Edição 2075, 27 de agosto de 2008 Ciências Humanas e suas Tecnologias - História Mostre à turma que os fiascos da CIA, a agência de informações americana, tornaram-se públicos e notórios, enquanto seus êxitos permaneceram quase imperceptíveis A resenha do livro Legado de Cinzas, sobre a atuação da CIA, informa que, na opinião do autor — o jornalista Tim Weiner, do New York Times —, “o serviço secreto do país mais rico e poderoso do planeta não oferece mais do que uma crônica entre ridícula e trágica de erros, fracassos e desastres”. Mas será mesmo assim? Afinal, os fiascos dos arapongas de plantão ganham as manchetes, enquanto seus êxitos permanecem como discretas notas de rodapé nos livros de história. Um exemplo: o fracasso da invasão anticastrista na Baía dos Porcos, em Cuba, apoiada pela CIA, é público e notório, mas a participação da agência de informações americana no esmagamento da guerrilha na selva boliviana e na morte de Che Guevara, em 1967, é relativamente pouco conhecida. Seja como for, o texto oferece uma excelente oportunidade para seus alunos acompanharem, pela atuação da CIA, as várias frentes de confronto entre americanos e soviéticos, durante o longo período de disputas ideológicas e políticas e conflitos militares localizados conhecido como Guerra Fria. Atividades Solicite pesquisas específicas para o caso de Cuba, que durante trinta anos, enquanto esteve firmemente aliada à União Soviética, foi o alvo preferencial das ações da CIA na América Latina. A revista identifica duas intervenções: a invasão da Baía dos Porcos, em 1961, e a chamada crise dos mísseis, em 1962, que quase levou a uma guerra nuclear. Lembre que, depois da Revolução Cubana, os Estados Unidos passaram a apoiar regimes autoritários no continente, o que contribuiu para os golpes militares no Brasil, no Chile, na Argentina e no Uruguai. Acrescente que, durante décadas, a agência tentou assassinar Fidel Castro — alguns relatos revelam que foram mais de cinqüenta tentativas fracassadas. Informe também que Cuba acabou “exportando” a sua revolução para a América Latina, como na Bolívia, onde a CIA agiu para combater e matar Ernesto Che Guevara, em 1967.
2ª aula – Peça que a turma trace uma segunda linha do tempo, com base nas informações do texto sobre a atuação da CIA no resto do mundo. Forneça dados adicionais sobre dois cenários: o Irã e o bloco oriental liderado pela URSS. No Irã, a CIA teve atuação destacada desde 1951, quando o primeiro-ministro Mossadegh nacionalizou as reservas de petróleo. Dois anos depois, instigado pelos americanos, o xá Reza Pahlevi demitiu o primeiro-ministro. Este recusou-se a abandonar o governo, mas foi afastado por um golpe militar e aprisionado. O petróleo iraniano voltou a ser extraído pelas multinacionais. Em 1979, Reza Pahlevi abandonou o país, derrotado pelo fundamentalismo do aiatolá (líder religioso) Khomeini. Proponha pesquisas sobre a atuação do governo americano, que defendeu até o fim o regime monárquico. Relembre a ação dos estudantes iranianos que tomaram a embaixada americana. Explique que isso causou uma grande crise entre Estados Unidos e Irã e teve repercussões na eleição presidencial americana de 1980, quando o presidente Jimmy Carter foi derrotado pelo republicano Ronald Reagan, no momento em que tentava a reeleição. No mesmo ano, com o apoio de Reagan o Iraque de Saddam Hussein atacou o Irã. O conflito estendeu-se até 1990. A Europa oriental, por sua vez, foi o cenário por excelência da Guerra Fria. Durante décadas, houve na região uma acirrada competição entre as agências de espionagem das superpotências: a CIA e a KGB. O cinema e a literatura romancearam essa disputa em inúmeros livros e filmes (veja exemplos acima e ao lado). Vale a pena pesquisar como a atual capital alemã, partilhada entre as potências vencedoras da II Guerra Mundial, tornou-se um dos pólos do confronto entre os blocos liderados por americanos e soviéticos, antes mesmo da construção do Muro de Berlim. Esse quadro se estendeu até o fim da Guerra Fria, assinalado justamente pela queda do muro em 1989.
Aula proposta por Marco Antonio Villa, professor
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