Publicidade


 

* Conteúdo exclusivo
para assinantes de
VEJA NA SALA DE AULA
     
 


Edição 1897, 23 de março de 2005

Linguagens e Códigos e suas Tecnologias – Literatura

Por que a magia de Paulo Coelho
está mais globalizada

Mostre que o universo conspira a favor de romancistas que têm talento e um bom esquema de marketing

Montagem sobre fotos de Oscar Cabral
O romancista posa como O Pensador, de Auguste Rodin, junto de edições estrangeiras de seus livros: 65 milhões de cópias vendidas em 150 países

 


“Paulo Coelho no Topo do Mundo”, págs. 108 a 115 de VEJA

Duas aulas de 50 minutos


Literatura e construção de personagens


Construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para compreender manifestações artísticas


Compreender as características da obra de Paulo Coelho e as razões de seu sucesso editorial

Era uma vez um ex-roqueiro que acreditou em sua lenda pessoal e se tornou um popstar planetário, o mais globalizado dos brasileiros. Uma aula sobre o fenômeno editorial Paulo Coelho pode começar dessa maneira, com uma referência à fantástica trajetória do mago autoproclamado que se transformou em um romancista publicado em 150 países. É mais ou menos esse o enfoque da reportagem de VEJA, motivada pelo lançamento mundial do livro O Zahir, que será editado em 83 países e 42 idiomas. Não é preciso ter bola de cristal para garantir mais um estrondoso êxito de vendas: tudo se passa como se, confirmando uma das frases mais conhecidas do autor, o universo conspirasse em favor de seus projetos.

O texto “Paulo Coelho no Topo do Mundo” pode ser também um bom ponto de partida para você examinar mais de perto, com seus alunos, alguns aspectos do ofício de escritor. Que fatores contribuíram para o sucesso do autor de Diário de um Mago? A capacidade de fazer ventar, como ele declarou certa vez em uma entrevista? O gerenciamento da própria carreira com muita dedicação e alto nível de profissionalismo? Ou será que Paulo Coelho domina a arte de contar histórias de vocação universal, um trunfo importante em tempos de globalização? Como observa a reportagem, as máximas de seus livros “grudam no ouvido tanto quanto os melhores refrões da música pop”. Convide a moçada a ouvir e discutir a magia das frases do ex-parceiro de Raul Seixas, que atualmente partilha com os medalhões da Academia Brasileira de Letras as glórias da imortalidade.

topo

Para começo de conversa

Pergunte quem já leu livros de Paulo Coelho. Quais foram eles? Isso vai tornar clara a familiaridade da moçada com o autor e sua obra.

topo

Exercícios e outras atividades

Proponha uma visita ao site oficial de Paulo Coelho (veja indicação no final deste roteiro) e um exame das sinopses de cada livro publicado pelo autor. Sugira que a moçada identifique alguns temas recorrentes, cenários, ambientações etc. Chame a atenção para a presença de uma espiritualidade sem conotação religiosa, que atende aos anseios de boa parte da população contemporânea. Os textos evidenciam, além disso, uma certa atemporalidade e exotismo espacial. Mostre que todos esses elementos podem contribuir para a sintonia entre o autor, a obra e uma multidão de leitores dos mais diversos países e culturas. Lembre que um escritor brasileiro que explorasse questões regionais provavelmente não conseguiria tamanho apelo universal.

Peça que os alunos citem seus livros prediletos e os personagens inesquecíveis presentes neles. Proponha a mesma tarefa para quem já conhece a literatura de Paulo Coelho. Provavelmente serão mencionadas figuras como Gabriela (Jorge Amado), o capitão Rodrigo (Erico Veríssimo) e Capitu (Machado de Assis). No entanto, em relação às narrativas de Paulo Coelho, talvez seja difícil mencionar algum protagonista ou coadjuvantes de peso.

Conte que isso acontece porque, na obra desse autor, os personagens ocupam um lugar secundário em relação ao desenvolvimento da trama. Pode-se dizer que Paulo Coelho é basicamente um contador de histórias, como os narradores das lendas reunidas nas Mil e Uma Noites; são a trama e certas máximas como a da lenda pessoal que ficam na memória. Por vezes, os episódios se desenrolam no deserto ou em outras paisagens exóticas – mas dão a impressão de estarem à margem do tempo e do espaço, podendo ocorrer em qualquer época e lugar. Pergunte se, na opinião dos adolescentes, tal aspecto facilita a incorporação dessas histórias no imaginário de um público globalizado.

Já os personagens de romances como Vidas Secas (Graciliano Ramos) ou Teresa Batista Cansada de Guerra (Jorge Amado) apresentam uma construção bem mais sofisticada e ganham vida própria dentro de uma realidade regional, brasileira e universal. Isso os enriquece, em termos literários, mas talvez todas essas mediações tornem mais difícil a identificação entre eles e os leitores de outros países.

Encarregue a turma de selecionar, no texto de VEJA, as passagens sobre a competente administração que Paulo Coelho faz de sua imagem e sua atividade. Lembre que desde 1996 ele não dá autógrafos no Brasil – mas durante muitos anos percorreu o circuito escolar e universitário, fazendo conferências e participando de noites de autógrafos e feiras de livros. Acrescente que o autor foi durante vários anos um executivo bem-sucedido da indústria fonográfica, que dominava todas as técnicas de marketing – as mesmas que provavelmente usou para alavancar a própria carreira. A turma pode retornar ao site do romancista e verificar tudo o que ele oferece aos leitores virtuais: publicações grátis, meditações, mensagens diárias, colunas em jornais etc. Trata-se de uma ofensiva de sedução cuidadosamente planejada e disponível em vários idiomas, bem de acordo com nossos tempos globalizados.

topo

Marizilda Cruppe/ Agência Globo
Farda, fardão, espada de mago: Paulo Coelho toma posse na Academia Brasileira de Letras em 2002, empunhando uma lâmina esotérica que não é o tradicional acessório dos imortais

Para debater

Chame a atenção para a pitada de ousadia e provocação presente na figura de Paulo Coelho. Conte que ele não hesitou em assumir, numa fotografia, a pose da escultura O Pensador, de Rodin, e tomou posse na Academia Brasileira de Letras com sua espada de mago substituindo o espadim do fardão dos imortais. Cutuque os estudantes: essa postura, que atrai admiradores mas também críticos, pode ser vista como um resquício de irreverência e contestação dos velhos tempos do rock e da Sociedade Alternativa? Ou será mais uma estratégia para chamar a atenção do público?

Em 1998, VEJA informou que Paulo Coelho já havia vendido mais de 20 milhões de livros – tanto quanto Jorge Amado, mas em menos tempo de carreira e sem ter um mercado cativo nos países socialistas, como acontecia com o baiano. Na ocasião, porém, o americano John Grishom (autor de O Júri) era um best-seller de 87 milhões de exemplares. Hoje, como conta VEJA, os dois estão presentes na coletânea New Beginnings, cuja renda será destinada às vítimas do tsunami asiático. Na opinião da moçada, isso significa que Paulo Coelho deixou para trás a ciumeira provinciana das letras brasileiras e tem como pares – e concorrentes – autores tão globalizados quanto ele?

topo


Em www.paulocoelho.com.br, site oficial do escritor, são encontrados trechos de seus livros, publicações grátis, meditações, acesso a colunas de jornais etc.


Aula sugerida pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA

 
 
menu
copyright © 2007. Editora Abril S.A. Todos os direitos reservados