30 de novembro de 2009 Linguagens, Códigos e suas Tecnologias – Educação Física Discuta com os alunos os sacrifícios que um atleta precisa superar para alcançar um alto nível e se manter nele A entrevista de VEJA com a tenista russa Maria Sharapova é exemplar para compreender o modo de vida de uma estrela mundial. Desde que os esportes ganharam espaço na mídia de massa e seus melhores praticantes galgaram status de celebridade, não falta quem sonhe com a vida de pop star das quadras – ou dos estádios – na ilusão de que essa é uma maneira de chegar à fortuna se divertindo ou simplesmente jogando bola. Um grave equívoco, que o professor de Educação Física tem o dever de desfazer, já que um dos propósitos da disciplina é formar cidadãos críticos e conscientes, independentemente da escolha do esporte como carreira. Atividades Outra questão importante abordada em VEJA é o desequilíbrio emocional de astros do esporte. Qual a explicação para explosões de raiva e mau comportamento nada raras entre eles? Na discussão devem aparecer três questões fundamentais: a enorme pressão por resultados – especialmente nos esportes individuais –, a dificuldade em separar a figura pública da privada – quem mostra elegância e bom humor no trabalho é cobrado a manter as mesmas características fora dele – e o assédio constante – o astro é seguido por fãs e pela imprensa e abordado o tempo todo para dar declarações e autógrafos. Sem descanso. Essa perseguição, no entanto, cessa imediatamente quando a carreira entra em declínio ou é encerrada – um baque para o qual poucos estão preparados. Vale citar exemplos recentes do tênis feminino: só nesta década três tenistas que figuraram no topo do ranking mundial abandonaram a carreira antes dos 25 anos de idade. A suíça Martina Hingis se despediu do esporte aos 22, voltou aos 26 e abandonou novamente aos 27 – diante de um exame antidoping que acusou o uso de cocaína. A belga Kim Clijsters deixou as quadras aos 24 e, dois anos depois, voltou de forma espetacular: logo no primeiro grande torneio que disputou, o Aberto dos Estados Unidos de 2009, levantou a taça. A também belga Justine Henin largou a raquete aos 25 e já anunciou o retorno no ano que vem, sem completar dois anos de “aposentadoria”. Todas justificaram o fim precoce pelo enorme desgaste físico e mental, pelo assédio constante da imprensa e de fãs e por já terem enriquecido. E retornaram alegando saudades – nenhuma delas menos rica. Encerre encomendando um texto individual em que os alunos façam uma reflexão sobre o que foi debatido em sala de aula. 2ª aula – Destaque o momento da entrevista em que Maria Sharapova fala da dura rotina de treinamentos e da convivência com a dor. Deixe claro ao grupo: todo atleta de alto nível convive com a dor, pois pratica exercícios em quantidade e intensidade muito superior ao que seria saudável.
Isso, no entanto, não pode servir como desestímulo à prática de atividades físicas. Explique que o exercício promove intensa liberação de endorfina, um neuromediador que atua no cérebro e está ligado à gênese do bem-estar e do prazer. A prática esportiva regular cria a boa dependência dessa substância. Em outras palavras, a liberação de endorfina, somada à melhora da auto-estima proveniente da sensação de estar fazendo algo em benefício da própria saúde, provoca um estado de plenitude. Mas é preciso graduar a intensidade dos exercícios e nunca ultrapassar os limites. Exercício físico em excesso pode ser tão prejudicial quanto a falta dele. Para definir o que é excesso, é preciso levar em consideração as condições físicas do indivíduo e entender o que a atividade representa para ele. Numa escala de intensidade de zero (repouso) a dez (exaustão), o nível adequado está entre seis e sete. Pode-se imaginar que andar lentamente não traga benefício algum. No entanto, em função de uma eventual inatividade prévia, se os passos vagarosos representarem um grau de esforço entre seis e sete, o ritmo estará adequado àquele momento. Naturalmente, quanto mais se caminhar, melhor será o condicionamento físico e maior poderá ser o ritmo das passadas. A escala, assim ajustada, serve para a vida inteira. Uma vida, espera-se, mais saudável.
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