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Edição 1971, 30 de agosto de 2006

Linguagens e Códigos e suas Tecnologias - Língua Portuguesa

O lugar do pronome

Explore com os estudantes as regras gramaticais relativas a próclise, ênclise e mesóclise


A Opção pelo Subdesenvolvimento

Duas aulas de 50 minutos


Colocação pronominal


Conhecer os critérios de uso
de próclise, ênclise e mesóclise

Em sua argumentação sobre a trágica situação educacional brasileira, Gustavo Ioschpe recorre a verbos diversos em mais de 150 ocasiões. Numa delas, a combinação verbo-pronominal “tornar-se-á” tem tudo para chamar a atenção da garotada, já que a mesóclise causa estranheza pela raridade em textos jornalísticos. Embora em desuso, esse tipo de expressão faz parte da norma culta da língua e pode ser encontrado em obras fundamentais da literatura nacional. Os adolescentes sabem quando empregá-lo? O artigo de VEJA também apresenta alguns casos de próclise e ênclise. Explore-os numa lição de colocação pronominal, assunto obrigatório no currículo do Ensino Médio.

Acervo Instituto de Estudos Brasileiros USP / Reprodução
Mário de Andrade (retratado por Lasar Segall):
“Se sente que o dia vai sair por detrás do mato”

Atividades

1ª aula - Distribua o ensaio para todos os alunos, organizados em grupos. Peça que o leiam e procurem identificar nele os pronomes átonos (me, te, se, lhe, o, a, nos, vos, lhes, os, as), grifando-os.

Proponha ainda que as equipes preparem para a semana seguinte, com base na gramática de referência de que dispõem, cartazes-síntese dos seguintes tópicos do tema:

  • pronomes pessoais oblíquos átonos;

  • palavras atrativas;

  • ênclise;

  • colocação pronominal no período composto;

  • próclise (incluindo os itens palavras negativas, advérbios, partícula que, pronomes relativos, indefinidos e demonstrativos, conjunções subordinativas e coordenativas, orações optativas, preposições mais gerúndio e orações iniciadas por pronomes interrogativos);

  • mesóclise;

  • verbos no futuro do presente e no futuro do pretérito;

  • colocação pronominal facultativa (incluindo pronomes pessoais retos e preposições mais verbos no infinitivo);

  • colocação pronominal nas locuções verbais (incluindo pronomes átonos mais particípio e palavras atrativas); e

  • colocação pronominal proibida.


  • Cuide para dosar o volume de trabalho de cada equipe na subdivisão do temário. Relembre o fato de a colocação ser o modo de distribuição dos termos de uma oração. Diga também que, no registro escrito da língua, ela deve obedecer à Nomenclatura Gramatical Brasileira.

    Destaque as diferenças em relação ao registro lusitano, munindo-se de exemplos de uso oposto das colocações extraídos de obras de Antonio Vieira, Júlio Diniz, Alexandre Herculano, Manoel Bernardes e Júlio de Castilho, entre outros. O material vai ajudar a esclarecer os fenômenos de deslocamento (ênclise) divergentes entre os dois idiomas. É um excelente momento para comparar nossa fala espontânea e a do povo irmão d’além-mar.

    2ª aula – Encarregue cada grupo de apresentar as exigências que conseguiu colher e desafie os estudantes a aplicar as regras aos pronomes localizados no texto de VEJA. Sempre que julgar necessário, direcione a tarefa nos casos de dupla possibilidade, fazendo ver os efeitos de uma e outra. Eis algumas passagens que podem instigar dúvidas:

  • “Muito poucos se perguntam por que isso é tão ruinoso...”

  • “Se a fraternidade não o convence a cuidar de nossa educação, faça-o por interesse próprio, portanto.”

  • “É impossível a um país desenvolver-se no século XXI...”

  • “Que, eliminados os problemas de juros, câmbio e infra-estrutura, o gigante adormecido tornar-se-á a potência...”


  • À medida que os jovens forem vencendo cada etapa, faça uma pausa para discutir com eles se essas são as formas que habitualmente ouvem na mídia, em casa ou mesmo na escola. Debata as divergências entre língua falada e escrita e entre norma culta e popular, sem esquecer as variantes regionais.

    Completada a visão do todo, questione a postura assumida pelo Manual Geral de Redação da Folha de S.Paulo, que afirma: “Atualmente, o pronome é colocado antes do verbo, haja ou não uma palavra que o atraia (...). Mas, em pelo menos um caso, usa-se o pronome depois do verbo: início de oração”. Deixe que todos se manifestem acerca das exigências formais que acabaram de rever e comentem a postura simplista de um meio de comunicação que, indiretamente, impõe um padrão ao idioma. Aproveite para mostrar que o próprio Manual da Folha se contradiz ao grafar uma ênclise no meio da frase em que recomenda essa colocação pronominal apenas no início das orações.
    Por fim, convide a turma a refletir sobre a ousadia de um dos modelos de escrita de nossa literatura. Deite água à fervura citando O Turista Aprendiz, de Mário de Andrade: “Se sente que o dia vai sair por detrás do mato”. E agora, como ficamos?


    Roteiro sugerido por Angelo Masson Neto, professor de Lingüística das FIAM, de São Paulo

     
     
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