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Edição
2014, 27 de junho de 2007
Ciências
Humanas e suas Tecnologias - Filosofia e Cidadania
Diferenciado,
porém igual
Explore
a reportagem sobre a bolsa de 42000 dólares e discuta
a exclusividade ilusória do mundo do consumo

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Elitismo
e massificação


Debater
o consumo de artigos
de luxo e a massificação da
sociedade |
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Uma
"bizarra colagem de pedaços de quinze bolsas tradicionais
da qual foram produzidos 24 exemplares". VEJA descreve
assim o modelo Tribute, da Louis Vuitton, comercializado a
42000 dólares cada peça. O que justifica o preço
desse acessório, tão inacessível para
quem não habita o fictício Riquistão?
O conceito de luxo vip, abordado pela revista, dá origem
a um estudo sobre os hábitos de consumo como fator
de diferenciação social.
Atividades
1ª
e 2ª aulas - Questione os alunos sobre a motivação
da reportagem. Para que publicar um texto sobre a venda de
uma bolsa que custa dezenas de milhares de reais? Diga que,
se esse evento fosse corriqueiro, inerente ao cotidiano do
brasileiro, não despertaria curiosidade. Assim, atrelada
à primeira indagação, pergunte por que
a reportagem atrai a atenção. Ouça a
classe e comente que a maioria das pessoas não acha
normal o fato reportado. Ele foge às expectativas de
grande parte da população, para quem não
parece natural a existência de uma bolsa tão
cara.
Inicie, então, uma discussão sobre o valor das
coisas. Procure saber quanto custou o tênis de um estudante,
o caderno de outro e assim por diante. Como eles avaliam esses
preços? Parecem justos? Abusivos? Por quê?
Quais são, segundo os adolescentes, os itens básicos
para atender nossas necessidades? Leve-os a concluir que não
há justificativa para uma bolsa - acessório
totalmente dispensável para uma vida social, econômica,
cultural e familiar digna - custar o equivalente a um apartamento,
bem muito mais durável e fundamental (afinal, todos
precisam de um lugar para morar).
Após essa conversa prévia, provoque a moçada.
O que nos permite considerar absurdo o desembolso de tal cifra
para aquisição de uma bolsa, mas achar um excelente
negócio pagar o mesmo valor por uma casa? Conduza uma
reflexão mais ou menos genérica acerca dos custos
de mão-de-obra e materiais e do lucro dos empresários
sobre os produtos. Deixe claro que, quando pagamos por algo
uma soma muito acima desses parâmetros, estamos consumindo
luxo. Sugira que a turma consulte, no dicionário, o
significado desse termo. Ensine que a bolsa citada por VEJA
é classificada como um artigo luxuoso justamente por
ser inacessível a quase todos os brasileiros e similar
a outros modelos (maiores, mais práticos e infinitamente
mais baratos) que desempenham a mesma função.
Exclusividade e dinheiro – Traga para o contexto escolar
a questão do desejo de ser especial. Quem é
especial? Quem quer ser? Qual a importância disso para
a garotada? Em que medida possuir, colecionar e exibir coisas
pelas quais poucos podem pagar torna alguém diferente?
Lembre que as grifes mais elitistas se valem dessa demanda
para angariar clientes entre aqueles que podem, literalmente,
dar-se ao luxo de comprar inutilidades a peso de ouro.
Hiperluxo – Tome como base a seguinte frase de VEJA:
"O luxo mais acessível vai perdendo a aura de
coisa exclusiva, para poucos. Transforma-se numa espécie
de luxo de massa". Debata a exclusividade ilusória
do luxo e demonstre como, aos poucos, o que estava restrito
a alguns passa a ser incorporado por muitos.
Coloque em pauta a contribuição filosófica
da Teoria Crítica, também conhecida como Escola
de Frankfurt. Ela teve em Adorno, Horkheimer e Marcuse importantes
elaborações a respeito da massificação
e da indústria cultural. Esses pensadores escreveram
sobre as transformações sociais ocorridas durante
a ascensão dos regimes fascista e nazista, partindo
de uma perspectiva em que o socialismo estava fora de questão.
Eles presenciaram o avanço do capitalismo seguido pelo
crescimento das indústrias fonográfica, cinematográfica
e literária. Nesse cenário, a música
erudita dos concertos, por exemplo, até então
restrita às altas classes, passou a ser disponibilizada
em discos.
Saia
justa
| Ilustrações
Beto Uechi / Pingado |
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Na
festa de bacanas, duas socialites descobrem que estão
usando a mesma roupa: em tese, era um modelo exclusivo. |
No livro Dialética do Esclarecimento, Adorno e Horkheimer
observaram que as pessoas querem ser únicas e especiais,
mas a massificação apresenta um panorama em
que a comida, o vestuário, os livros, os filmes e quase
tudo o que há é partilhado por todos. Ao perceber
tal ânsia pela individualidade, a indústria cria
mercadorias formalmente exclusivas, mas que, na essência,
são idênticas àquelas de grande circulação.
Dessa maneira, surge um mundo paralelo, no qual há
indivíduos com o poder de pensar e opinar de modo independente
e se mostrar como "celebridades luxuosas". Esse
universo, porém, é enganoso. Segundo os dois
filósofos, "para que ninguém escape dele,
as distinções são acentuadas e difundidas
(...). Cada qual deve se comportar, como que espontaneamente,
em conformidade com seu level, previamente caracterizado por
certos sinais, e escolher a categoria dos produtos de massa
fabricada para seu tipo". O que vemos é uma pluralidade
de vips que, a despeito do que pensam, encaixam-se nas engrenagens
de uma sociedade pasteurizada. Ninguém foge à
massificação.
Assim, o que era luxo, porque poucos podiam usufruir, acaba
se popularizando com o passar do tempo. Mais gente usa as
mesmas roupas de grife e as mesmas bolsas, vai ao mesmo cabeleireiro
e acaba uniformizando a propalada exclusividade. Então,
cria-se outra maneira de reviver o luxo: o lançamento
de bens ainda mais caros, para pessoas mais abonadas. Logo,
expressões como superluxo e ultraluxo vão classificando
as coisas ao longo do tempo. Já não basta ser
luxuoso, tem de ser hiperluxuoso. Ser vip é muito pouco,
é preciso ser megavip. Com esses dados, os estudantes
vão confeccionar cartazes que representem o que, para
eles, torna alguém de fato especial.
Por fim, exiba as imagens que ilustram este roteiro e encomende
dissertações sobre uma das duas situações.
O
carro do vizinho
| Ilustrações
Beto Uechi / Pingado |
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O
desejo de ascensão social se manifesta na garagem:
o dono do Fusca cobiça o sedan ao lado, cujo proprietário
quer a Ferrari. |

Plano de aula sugerido por Cristina de Souza Agostini,
mestranda em História da Filosofia pela Universidade
de São Paulo
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