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Edição 1893, 23 de fevereiro de 2005

Política

O monstro e o monstro

Pobre João Cabral! A eleição do deputado federal Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara dos Deputados vem sendo exaustivamente explorada pela mídia, com inevitáveis citações do poema Morte e Vida Severina. Mas poucas abordagens foram tão originais quanto o artigo de Roberto Pompeu de Toledo, “Entre Cavalcanti e Severino” (pág. 110 de VEJA). Explorando as “porções opostas” do nome da terceira autoridade da República – Severino, como o personagem do poema de João Cabral de Mello Neto, e Cavalcanti, sobrenome tradicional da oligarquia pernambucana –, o articulista distingue facetas severinas e outras cavalcantis na visão de mundo do novo chefe da Câmara. Peça que seus alunos analisem as notícias sobre a vitória do baixo clero no Congresso, da perspectiva bifocal sugerida no ensaio de VEJA.

Chame a atenção para algumas declarações do novo chefe da Câmara, como a de que “O Banco Central precisa de cabresto”. São palavras cavalcantis ou severinas? Proponha que a turma examine as propostas do presidente às vezes severino, quase sempre cavalcanti. Os jovens também podem comparar os perfis dos pernambucanos Silva (o presidente Lula) e Severino Cavalcanti. Lembre que personalidades divididas são um tema clássico na literatura. É o caso, por exemplo, no romance O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson. Hoje, no Legislativo brasileiro, talvez a porção médico esteja em falta.


Aula proposta pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA

 
 
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