Publicidade


 

* Conteúdo exclusivo
para assinantes de
VEJA NA SALA DE AULA
     
 


Edição 1795, 26 de março de 2003

Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias, Biologia

Revele o perigo oculto na
picada de alguns mosquitos

Os artrópodes transmitem dengue, filariose, malária e outras moléstias graves. Ensine a garotada a ficar bem longe deles


Antes da leitura de VEJA pelos alunos
Para debater
Exercícios e outras atividades


"Os Outros Mosquitos", pág. 103 de VEJA

Duas aulas de 50 minutos


Transmissão de doenças; insetos vetores


Selecionar e interpretar dados e informações para enfrentar situações-problema


Identificar o processo de transmissão de doenças por meio de insetos e discutir formas de combate a esses males

As águas de março já fecharam nosso verão. Infelizmente, não levaram junto uma série de doenças tropicais que atormentam — e muitas vezes matam — os brasileiros. Em comum, elas apresentam o fato de ser transmitidas por mosquitos. Nesta edição de VEJA, ao lado do velho pesadelo da dengue, são listadas outras quatro enfermidades, seus vetores de transmissão e os meios mais eficazes para enfrentá-los. Aprofunde em classe conteúdos importantes ligados a essas ameaças voadoras, presentes de norte a sul do país.

topo

Antes da leitura de VEJA pelos alunos

Faça uma pequena revisão dos conceitos de epidemia, endemia e ciclos de vida dos insetos.

topo

Para debater

Apresente o texto "Os Outros Mosquitos" e lance questões para iniciar a discussão. Pergunte se alguém da turma já foi vítima da picada do Aedes aegypti contaminado com o vírus da dengue ou se conhece alguém que passou por essa experiência. Peça que o aluno conte como o mal se manifestou, de que forma foi combatido e se o paciente faz idéia de onde estava quando foi infectado. Será que o ambiente escolar ou a casa dos estudantes propicia o desenvolvimento de focos da dengue? Investigue se a garotada sabe como o mosquito transmissor da moléstia se reproduz.

Genilton J. Vieira/ Instituto Oswaldo Cruz/ Fiocruz

Aedes aegypti
Mosquito trasmissor da dengue e da febre amarela, também é chamado de pernilongo-rajado, por ter o corpo todo preto com linhas e articulações brancas. Reproduz-se em águas paradas e limpas

 

Aborde cada uma das enfermidades listadas pela revista. Se a escola estiver localizada numa das regiões mencionadas na reportagem, repita o procedimento descrito acima. Ouça os relatos e recorde alguns fatos — que repercutiram bastante em 2002 — envolvendo um turista argentino. Ele visitou o Brasil a partir da Região Norte e, já em São Paulo, sentiu febre, calafrios e náuseas. Havia contraído malária. Apesar do diagnóstico, o viajante foi liberado pelos médicos e seguiu para a costa norte do Estado. Quando sua condição se tornou pública, houve um certo pânico entre a população caiçara. As autoridades sanitárias promoveram uma verdadeira caçada ao turista, pois temiam que sua infecção contagiasse outras pessoas, alastrando-se pela região. Por sorte, a história teve um final feliz, sem conseqüências mais graves. Provoque opiniões: esse episódio não traduz certa negligência no tratamento das epidemias e endemias no país? A turma conhece casos similares?

Os jovens têm conhecimento de exigências legais que vão além da vacinação que preceda viagens a locais de potencial contágio? E com relação às populações indígenas, como se dá a prevenção e o combate às endemias?

Informe que uma variação do mosquito Anopheles também é encontrada no litoral paulista. Nos últimos dois anos, foram identificados casos de malária na região — fenômeno que não ocorria havia tempos. Por que a notícia preocupa?

Divulgação/ Naid,Nih

Anopheles gambiae
Responsável pela propagação da malária: o corpo exibe tonalidade marrom-escura e a cabeça apresenta três longos aparelhos bucais. Pousa com o corpo inclinado para a frente sobre a pele da vítima

Ressalte os lugares onde a filariose se faz mais presente. Explique que em algumas dessas capitais provavelmente existem sombras de matas com "reservas" da doença. Para complicar, as condições sanitárias na periferia desses centros urbanos não são das melhores — o que colabora com a proliferação dos mosquitos. Se achar conveniente, organize um mutirão na escola — e no entorno — e ponha em prática as técnicas de combate à moléstia sugeridas pela revista.

Amplie o debate, ressaltando que a transmissão de uma doença pode ocorrer de forma direta ou indireta. Um exemplo de contágio direto é o da pneumonia (proponha a leitura da reportagem "Inimigo Desconhecido", na pág. 106 de VEJA). Ajude os estudantes a perceber que a transmissão indireta se dá por intermédio de um "transportador" — geralmente um mosquito, chamado de vetor. É ele que conduz os microorganismos infectantes presentes em animais ou pessoas doentes. Explore os exemplos divulgados pela revista e aborde outra enfermidade grave propagada por transmissão indireta: a doença de Chagas. Ela é causada pelo tripanossomo, protozoário que se aloja no Triatoma infestans, o popular barbeiro. Ao picar o ser humano, o inseto contaminado libera fezes contendo mais protozoários. Quando coça o local, a vítima permite que eles penetrem no organismo. Se outro barbeiro, sadio, também picar essa pessoa infectada, o ciclo recomeça.

Holt Grantsan

Triatoma infestans
Popularmente conhecido como barbeiro, serve de vetor para o tripanossomo, um protozoário que se instala no organismo através da pele, entra na corrente sanguínea e se aloja no coração

topo

Exercícios e outras atividades

Divida a turma em grupos. Encarregue cada um de levantar estatísticas e outros dados relativos a uma das doenças citadas por VEJA. Estabeleça os parâmetros: total de pessoas infectadas por região, número de mortes e tratamentos bem-sucedidos, fatores pontuais de propagação etc.

De posse das informações colhidas, proponha que a turma desenhe um mapa das doenças endêmicas do Brasil e que crie sugestões de campanhas para cada caso. A linguagem deve ser a mesma para todas as regiões? Qual é o veículo de comunicação mais eficiente para o sucesso da empreitada? Se achar necessário, convide um especialista para tirar as dúvidas da moçada sobre o tema.

Paulo Jares
Divulgação
Índio ianomami padece com febre amarela no norte do país (à esq.): a doença é propagada pelo mesmo mosquito que transmite a dengue. Acima, barco com agentes sanitários atende a população da Amazônia

topo