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Edição
1798, 16 de abril de 2003
Ciências
Humanas e suas Tecnologias, História e Cultura
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Divulgação
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Juliette
Binoche serve seus quitutes em Chocolate:
iguarias revestidas de requinte e glamour
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A
Páscoa vem aí. Deixe os
estudantes com água na boca
Revele
como o chocolate, uma bebida sagrada do astecas, transformou-se
num delicioso ícone de desejo e prazer
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Trajetórias
do chocolate e do cacau


Construir
e aplicar conceitos dasvárias áreas
do conhecimento para a compreensão
de processos histórico-geográficos


Identificar
as origens do chocolate e o processo de sua
expansão mundial |
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No Guia de VEJA, "Chocolate,
Cor e Calorias" traz dados sobre alguns tipos de chocolate,
sua composição e seu teor calórico. Que
tal ir um pouco mais longe e examinar a trajetória
desse doce, desde os rituais sagrados dos astecas até
a conquista dos mercados mundiais além das telas
de cinema? Verifique igualmente os caminhos percorridos pelo
cacau, da América do Norte à África.
Afinal, eles passam pelo sudeste da Bahia, cenário
dos amores de Gabriela e de tantos outros personagens de Jorge
Amado uma terra onde, segundo o romancista, o visgo
dos frutos prende para sempre os pés do trabalhador
"grapiúna". Aproveite que a Páscoa
está chegando e use o texto da revista como ponto de
partida para uma aula de dar água na boca e
encher os olhos.
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Preparação
da aula
Providencie cópias do
quadro "Os Caminhos do Cacau" (quadro
abaixo) e distribua entre os estudantes.
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Para
começo de conversa
Pergunte quem se lembra de
algum filme cujo nome contenha a palavra chocolate. Talvez
alguns mencionem A Fantástica Fábrica de
Chocolate e produções mais recentes, como
Morango e Chocolate, Chocolate, Como Água para Chocolate
e Teia de Chocolate. Explique à turma que
esses títulos não foram escolhidos por acaso:
de algum modo, a aura de sabor e sedução associada
ao produto transparece neles. Conte que o chocolate está
presente até mesmo em obras de arte como as
do brasileiro Vik Muniz, que usa o doce como matéria-prima
para seus trabalhos. Duas dessas imagens são a homenagem
que fez ao pintor Jackson Pollock (abaixo) e na capa do CD
Tribalistas, de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos
Brown. Deixe uma pergunta no ar: de que modo o chocolate conquistou
o paladar de pessoas de todo o mundo e se tornou um ícone
de desejo, prazer e sensualidade?
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Divulgação
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Jackson
Pollock, imagem criada pelo brasileir Vik Muniz: o chocolate
como matéria-prima sensual
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Exercícios
e outras atividades
Lembre que a Páscoa
cristã, na qual se comemora a ressurreição
de Jesus, tem origem na Páscoa judaica que celebra
a libertação dos hebreus escravizados no Egito.
De que modo o coelhinho da Páscoa e os deliciosos ovos
de chocolate entraram nesse circuito? Proponha uma pesquisa
sobre o assunto. A moçada vai verificar, por exemplo,
que tanto os roedores felpudos quanto os ovos são símbolos
de fertilidade. Pode-se dizer a mesma coisa do chocolate?
Peça que os alunos pensem a respeito. Eles podem associar
a Páscoa a outras festas do calendário cristão
que tiveram seu caráter alterado, transformando-se
em datas de grande apelo consumista.
Conte que, no Brasil, chocolate
e futebol se uniram pela primeira vez quando a Lacta criou
o Diamante Negro, logo após a Copa do Mundo de 1938.
O artilheiro do certame tinha sido o brasileiro Leônidas
da Silva, chamado pela imprensa francesa de "maravilha
negra". Por que uma empresa de chocolate procurou ligar
sua marca a um atleta?
Proponha a realização
de um estudo sobre as propagandas de chocolate com o objetivo
de identificar as características mais valorizadas
no produto. Sugira uma pesquisa sobre as transformações
do chocolate, desde os tempos em que era uma bebida ritual
dos maias e astecas. Os alunos devem destacar o momento da
criação do chocolate em barra, entre 1828 e
1847, fato que permitiu novas formas de consumo do alimento.
Chame a atenção para a imagem do chocolate.
Ele ainda é apresentado como uma guloseima infantil,
saborosa mas causadora de cáries e de alguns quilinhos
a mais. No entanto, filmes como Chocolate tendem a
mostrá-lo como uma iguaria requintada e sensual. Proponha
uma discussão sobre o tema. As duas imagens são
verdadeiras? Que fatores contribuem para a nova aura que envolve
o chocolate? As pinturas de Vik Muniz podem ser associadas
a essa aura?
Após a leitura dos textos
que você distribuiu previamente, enfoque a difusão
mundial do cacaueiro. Conte que em algumas regiões
a planta não se adaptou bem. Nos séculos XVI
e XVII, os espanhóis tentaram, sem sucesso, implantá-la
na Indonésia e nas Filipinas. Em contrapartida, os
pés de cacau se aclimataram perfeitamente no sudeste
da Bahia, aonde chegaram em meados do século XVIII,
trazidos do Pará. Ensine que, do final do século
XIX até a década de 1920, as cidades de Ilhéus
e Itabuna foram o eixo da economia cacaueira e de uma cultura
muito particular, conhecida como civilização
grapiúna. Acrescente que o romancista Jorge Amado,
nascido em Itabuna, retrata em muitos de seus livros a realidade
da região: o crescimento urbano e econômico,
a usurpação das terras pelos latifundiários,
o trabalho duro nas fazendas etc. Aprofunde essas questões
ao explorar o quadro abaixo.
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Roberto Faustino
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Trabalhadores
amassam cacau numa fazenda baiana: a civilização
grapiúna está decadente. Pergunte por
quê
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Divida a classe em quatro grupos
e encarregue-os de ler os romances Cacau, Terras do Sem Fim,
São Jorge dos Ilhéus e Gabriela, Cravo e Canela,
nos quais Jorge Amado enfoca a região cacaueira. Proponha
que, em seguida, as equipes montem um painel destacando aspectos
da civilização grapiúna.
Diga que as plantações
de cacau da Bahia estão decadentes. Promova uma pesquisa
sobre as razões desse declínio. O site da Comissão
Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, www.ceplac.gov.br/cacau_evolucao1.htm,
pode ser uma boa fonte de informações.
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Os
caminhos do cacau
Originário
da América, o cacau foi descoberto pelos
espanhóis quando conquistaram o Império
Asteca, na região do atual México.
O produto consagrou-se como um item de consumo
mundial depois de ser levado para a Europa, a
África e a Ásia. Na África,
adaptou-se tão bem que o continente é
hoje o maior produtor do fruto em todo o planeta.
Mas não foi só com o cacau que ocorreu
tal transmigração. A batata, o milho
e o tomate, entre outros, são espécies
americanas que se difundiram pelo mundo inteiro.
No entanto, além de exportar espécies,
a América também as recebeu. É
o caso do coqueiro, nativo da Índia, que
passou pelo litoral africano e depois foi trazido
para o Brasil pelos portugueses.
Esse processo de
circulação de espécies esteve
associado à expansão marítimo-comercial
européia iniciada no século XV.
O episódio gerou uma história verdadeiramente
global. Pela primeira vez, os continentes foram
unidos por laços econômicos permanentes,
que acabaram por promover mudanças de hábitos
e costumes e a universalização do
gosto. Pelo chocolate, por exemplo.
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Saulo
Mazzoni
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Cacau,
Jorge Amado, Ed. Record, tel. (0_ _21) 2585-2000
Terras
do Sem Fim, Jorge Amado, Ed. Record
São
Jorge dos Ilhéus, Jorge Amado, Ed. Record
Gabriela,
Cravo e Canela, Jorge Amado, Ed. Record

Plano
de aula desenvolvido por Marco Antonio Villa, professor
de História da Universidade Federal de São Carlos
(SP)
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