23 de fevereiro de 2009 Linguagens, Códigos e suas Tecnologias - Língua Portuguesa Mostre aos estudantes que categorias como "literatura regionalista" e "literatura universal" não têm contornos precisos A resenha sobre o lançamento de A Cidade Ilhada, livro de contos do amazonense Milton Hatoum, põe em xeque o conceito de regionalismo, visto como pejorativo pelo autor, vencedor do Prêmio Jabuti na categoria romance. VEJA admite a existência do gênero e faz observações ácidas à mediocridade da nova literatura regional. A verdade é que existem escritores tão brasileiros quanto a jabuticaba (ou algum outro fruto regional), embora nem sempre suas produções sejam saborosas. Use o texto como ponto de partida para um exame da resenha enquanto gênero textual argumentativo. Ele também pode fundamentar a análise de algumas características da literatura regional e dos estereótipos que envolvem o homem brasileiro. Atividades Antes de apresentar a resenha, peça que os alunos listem nomes de autores brasileiros considerados regionalistas e suas obras. Sugira que visitem rapidamente a internet e construam as imagens das personagens presentes nos romances chamados regionais. Não interfira nesse ponto. Deixe valer o imaginário da turma. Estereótipos podem surgir.
2ª Aula – Após a leitura da resenha, chame a atenção para a discussão em torno do termo "regionalismo". Organize a sala em grupos e encomende a construção do conceito de resenha. Disponibilize cópias do texto e peça que observem os seguintes aspectos:
Sugira que socializem as descobertas sobre o gênero textual, em especial acerca da liberdade do resenhista para expor opiniões subjetivas, ainda que justificadas e contextualizadas. Em seguida, faça-os observar na resenha os autores regionalistas citados como consagrados e proponha a comparação com a lista produzida por eles na primeira aula. Explique que o regionalismo atravessou décadas e regiões. Faça um resumo do quadro socioeconômico e político brasileiro e internacional nos anos 1930. Na esfera mundial, ele foi marcado por reflexos da crise de 1929 na Bolsa de Valores de Nova York, estopim de uma depressão econômica mundial; pela ascensão do nazismo e do fascismo, na Europa; e por conflitos como mobilizações operárias na França, a Guerra Civil Espanhola e a II Guerra Mundial. No Brasil, destacam-se a crise cafeeira, a Revolução de 30, a Intentona Comunista (1935) e o Estado Novo (1937-1945). Na literatura, a geração modernista já era vitoriosa em suas conquistas e exigia-se de artistas e intelectuais uma tomada de posição ideológica. Surgiram escritores engajados politicamente, como Jorge Amado.
Com o romance regionalista não é diferente. Obras consideradas ícones do gênero, como O Quinze, de Rachel de Queiroz, e Vidas Secas, de Graciliano Ramos, trazem a denúncia das agruras da seca e da migração, dos problemas do trabalhador rural, da miséria e da ignorância. Mostre que o regionalismo não se manifesta apenas no sertão nordestino. No Sul do Brasil, a ficção histórica e épica de Erico Verissimo, em O Tempo e o Vento, apresenta o homem hostilizado pelo ambiente, pela terra, pela cidade e pelos poderosos.
Convide a garotada a viajar para 1945, quando termina a II Guerra Mundial. É o início da renovação do regionalismo, tão explorado pela geração da década anterior, com Guimarães Rosa e Mário Palmério. 3ª Aula – Retome a resenha e questione a turma:
Encomende aos estudantes nova dissertação sobre o tema. Peça que introduzam no texto dados e informações gerais sobre o sistema penitenciário brasileiro e de outros países e formulem considerações sobre os benefícios sociais das ações educacionais nos presídios. Discuta os trabalhos com toda a turma e prepare uma exposição na escola com os resultados Para seus alunos
Veja também: BibliografiaO Quinze, Rachel de Queiroz, José Olympio Editora, tel. (21) 2585-2000
Aula sugerida por Gizele Caparroz de Almeida, professora de Língua Portuguesa do Colégio Sidarta de Cotia, SP
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