Publicidade


 

* Conteúdo exclusivo
para assinantes de
VEJA NA SALA DE AULA
     
 


Edição 2005, 25 de abril de 2007

Linguagens e Códigos e suas Tecnologias - Língua Portuguesa

Que bicho dá?

Inspire-se no Leão da Receita Federal para examinar a presença dos animais nas conversas do cotidiano


O Leão

Três aulas de 50 minutos


Simbologia e linguagem figurada


Perceber as várias associações entre a linguagem figurada e os animais

Ele ameaça, ruge e morde. Tem garras e presas afiadas. E suas ações nem sempre ficam circunscritas ao campo da linguagem figurada. O Leão (assim mesmo, com inicial maiúscula) da Receita Federal, alvo das críticas de Millôr Fernandes, devora os contribuintes, eternos carneiros da fábula. O texto se vale de símbolos ligados ao mundo animal para comentar o universo humano. E pode ensejar uma divertida lição sobre as expressões zoológicas em nossas conversas do dia-a-dia. Convide a turma a soltar as feras.

Atividades

1ª aula - Antes de ler o artigo com a garotada, pergunte quem já ouviu falar nas atrizes Bete Coelho e Márcia Cabrita, nos políticos Oswaldo Aranha, Zulaiê Cobra e Nelson Carneiro, no empresário Roquette Pinto, no bandeirante Raposo Tavares, no comediante Agildo Barata Ribeiro, no técnico de futebol Emerson Leão e no craque Alexandre Pato. E quanto aos automóveis Corcel, Impala, Mustang, Jaguar, Puma, Fox, Beetle, Tigra, Taurus e Besta? Use essa breve introdução para demonstrar que os nomes de animais fazem parte de nosso vocabulário cotidiano, ainda que não se refiram ao âmbito zoológico propriamente dito. Se achar conveniente, conte que a origem dos sobrenomes listados remonta aos judeus que se converteram ao cristianismo para fugir à perseguição religiosa na Península Ibérica durante o período medieval. Já as marcas e os modelos dos carros procuram evocar características dos animais supostamente encontradas também nos veículos - como velocidade, beleza e agressividade.

Agora organize a classe em grupos e distribua entre eles cópias do quadro ao lado. Estabeleça um prazo para a execução da tarefa pedida - cinco minutos devem bastar. Ao final, compare os resultados e estimule os alunos a estender o assunto a outras espécies da fauna.
Apresente, então, a argumentação de Millôr. Faça ver que há três bichos mencionados na página. E, ao mesmo tempo, não há nenhum. Senão, vejamos: os "pôrcos" citados no canto superior direito são suínos de fato? Ou têm mais a ver com os chamados porcos capitalistas? Pergunte a que se deve tal associação de idéias. E nos casos leonino e caprino? O artigo de VEJA se encarrega de explicar.

2ª e 3ª aulas - Retome as equipes formadas na aula anterior e proponha que cada uma investigue algumas das questões a seguir.

Qual é a origem do tucano, ícone do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB)? Por que um elefante e um burro identificam, respectivamente, os democratas e republicanos na política americana?

França e Portugal têm um galo como símbolo, a Rússia tem um urso e os Estados Unidos, uma águia. Como justificar? De onde vem a expressão tigres asiáticos? A que nações ela remete?

Os signos do horóscopo chinês são animais. Há motivo para isso?

No Brasil, muitos times de futebol adotam bichos como mascotes: leão (Sport-PE e Bahia-BA), tigre (Criciúma-SC), peixe (Santos-SP), periquito (Palmeiras-SP), raposa (Cruzeiro-MG), galo (Atlético-MG), macaca (Ponte Preta-SP) etc. Qual é a relação entre os clubes e seus símbolos? Diga que, para os adversários, algumas equipes são lembradas de modo pejorativo por meio de outras espécies: urubu (Flamengo-RJ) e gambá (Corinthians-SP), por exemplo. A turma sabe o que existe em comum entre o porco, assumido há cerca de duas décadas pela torcida do Palmeiras (clube paulistano de raízes italianas), e o fascismo de Mussolini? Uma pesquisa histórica vai esclarecer.

Por que a filosofia é representada por uma coruja e a medicina, por uma cobra enrolada num cajado?
Qual é a melhor explicação para o nome da CPI das Sanguessugas, instalada no Congresso Nacional em junho do ano passado?

Advogados e empresários inescrupulosos são retratados ironicamente como tubarões. Peça comentários.
Qual é, para os jovens, o significado dos termos gato e gata num contexto de “azaração”? E, quando se trata de azar, que conceito o gato preto exprime?
Os estudantes conseguem encontrar conexões entre:

  • Rato e desonestidade?

  • Anta e idiotice?

  • Raposa e esperteza?

  • Sangue de barata e indiferença?

  • Piranha e promiscuidade?

  • Corvo e morte?

  • Coelho e fertilidade?

  • Ameba e estupidez?

  • Veado e homossexualidade?

  • Pavão e vaidade?


  • Se o cachorro é o melhor amigo do homem, que sentido existe em cachorrada ser sinônimo de má ação, canalhice?
    E a abelha, o que tem de xereta para gerar o adjetivo abelhudo?

    É bastante provável que todos saibam as origens bíblicas da tentação encarnada numa cobra e da paz, numa pomba. E o ritual do sacrifício do bode expiatório, é de conhecimento geral? Que significado esse caprino assumiu na atualidade?
    Quais são as denotações e conotações dos termos:

  • Boi de piranha?

  • Estômago de avestruz?

  • Memória de elefante?

  • Cérebro de passarinho?

  • Vaquinha de presépio?

  • Cintura de vespa?

  • Mãe coruja?

  • Cor de burro quando foge?

  • Bacalhau de porta de venda?

  • Bafo de onça?

  • Chamar urubu de meu louro?

  • Comprar gato por lebre?

  • Pau-de-arara?

  • Cavalo-de-batalha?

  • Cair do cavalo?

  • Dose para leão?

  • Macaquear?

  • Pagar mico?

  • Rabo-de-arraia?

  • Dizer cobras e lagartos?

  • Lobo em pele de cordeiro?

  • Lágrimas de crocodilo?

  • Comer mosca?

  • Engasga-gato?

  • Dar zebra?

  • Rabo-de-galo?

  • Em palpos de aranha?

  • Pagar o pato?

  • A vaca foi para o brejo?

  • Ir pentear macacos?

  • Matar cachorro a grito?

    Para encerrar, examine o resultado das pesquisas e sugira que todos criem textos narrativos, usando uma ou mais expressões estudadas nessa simbologia do mundo animal.



    Para seus alunos

    Nome aos bois

    Observe, com seus colegas, os bichos que aparecem nas fotos deste quadro. Tomando como base a analogia entre a voracidade do leão africano e a fome monetária da Receita Federal, estabelecida por Millôr, procure fazer o mesmo em relação a esses animais e certas ações e posturas de órgãos públicos. Por exemplo, é legítimo dizer que a estrutura do funcionalismo público tem um quê de paquidermia? Ou que os impostos municipais, estaduais e federais se multiplicam feito coelhos? A coruja, notório predador de hábitos noturnos, que lembranças provoca? E os burros, o que estão fazendo aqui?



    MILTON SHIRATA

    MARCO DE BARI

    MARCO DE BARI

    DIVULGAÇÃO

    RENATA XAVIER

    LUIS MORAIS

    MARCO DE BARI

    Roteiro sugerido por Heloisa Cerri Ramos, autora de livros didáticos de Língua Portuguesa, de São Paulo


  •  
    menu
    copyright © 2006. Editora Abril S.A. Todos os direitos reservados