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Edição
2060, 14 de maio de 2008
Ciências Humanas e suas Tecnologias - História e Política
Um homem perigoso
Mostre como o sonho de um Estado árabe unificado fracassou diante dos interesses das potências européias, que retalharam o Oriente Médio

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Revolta Árabe, Conflitos no Oriente Médio


Perceber como as potências européias estimularam as divisões do Oriente Médio |
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Muita gente conhece Lawrence da Arábia pela magnífica interpretação de Peter O'Toole no filme do mesmo nome. É um excelente começo, pois o filme sobre a Revolta Árabe e é considerado o maior épico da história do cinema. Outro bom ponto de partida é a resenha sobre a biografia do historiador e militar britânico Thomas Edward Lawrence, universalmente conhecido como Lawrence da Arábia. O texto sobre esse personagem fascinante vai ajudar seus alunos a compreender as divisões que fazem do Oriente Médio um barril de pólvora.
Atividades
1ª aula – Informe que Os Sete Pilares da Sabedoria, relato sobre a Revolta Árabe escrito por Lawrence, consagrou o autor como o maior escritor militar de língua inglesa. Leia para os alunos um trecho do livro, em tradução livre da edição inglesa:
"Todos os homens sonham; mas não da mesma maneira. Os que sonham de noite, nos recessos empoeirados de suas mentes, acordam de dia para verificar que tudo era ilusão. Mas os sonhadores diurnos são homens perigosos, pois podem agir baseados em seu sonho de olhos abertos, para torná-lo possível. Foi o que eu fiz. Eu pretendia construir uma nova nação, restaurar uma influência perdida, dar a 20 milhões de semitas as fundações sobre as quais erguer um inspirado palácio de sonho de seus pensamentos nacionais. Um objetivo tão elevado apelou à inerente nobreza de suas mentes, e os levou a desempenhar um papel generoso nos acontecimentos; mas quando ganhamos, foi alegado contra mim que os royalties britânicos do petróleo da Mesopotâmia haviam se tornado duvidosos, e a política colonial francesa, arruinada no Levante".
Peça que a turma compare esse resumo da atuação de Lawrence, escrito em termos quase poéticos, com a análise mais sóbria feita pela revista. Qual passagem expressa idéias semelhantes?
Segundo Malcolm Brown, autor da biografia que inspirou a resenha, Lawrence costumava dizer que foi para o Oriente Médio "porque o deserto é limpo". Em seu livro, Lawrence observa que o deserto envolvia os oásis, conservando-os puros, livres de influências externas, e dessa maneira moldou o caráter da Arábia e, de modo geral, dos semitas; não por acaso, Moisés, Jesus e Maomé vagaram pelas vastidões de areia e pedra, para depois lançarem as bases das religiões monoteístas. Um bom tema para debate: a presença do deserto do norte da África à Mesopotâmia pode ser vista como um elemento geográfico e cultural unificador, mais permanente que o nacionalismo árabe ou o fundamentalismo islâmico? A sedentarização associada a atividades como a exploração do petróleo contribui para a perda da identidade dos filhos do deserto?
Contextualize alguns aspectos da Revolta Árabe. A rebelião contra o Império Otomano, que dominava o Oriente Médio, explodiu durante a I Guerra Mundial, quando os turcos eram aliados dos alemães. Foi liderada por Hussein Ibn Ali, xerife de Meca. Explique que o termo "xerife" implicava descendência de Maomé por sua filha Fátima; Lawrence observou que a dinastia hachemita, chefiada por Hussein, havia governado Meca "pelos últimos 900 anos". Conduzidos pelos filhos de Hussein e por Lawrence, os beduínos derrotaram várias vezes os turcos e conquistaram Damasco, sede dos antigos califas – mas então, como informa a revista, "a realpolitik enterrou sem pena" o projeto de uma nação árabe independente.
Proponha pesquisas sobre a trajetória dos hachemitas após o fim do conflito mundial. A turma vai verificar que Feisal e Abdullah, filhos do xerife Hussein, foram instalados nos tronos de reinos criados "sob medida" pelos britânicos. Feisal, o principal líder árabe da rebelião, foi proclamado rei da Síria em 1920, mas no mesmo ano as potências européias deram à França o mandato sobre a região. O príncipe recebeu então, como "prêmio de consolação", a coroa do recém-criado Iraque. Abdullah, por sua vez, passou a governar outra criação britânica, o emirado da Transjordânia, atual Reino Hachemita da Jordânia. Conte que a Jordânia é o último território em poder dos descendentes do xerife Hussein. Este se proclamara, em 1917, rei do Hejaz, trecho da Arábia em que estão localizadas as cidades sagradas de Meca e Medina. Mais tarde, porém, os britânicos transferiram seu apoio para Ibn Saud, rei da parte da Península Arábica denominada Nejd e maior rival do xerife de Meca. Em 1924, Hussein foi derrotado por Ibn Saud e renunciou, passando a coroa a seu filho Ali, também vencido por Ibn Saud no ano seguinte. O território unificado passou a se denominar Arábia Saudita.
2ª aula – Divida a classe em quatro grupos e sugira pesquisas sobre a evolução da Arábia Saudita, da Jordânia, da Síria e do Iraque, países associados à Revolta Árabe e aos hachemitas. No final, as conclusões dos grupos serão discutidas por todos. Ressalte alguns aspectos para orientar as investigações:
Arábia. A dinastia saudita é ligada à rigorosa seita wahabita, que propõe a obediência estrita às práticas islâmicas do tempo dos primeiros califas. Por exemplo, as mulheres sauditas não podem andar pelas ruas sem a companhia do marido ou de um parente. A intransigência religiosa pode ter contribuído para as ações terroristas associadas ao fundamentalismo islâmico? Lembre que Osama bin Laden, o líder do grupo terrorista Al Qaeda, é saudita, e ocorreram no país vários atentados contra os ocidentais.
Síria. Em 1920, quando Feisal foi proclamado rei da Síria, o país incluía a Palestina. No entanto, a diplomacia européia colocou o território sírio sob administração francesa, enquanto a Palestina ficava sob o mandato do Reino Unido. No mesmo ano, o Líbano tornou-se um protetorado francês separado da Síria. A administração francesa favoreceu os cristãos no Líbano, o que reforçou o antagonismo entre eles e os muçulmanos. A atual interferência da Síria na política do Líbano pode ser explicada pela antiga unidade entre os dois territórios? É possível assegurar a estabilidade do Líbano, que se define por sua identidade cristã em meio ao mundo islâmico, embora hoje a maioria dos libaneses seja muçulmana – e os xiitas sejam cada vez mais numerosos e influentes?
Iraque. A criação de um reino para ser governado por um príncipe da Arábia expulso da Síria pode ter contribuído para o desenvolvimento do nacionalismo entre as populações locais? Os hachemitas foram vistos como governantes legítimos ou como títeres manipulados pelas autoridades britânicas? Informe que a revolução de 1958, que proclamou a República do Iraque, executou a família real.
Jordânia. Proclamado em 1946, o Reino Hachemita da Jordânia ampliou suas fronteiras em 1948, devido a êxitos parciais na guerra entre árabes e israelenses, que colocaram mais de meio milhão de palestinos sob a soberania do rei Abdullah. Em que medida os conflitos entre palestinos, jordanianos e a elite beduína contribuiu para a instabilidade local? Informe que em 1951 Abdullah foi assassinado por um palestino. Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, a Jordânia perdeu para Israel toda a margem ocidental do Rio Jordão. Peça que os estudantes investiguem o reforço do nacionalismo palestino, fator político com que o governo da Jordânia tem de conviver. Um de seus aspectos é o confronto entre israelenses e palestinos na margem ocidental do Jordão – território antes pertencente à Jordânia, mas atualmente dividido entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina.
Roteiro proposto pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA
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