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Edição 2023, 19 de setembro de 2007

Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias - Química

As fórmulas explicam

Examine com a turma as diferenças estruturais moleculares que tornam uma gordura boa em má


A Troca do Ruim pelo Menos Ruim


Duas aulas de 50 minutos


Ácidos graxos saturados e insaturados e isomeria


Analisar e discutir as características químicas que tornam os ácidos graxos nocivos (ou não) à saúde

VEJA comenta como a indústria alimentícia passou a utilizar o ácido palmítico no lugar da gordura trans na composição de seus produtos. Essa substituição nem sempre traz melhores resultados para a saúde. Qual o papel das gorduras trans e saturadas e por que elas são prejudiciais? O tema vale um aprofundamento para discutir o conceito de isomeria e estudar algumas características dos ácidos graxos.


Atividades

1ª e 2ª aulas - Após a leitura da reportagem com os alunos, registre os termos que envolvem conceitos talvez desconhecidos por eles, como gorduras saturadas e insaturadas, transformação de óleos líquidos em sólidos, hidrogenação etc. Comente que é próprio do processo de industrialização dos alimentos a procura por ingredientes capazes de garantir prazos de validade longos. As gorduras sólidas como a trans são adequadas a esse fim. Chame a atenção para o fato de que muitos rótulos indicam ausência dessa substância porque ela está presente em porcentagens muito baixas. No entanto, o consumo exagerado de tais alimentos pode representar uma elevada ingestão de trans.

Indique por escrito, no quadro-negro, as fontes naturais dos ingredientes gordurosos - é o caso da carne e do leite bovinos. Conte que há três tipos de gorduras: saturadas, monoinsaturadas e poliinsaturadas. A diferença entre elas está no tipo de ligação química que apresentam. Lembre que os ácidos graxos são compostos carboxílicos cuja cadeia molecular apresenta átomos de carbono e de hidrogênio. Desenhe uma cadeia carbônica e mostre que o número máximo de átomos de hidrogênio ligados a cada partícula de carbono é dois, com exceção do carbono de uma das extremidades, que pode se ligar a três átomos de hidrogênio. Nessas condições, diz-se que a cadeia está saturada, ou seja, tem tantas partículas de hidrogênio quanto possível. Se dois dos carbonos apresentam não dois, mas apenas um hidrogênio cada um, a ligação com os hidrogênios faltantes é substituída por uma dupla ligação entre os carbonos. O ácido graxo com tal configuração é conhecido como monoinsaturado. O que possui mais de uma ligação dupla na cadeia chama-se poliinsaturado. Exiba os exemplos abaixo:

Ácido esteárico (18 carbonos com ligações simples entre eles): saturado H3C - CH2 - CH2 - CH2 - CH2 - CH2 - CH2 - CH2 - CH2 - CH2 - .............- COOH

Ácido oléico (18 carbonos com uma ligação dupla): monoinsaturado H3C - CH2 - CH2 - CH2 - CH2 - CH2 - CH2 - CH2 - CH = CH -............- COOH

Ácido linoléico (18 carbonos com duas ligações duplas): poliinsaturado H3C - CH2 - CH2 - CH2 - CH2 - CH = CH - CH2 - CH = CH - ............- COOH

Revele que os insaturados são instáveis, o que os torna pouco próprios para uso em processos industriais. Por isso, costumam ser hidrogenados. Explique, então, que a hidrogenação consiste em quebrar as duplas ligações de um ácido insaturado por meio da introdução de hidrogênio na cadeia. Isso eleva a saturação do óleo e também os respectivos pontos de fusão e ebulição. O aumento da temperatura de fusão faz com que o óleo solidifique à temperatura ambiente. Quanto mais hidrogenado ele for, mais saturado e sólido se apresenta e, nesse caso, é chamado de gordura. As gorduras de origem animal (manteiga, banha etc.) costumam ser saturadas e sólidas. As insaturadas, líquidas, na maioria das vezes derivam de vegetais.

Passe, em seguida, para a definição de isomeria, termo que vem do grego e significa mesma composição. Há substâncias que, apesar de possuírem uma só fórmula molecular, têm propriedades físicas e químicas diferentes. Isso se explica pela maneira como os átomos se organizam no plano ou no espaço. Compostos com tal característica são isômeros. Existem basicamente dois tipos de isomeria: a plana e a espacial. Na primeira, a distinção entre os compostos é revelada na cadeia molecular plana. O álcool etílico e o éter, por exemplo, são formados pelos mesmos átomos, mas apresentam fórmulas estruturais planas diversas. Na isomeria espacial, as fórmulas estruturais planas dos compostos são iguais, mas a distribuição espacial dos átomos na molécula diverge. Na isomeria cis, um determinado grupo atômico encontra-se do mesmo lado no plano de simetria da molécula. Na isomeria trans, os compostos encontram-se em lados opostos. O cis-1,2-dicloro-eteno e o trans-1,2-dicloro-eteno ilustram bem essa noção. Ambos são dicloros etenos, mas, no primeiro caso, os átomos de cloro estão no mesmo lado do eixo de simetria. Esse composto chama-se cis -1,2 dicloroeteno (os números 1 e 2 indicam que os átomos de cloro estão ligados aos carbonos 1 e 2 da cadeia). A segunda fórmula é do trans - 1,2 dicloroeteno (os átomos de cloro estão em lados diferentes do plano de simetria.)

Esses isômeros apresentam propriedades físicas distintas, como densidade, pontos de fusão e ebulição. Isso explica a origem do termo trans dado às gorduras nocivas à saúde. Nos organismos animais, as gorduras produzidas geralmente têm a estrutura cis. As trans são obtidas artificialmente pelo processo de hidrogenação.

Se o tempo permitir, estenda o assunto para o exame da isomeria óptica, que ocorre quando os compostos não possuem estrutura molecular simétrica - ou seja, um não é a imagem especular do outro. Tais substâncias exibem as mesmas características físicas, mas apresentam propriedades distintas em relação à luz polarizada, pois a desviam para direções diferentes. Por isso, uma é chamada dextrógira (cuja sigla é D, de desvio para a direita) e a outra, que desvia a luz para a esquerda, é conhecida como levógira (ou L). Esse detalhe altera as propriedades químicas dos compostos. Por exemplo, a forma D do aspartame é amarga e a forma L, doce.

 

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