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VEJA NA SALA DE AULA
     
 


Edição 1740, 27 de fevereiro de 2002

Ciências Humanas e suas Tecnologias, História e Política

Viaje com os alunos pelo turbulento Oriente Médio

Eles trarão na bagagem boas noções sobre os conflitos entre judeus e palestinos


Exercícios e outras atividades
Para saber mais


"Sharon na Defensiva", pág. 42 de VEJA


Tempo proposto: duas aulas de 50 minutos

Política internacional: Israel e Palestina


Relacionar informações e conhecimentos disponíveis em situações concretas para construir argumentação consistente


Examinar e compreender transformações ocorridas na política internacional nas últimas décadas

Ao tratar das difíceis relações entre judeus e palestinos, é bom retomar um pouco da história recente desses povos e fazer uso de mapas.

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Exercícios e outras atividades

Depois de promover a leitura da reportagem de VEJA, relembre aspectos da conturbada trajetória de israelenses e palestinos (distribua para os estudantes cópias do quadro abaixo).

Depois de localizar no mapa a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, os jovens devem pesquisar os limites do Estado de Israel em três momentos: na sua criação, em 1967 e atualmente.

Divida a classe em dois grupos. Encarregue o primeiro de levantar as origens étnicas de palestinos e israelenses. Peça que a outra equipe enumere os objetivos e pretensões gerais de cada nação. Em seguida, discuta o uso da violência como ação política e liste as razões alegadas por palestinos e israelenses para justificar as respectivas posturas.

Examine a proposta de criação de zonas de segurança feita por Ariel Sharon e noticiada por VEJA e encomende um estudo sobre o conceito de Estado-tampão idealizado pela diplomacia européia para resolver conflitos.

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Para saber mais

Briga antiga

Os problemas na região da Palestina remontam à Antigüidade. Tais atritos, porém, agravaram-se e começaram a interferir nas relações políticas internacionais logo após a I Guerra Mundial. Em 1922, sob a chancela da Liga das Nações, a área foi submetida ao controle da Inglaterra. Os britânicos prometeram, na época, criar um Estado hebreu, o que produziu um forte afluxo judaico. O fato determinou também o reinício dos atritos entre os árabes locais, que eram maioria, e os judeus imigrantes. Somente em 1947 a Organização das Nações Unidas (ONU) resolveu o impasse: nasceram um Estado judeu – Israel – com mais de 50% do território e um Estado árabe com aproximadamente 40%. Jerusalém tornou-se uma área internacional.

Quando os ingleses deixaram a região, Egito, Iraque, Jordânia, Líbano e Síria, nações árabes, uniram-se contra os judeus na I Guerra Árabe-Israelense, iniciada em 1948 e encerrada no ano seguinte. Israel, vitorioso, expulsou 1 milhão de palestinos – os que se refugiaram em outros países foram recusados como cidadãos e os que permaneceram em Israel viram-se marginalizados.

Em 1959, os palestinos fundaram o grupo Al Fatah, liderado por Yasser Arafat, para lutar a favor da criação de um Estado autônomo e independente. Em 1964, com apoio do Egito e da Argélia, surgiu a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que estabeleceu no exílio um verdadeiro governo paralelo, com parlamento eleito pelo povo disperso. O ex-guerrilheiro Arafat assumiu em 1969 o comando da OLP, que alcançou gradativamente o reconhecimento da comunidade internacional: primeiro das nações árabes, em 1973, e depois da ONU, como membro observador em 1975. No mesmo ano, as Nações Unidas determinaram a criação do Estado Palestino na área já fixada em 1947. Israel ignorou a decisão, mantendo-se irredutível até hoje.

Os choques entre Israel e os palestinos sediados no Líbano pioraram a partir do final dos anos 70. Os judeus atacaram o Líbano e ocuparam parte daquele país. Após as ofensivas israelenses de 1982, a OLP dividiu-se em duas tendências básicas: a facção liderada por Arafat, que aceitava a criação negociada de um Estado palestino com a permanência de Israel, e os contrários a qualquer conversação com o inimigo. As dificuldades políticas internas e a perseguição israelense geraram rebeliões na Cisjordânia e em Gaza.

Qualquer análise ou avaliação sobre o desenrolar dos acontecimentos que tomem como premissa uma definição do quadro político da região implicará em erro. A trajetória secular repleta de conflitos, muitas vezes inflamados pelas conjunturas contemporâneas, não permite estabelecer um cenário político estável de médio e longo prazo.

Um exemplo evidente dessa contradição é o confronto entre Israel e a Palestina. Aparentemente, os intensos conflitos de décadas impediriam qualquer possibilidade de trégua entre as partes. Mas, contrariando tal lógica, em setembro de 1993 foi assinado em Washington o Acordo de Paz entre o Estado judeu e a OLP. Os problemas políticos, porém, não desapareceram. A escalada de um certo nacionalismo autoritário e do fanatismo religioso, presentes em ambos os povos, radicalizam os ânimos políticos e dificultam uma saída pacífica. Em 1995, o assassinato do moderado premiê israelense Isaac Rabin por um jovem fundamentalista judeu significou o retorno dos combates, que se multiplicaram pela região. A eleição de Benjamin Netanyahu, em 1996, deve ser compreendida como um retrocesso nos esforços de paz — tendência acentuada com a escolha do atual primeiro-ministro, Ariel Sharon.

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Plano de aula elaborado pelo historiador José Geraldo Vinci de Moraes,
autor de livros didáticos


Uma História dos Povos Árabes, Albert Hourani, Cia. das Letras, tel. (0_ _11) 3167-0801
 
 
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