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Edição
1957, 24 de maio de 2006
Ciências
da Natureza, Matemática e suas Tecnologias Matemática
A
combinatória do hexa
Mostre aos estudantes de que modo calcular
as opções de escalação do time
brasileiro na Copa

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Escalação
da seleção e análise
combinatória


Examinar
as combinações que o técnico
Carlos Alberto Parreira pode realizar com
os 23 jogadores convocados para a Copa do
Mundo |
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O
texto de VEJA comenta os critérios que levaram o técnico
Carlos Alberto Parreira a escolher os nomes para integrar
a seleção brasileira na Copa da Alemanha. Não
é o melhor time, ele avisa, mas compõe o conjunto
que atende às condições por ele determinadas,
considerando quesitos como forma física atual e espírito
de grupo. A questão, agora, é saber que equipe
escalar. Quantas possibilidades se oferecem ao treinador?
Convoque a garotada para resolver esse problema por meio da
análise combinatória.
Atividades
1™ aula AReserve
um tempo para a leitura da revista com a turma. Discuta os
critérios usados por Parreira e as dificuldades para
a escolha. Com tanto jogador talentoso, que time deve ser
escalado? Mais defensivo ou bem ofensivo? Definida essa característica
principal, surgem outras dúvidas.
É possível
aliar toque de bola a força física? Como?
De que maneira ocupar
todo o campo sem perder mobilidade?
Dá para articular
defesa, meio-de- campo e ataque, de modo que os passes curtos
e os lançamentos longos sejam completados por dribles?
Combinar, articular, escalar,
montar, organizar, ocupar. Conte que a Matemática tem
uma ferramenta que pode ajudar o técnico a solucionar
essas questões. É a análise combinatória.
Brinque com a moçada:
diga que, após ter convocado os 23 jogadores, Parreira
foi dormir tão preocupado com a escalação
da seleção que sonhou com o dia da apresentação.
Lá vêm os craques... todos Pelés, devidamente
clonados da matriz original que atende por Edson Arantes do
Nascimento. Com eles, o treinador arma seu esquema quatro-quatro-dois,
completado pelo goleiro. Pelé no gol, na zaga, no meio
e na lateral; um Rei do Futebol se cansa e é substituído
por outro exatamente igual; Pelé se machuca, como aconteceu
na Copa do Chile em 1962, e outro, idêntico, entra no
lugar.
ndependentemente de quem entra
ou sai, de quem joga na direita ou na esquerda, no ataque
ou na defesa, no gol ou na meia, a equipe é sempre
a mesma. Explique que essa é a plenitude da propriedade
comutativa: a ordem dos jogadores não altera o time.
Nesse caso, não há mudança qualitativa
e, portanto, só um time é armado. Então,
para que serve um treinador?
Assustado, Parreira acorda e
se recorda dos verdadeiros convocados, cada um diferente dos
demais. Tranqüilo, ele volta a dormir. E lá vem
outro pesadelo, novamente com os 23 atletas, agora todos sem
rosto. Como escalar dessa vez? Desafie os estudantes a calcular
em casa quantos times podem ser montados em tais condições.
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Jardim
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O
PESADELO DE PARREIRA
Imagine que, no sonho do técnico,
os 23 integrantes da seleção se
apresentem sem rosto, tal qual na capa deste
Guia. Nessa condição, ele se vê
obrigado a escalar o time sem distinguir Cafu
de Dida. Assim, para o gol, Parreira pode optar
por qualquer um dos 23 jogadores. Escolhido
um goleiro, restam 22 possibilidades para a
lateral direita, depois 21 para a lateral esquerda,
20 para a zaga central, 19 para a quarta zaga
e assim por diante, até chegar à
posição do último atacante,
para a qual sobram 13 jogadores. Cada opção
se combina com as outras, gerando:
23 x 22 x 21 x 20 x 19 x 18 x 17 x 16 x 15
x 14 x 13 =
53 970 627 110 400 times diferentes.
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2™ aula EExamine
e comente os resultados obtidos pelos alunos e, em seguida,
apresente o quadro "O Pesadelo de Parreira", (acima).
Continue a brincadeira, dizendo
que o técnico mais uma vez desperta assombrado com
o número de possibilidades, mas logo respira aliviado.
Ele definiu os jogadores, os quais conhece bem: suas posições,
suas características e suas potencialidades táticas.
Distribua cópias do quadro à direita. Todos
devem perceber que as opções para as posições
são diferentes. Cada uma apresenta duas alternativas
(dois jogadores), sem contar os três goleiros. Mostre
que isso resulta em 3 x 210 = 3072 escalações.
É muito time. Mas o experiente
e calmo treinador não esquenta a cabeça, pois
já definiu os 11 titulares que entrarão em campo
no jogo de estréia, contra os croatas: serão
os mesmos que encerraram a campanha nas eliminatórias
da Copa, em outubro do ano passado. Se todos estiverem em
boas condições físicas, vão atuar
como titulares Dida, Cafu, Juan, Lúcio, Roberto Carlos,
Emerson, Zé Roberto, Kaká, Ronaldinho Gaúcho,
Ronaldo e Adriano. Essa é a escalação
que derrotou a Venezuela por 3 a 0 na última rodada
do torneio classificatório.
Sugira, então, algumas
variações que podem ser feitas conforme o andamento
da partida. Se o Brasil estiver ganhando e interessar ao treinador
reforçar a defesa, é possível:
Orientar para que o volante
Emerson recue para reforçar a zaga (uma alternativa);
Levar o armador Kaká
a reforçar a marcação, agindo feito volante
(uma alternativa);
Substituir algum meio-campista
titular por um dos três volantes reservas (Gilberto
Silva, Edmílson e Juninho Pernambucano), que têm
características de marcador. Lembre que são
permitidas três trocas ao longo de uma partida. A primeira
pode levar ao gramado qualquer um dos três; na segunda,
sobram duas opções; e, na terceira, uma só.
Assim, o total é de 3 x 2 x 1 = 6 alternativas. Combinada
com as duas anteriores, resultam 2 x 6 = 12 possibilidades
de tornar o time mais defensivo.
Se a seleção depender
da marcação de gols, dá para:
Orientar o volante Zé
Roberto para que avance mais (uma alternativa);
Pedir que o armador Ronaldinho
Gaúcho participe mais do ataque (uma alternativa).
Ou ainda trocar um volante titular
por um dos três reservas (Robinho, Edmílson e
Ricardinho), que têm características de armação
para fortalecer o apoio ao ataque. A turma deve encontrar
seis opções. Ou seja, Parreira dispõe,
no caso, de 12 alternativas para tornar o time matador. Aí,
é só correr para o abraço.

Aula
sugerida por Luciano Castro, professor de Matemática
da Faculdade de Educação da USP
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