIX, na Austrália, o fazendeiro Thomas Austin, nascido na Inglaterra, soltou doze pares de coelhos para reeditar as caçadas de sua terra natal. Talvez não imaginasse o que um ato tão simples poderia provocar: em poucas décadas, os bichinhos já tinham se espalhado por todo o país, onde faltam predadores naturais para manter sua população sob controle. Estima-se que foram erguidos mais de 3 mil quilômetros de cercas no país para conter a invasão dos coelhos, empreitada que não obteve sucesso. Nesse caso, e também no de outros animais importados da Inglaterra para caça, as espécies exóticas viraram pragas, causando desequilíbrios ecológicos. É o que mostra a reportagem de VEJA, novamente tendo a terra dos cangurus como palco. Levados da Arábia para transportar cargas pelo deserto australiano, os camelos se proliferaram e hoje atingem a marca de 1 milhão de espécimes no país. A prática de introduzir espécies exóticas não é recente. Com a chegada dos portugueses ao que mais tarde viria a ser o Brasil, inúmeras espécies de plantas e animais foram difundidas no território. Algumas se adaptaram tão bem e são tão presentes hoje que muitos pensam tratar-se de espécies nativas – como os coqueiros da orla marítima nordestina, originários da região do Índico. Entretanto, são muitos também os casos de espécies invasoras que se disseminaram sem controle e passaram a disputar espaço e recursos com plantas e animais nativos. Convide a garotada a conhecer a quetão mais de perto e avaliar a extensão do problema. Atividades Informe que as espécies exóticas invasoras são organismos (plantas, animais, fungos e microorganismos) que se encontram fora de sua área natural de distribuição, seja por dispersão intencional seja acidental. Fatores naturais também contribuem, como a dispersão pelas correntes marinhas e pelo vento. Mostre aos alunos que se atribui à colonização europeia a maior responsabilidade pela difusão e introdução de espécies exóticas nos diferentes continentes. No caso da presença portuguesa no Brasil, a lista é enorme, contendo alguns itens que viraram símbolos do país tropical e hoje são obrigatórios em nossa dieta: além do coco, a cana-de-açúcar, a banana, a manga, o algodão, o arroz, o feijão, o trigo, a uva, a aveia e muitos outros. Da mesma forma, foram os portugueses os responsáveis pela introdução dos principais animais domésticos e de exploração pecuária no território nacional, como cães, gatos, galinhas, bovinos, coelhos, jumentos, cavalos e caprinos. No caminho inverso, lusos e espanhóis se encarregaram de levar a outras partes do mundo produtos nativos da América, como o cacau, o milho, a batata, a mandioca, o tomate, o caju, o amendoim e o tabaco. Esse intercâmbio, de um lado, reforçou a tendência de diferentes povos de incorporar bens, produtos e hábitos graças ao contato com outras culturas, na medida em que foram sendo rompidos os isolamentos geográficos. Ao mesmo tempo, permitiu uma ampliação extraordinária da produção agrícola e de alimentos. De outro lado, como mostra o texto, não são poucos os casos em que as espécies exóticas tornaram-se pragas e tomaram o lugar das nativas, reduzindo a biodiversidade e provocando desequilíbrios nas cadeias alimentares. São exemplos as variedades de capim e de coníferas espalhadas pelo território nacional, inclusive em unidades de conservação de florestas nativas. Conte que algumas experiências de aclimatação de espécies foram malsucedidas. Foi o caso dos camelos, introduzidos no sertão nordestino por serem animais resistentes à seca. Se isso não acontecesse, talvez a reportagem não focalizasse a Austrália, mas o Nordeste brasileiro. Sugira pesquisas na biblioteca e na internet sobre esse episódio, ocorrido no século XIX. Peça aos jovens que preparem listas de casos conhecidos, no Brasil ou no mundo, em que houve a difusão irreversível de espécies exóticas. Proponha também que investiguem as causas da dispersão geográfica dessas espécies e suas repercussões. Essas devem incluir modificações ambientais, como o estímulo à desertificação, e o impacto econômico das mudanças. 2ª aula – Recolha as contribuições dos estudantes e discuta os resultados de forma coletiva. Eles podem preparar quadros sobre origens e destinos das espécies exóticas e seus efeitos nos ambientes nativos. Complemente a discussão assinalando que a preocupação com o problema levou a ONU a criar o Programa Global de Espécies Invasoras, além de aprovar na Conferência Mundial para o Meio Ambiente de 1992, realizada no Rio de Janeiro, a Convenção da Diversidade Biológica, que visa assegurar a preservação da biodiversidade e dos ecossistemas nativos. Destaque os casos de dispersão acidental de espécies. Um deles, muito conhecido e de difícil monitoramento, é a chegada de espécies aquáticas pela água de lastro de navios estrangeiros que atracam nos portos. No Brasil, uma norma da Marinha estabelece que os navios devem fazer a troca dessa água a 200 milhas da costa, em profundidades de pelo menos 200 metros. Um caso exemplar de espécie invasora em nosso país é o do caramujo-gigante africano, um molusco terrestre do nordeste da África introduzido no final dos anos 1980 no Brasil como alternativa à criação de escargot. Adaptado aos ambientes aqui existentes, pois gosta de locais úmidos e com sombra, ele se transformou numa praga que se alastrou pela faixa litorânea, da Bahia a Santa Catarina. Entre os pontos mais infestados está o litoral sul paulista. Os caramujos são seres hermafroditas que se multiplicam rapidamente e devastam hortas, jardins, culturas agrícolas e a flora urbana. Também transmitem doenças, como uma infecção abdominal que pode levar crianças à morte. Esse animal já assolou nas últimas décadas áreas do Havaí e da Flórida (EUA), Austrália, Índia e países do Sudeste Asiático.
Com base nos dados e discussões, proponha à garotada a elaboração de dissertações sobre o tema. Eles devem situar eventuais prejuízos e benefícios da introdução de espécies exóticas e levar em conta as normas e acordos internacionais já estabelecidos. Veja também:
Bibliografia Internet Aula sugerida pelo geógrafo Roberto Giansanti, autor de livros didáticos.
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