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Edição
1560, 19 de agosto
de 1998
História
Uma
guerra de 3 mil anos
Numa
terra sagrada para três religiões,
a tolerância religiosa e política ainda
é
um sonho distante
O
incidente entre o Vaticano e Israel, que contesta a nomeação
de um bispo palestino em seu território, remete às
relações entre Igreja e Estado. Mas, basicamente,
é mais um lance de um processo repleto de conflitos envolvendo
dois povos, ambos com direitos históricos à mesma
terra. É essa a perspectiva do plano de aula sugerido pelo
historiador Roberto Catelli Junior.
Atividades
1. Leia
com seus alunos a reportagem de VEJA e o texto de apoio. Depois,
divida a classe em grupos e encarregue-os de realizar pesquisas
sobre as tensões e aspectos culturais da Palestina/Israel.
Alguns temas sugeridos:
Em
1998, vêm sendo noticiadas tentativas para a elaboração
de um novo tratado de paz entre palestinos e israelenses, com mediação
da ONU e dos Estados Unidos. Quais as dificuldades para se chegar
a um acordo?
Qual
papel exerce a religiosidade nas disputas entre palestinos -
muçulmanos ou cristãos - e israelenses?
A
separação entre a Igreja e o Estado nem sempre é
completa. Qual a influência da cúpula do judaísmo
sobre o governo de Israel? E dos fundamentalistas muçulmanos
nos governos árabes?
Como
a questão territorial se relaciona com os conflitos entre
árabes e judeus? Como a política internacional interfere
nesse processo? Quem apóia os árabes? E os israelenses?
Compare
a situação de palestinos e israelenses com a dos brasileiros.
Por que esses conflitos étnicos e religiosos não acontecem
no Brasil? Que conflitos de origem étnico-religiosa ocorrem
no Brasil, e não na Palestina/Israel?
2. As
pesquisas devem se basear em jornais, revistas e via Internet, abrangendo
texto e imagem. O resultado pode ser apresentado através
de painéis, afixados e utilizados a seguir como material
de apoio por alunos de outras séries. Dessa forma, sua função
extrapola o trabalho realizado na sala de aula.
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TEXTO
DE APOIO
A
terra desejada
Canaã, Palestina, Israel são algumas das
designações de um pequeno país
do Oriente Médio, disputado há milênios.
Há cerca de 3300 anos, Moisés guiou as
tribos de Israel para Canaã, a Terra Prometida,
que se tornou o berço do judaísmo,
a religião dos judeus. Há 3000 anos, Davi,
pertencente à tribo de Judá, conquistou
Jerusalém e fez dela a capital do primeiro Estado
judeu. Jerusalém se transformou num símbolo
da unidade espiritual dos judeus, que resistiu ao exílio
na Babilônia (586 a.C.) e à diáspora
(dispersão) dos judeus pelo mundo no século
I da nossa era.
O cristianismo também nasceu na Palestina.
Mas, no século VII, todo o Oriente caiu sob domínio
dos árabes, convertidos ao islamismo.
Jerusalém tornou-se uma cidade sagrada do Islã.
Construções magníficas como a mesquita
al-Aqsa somaram-se a monumentos judeus como o Muro das
Lamentações e cristãos como a igreja
do Santo Sepulcro. Jerusalém resume a história
religiosa da região. Nela existem quarteirões
muçulmanos, judeus, cristãos e armênios,
outra comunidade cristã.
Nos séculos XI e XII, os árabes derrotaram
os cruzados, cavaleiros cristãos. Mas
depois foram vencidos por outros muçulmanos,
os turcos otomanos, que dominaram o mundo árabe
até 1918. Em 1923, foi estabelecido um protetorado
britânico sobre a Palestina.
Nos anos seguintes, multiplicaram-se os conflitos pela
terra, envolvendo palestinos e sionistas -
nome derivado de Sion, colina de Jerusalém, adotado
pelo movimento judeu que propunha o retorno à
pátria ancestral. Fugindo do nazismo, muitos
judeus fixaram-se na Palestina entre 1931 e 1935. Depois
de 1945, sobreviventes do terror nazista seguiram o
mesmo caminho.
Em 1947, a Organização das Nações
Unidas recomendou a partilha da região em dois
estados, um judeu e outro árabe. Em 1948, surgiu
o Estado de Israel, mas o Estado palestino não
chegou a ser criado: a margem oeste do Jordão
foi anexada à Jordânia e a faixa de Gaza
ao Egito. Seguram-se combates que ampliaram os territórios
sob controle israelense. Muitos palestinos perderam
seus lares. Exércitos árabes e israelenses
combateriam de novo em 1956, 1967, 1973 e 1982. Em 1993,
foi assinado um tratado de paz entre israelenses e palestinos,
que não conseguiu implementar-se efetivamente.
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Oriente
Médio, Leandro Karnal, Ed. Scipione
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