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Edição 1931, 16 de novembro de 2005

Ciências Humanas e suas Tecnologias – Comportamento

Apresente à turma este foco
de vida chamado trabalho

Analise o papel da atividade profissional como organizadora do cotidiano social das pessoas

João Caldas/ Divulgação
Aos 80 anos, com a intensidade dos 25: Paulo Autran (à esq.) faz sucesso no teatro e não sai de cartaz


“Aposentar-se? Só na Hora Certa”, págs. 100 a 102 de VEJA
“Trainees: Como Vencer a Pior Fase” págs. 116 e 117 de VEJA
“Eles Foram Contratados pág. 121 de VEJA

Duas aulas de 50 minutos


Mercado de trabalho e previdência social


Relacionar informações e conhecimentos disponíveis em situações concretas para construir argumentação consistente


Discutir e analisar dados e situações envolvendo o mercado de trabalho e as condições de vida de profissionais da ativa e aposentados

O que existe em comum entre o ator Paulo Autran, o escritor português José Saramago e Jorge Mário Lobo Zagallo, o eternizado técnico da seleção brasileira? Todos já passaram dos 60 anos de idade e seguem, firmes, em atividade nos respectivos ramos. O caso dessas três personalidades tão distintas confirma resultados de recentes pesquisas mostradas por VEJA: a tendência que muita gente tem de retardar a aposentadoria e evitar os males de uma mudança brusca de vida. De outro lado, a revista apresenta a complexidade do mercado de trabalho atual, com os desafios e as exigências postos para profissionais de diversas gerações. Entre eles, a disputa acirrada por empregos e a necessidade de estar em dia com itens valorizados como a capacidade de atuar em equipe. Convide a moçada a analisar essas duas pontas do mundo produtivo, algo que em breve estará no horizonte de todos.

 

Para debater

Após a leitura das reportagens, oriente uma discussão sobre o atual “estado da arte” do mercado de trabalho e suas repercussões na vida social. É válido deixar para se aposentar mais tarde? Há alternativas para quem deseja se manter ativo e útil, mesmo depois de aposentado? Isso vale para todos os segmentos e setores? Por que hoje acontece uma competição tão feroz por empregos?

Conte que, nas últimas três décadas, expandiu-se pelo mundo um novo paradigma: o advento de tecnologias como a informática e a microeletrônica afetou os mais diversos setores produtivos – bancário, comercial, de telefonia e de geração de bens. Em muitas funções e ocupações, o homem foi substituído gradativamente por máquinas. Algumas fábricas ficaram mais enxutas, sobretudo as unidades de megacorporações modernas que atuam em escala global – caso das montadoras de automóveis. Com isso, o ingresso do jovem no mercado, em especial em grandes empresas, representa atravessar um oceano de entrevistas, testes e exames de currículo. Conhecer a informática e dominar uma língua estrangeira são quesitos fundamentais. Uma vez contratado, vêm as longas jornadas e a necessidade de “mostrar serviço”, o que inclui acompanhar os padrões comportamentais ditados por essas corporações. Aqueles que estão fora do mercado formal de trabalho e não dispõem de qualificações também passam a suar muito mais a camisa para garantir a sobrevivência. Se desempregados, são obrigados a enfrentar os problemas das duas pontas: por um lado, passam o dia nas filas disputando uma vaga, recorrendo às vezes aos mais estranhos expedientes para se sustentar, e, por outro, experimentam o cotidiano improdutivo dos aposentados. Isso vale tanto para o Brasil quanto para países como os do Sudeste asiático e os europeus, situação que se evidencia na hilária comédia Ou Tudo ou Nada, de Peter Cattaneo – em que os protagonistas se tornam strippers.

Devolva as questões à garotada. Como ficam esses indivíduos na hora de se aposentar? Como reagir a mudanças tão grandes, ao passar da rotina dos ambientes de trabalho para a de ter de procurar algo para preencher o dia? Mostre que esse debate deve ser encaminhado em dois planos, correspondentes ao que a renda do aposentado permite. No caso do Brasil, a Constituição de 1988 instituiu o conceito de seguridade social, que prevê ações e direitos em saúde, previdência e assistência social. A renda a ser transferida ao segurado depende da contribuição daqueles que estão na ativa. Ressalte que parte dos serviços públicos previstos pelo sistema está aquém do esperado.

Além disso, muitos seguem trabalhando após a aposentadoria porque seus proventos são baixos. Aqui, a vida dessas pessoas é regida pela profissão em função de suas necessidades. Para aqueles de melhor renda – que, inclusive, podem recorrer aos sistemas privados de saúde e previdência –, é recomendável uma transição gradual para os tempos de inatividade. Nem todos percebem isso. Independentemente da renda, é importante que os que deixam o mercado tornem-se cidadãos úteis e produtivos. Já existem em nosso país experiências pioneiras como a Universidade da Terceira Idade, o trabalho voluntário em entidades de cunho social e atividades culturais oferecidas pelo Sistema S (formado pelo Sesc, o Sesi e o Senai). Quem já cumpriu seu tempo de serviço pode também acrescentar experiência às ações comunitárias e de resolução de problemas do bairro ou da cidade onde vive.

 

Exercícios e outras atividades

Encomende uma pesquisa de opinião sobre os efeitos do mercado de trabalho e da aposentadoria na vida de cada um. Oganize a classe em pequenos grupos e proponha que entrevistem pessoas de diferentes faixas etárias e ramos de atividade. No caso dos que gozam a aposentadoria, em particular, peça que formulem questões para saber mais sobre esse momento. Em que medida esses indivíduos recorrem a serviços e equipamentos públicos de lazer, cultura e educação voltados para o segmento? Discuta até que ponto o mundo profissional conduz a nossa existência. Por fim, prepare uma exposição na escola com as principais conclusões da pesquisa.

 


Roteiro proposto pelo geógrafo Roberto Giansanti, autor de livros didáticos

 
 
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