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Edição 1999, 14 de março de 2007

Interdisciplinar - História e Língua Portuguesa

Fraudes que fizeram história... rendem boas histórias

Examine com a turma o contexto de algumas invenções e como ele pode ser usado na literatura


Cérebro Oculto

Cinco aulas de 50 minutos


Sociedade e tecnologia no século XVIII


Analisar e discutir os fatos relevantes que contextualizam historicamente algumas invenções humanas

A resenha do livro A Máquina de Jogar Xadrez remete a momentos interessantes da cultura do século XVIII, período marcado pelo surgimento de diversas engenhocas, muitas das quais atreladas ao desenvolvimento da máquina a vapor. Misturando personagens reais e fictícios, o autor Robert Löhr estréia na literatura com uma trama contextualizada por fatos históricos. O recurso utilizado pelo escritor alemão pode servir de exemplo para um divertido exercício de criação de situações imaginárias pontuadas por circunstâncias e/ou personagens históricos. E permite ainda uma retrospectiva sobre a época que serve de pano de fundo para o romance.


Atividades

1ª aula
- A leitura da resenha será feita durante uma aula de História. Chame a atenção para o modo como a fraude enfocada no romance é vista hoje e compare com a reação do público na época em que o engodo foi desmascarado. A garotada deve perceber que a lente do tempo modifica nosso olhar sobre os fatos. O episódio, que era digno de revolta na época, agora é encarado com humor. Um bom exemplo é o ensaio de Edgar Allan Poe mencionado por VEJA. É interessante acompanhar as argumentações do escritor americano -considerado um dos precursores da ficção científica - que revelam o embuste.

Vale também fazer um levantamento do progresso da ciência e da tecnologia no período, tarefa que pode envolver os professores das disciplinas de Ciências da Natureza. Reforce a noção de que Wolfgang von Kempelen, protagonista do romance de Löhr, existiu de verdade. Inventor húngaro, ele se dedicou ao estudo da fala humana e experimentou razoável prestígio. Uma de suas criações foi a máquina de falar, que funcionava com tubos de ressonância.
Nessa panorâmica da história da ciência, convém ressaltar os eventos associados à elaboração da primeira régua de cálculo, que remontam ao início do século XVII, assim como da máquina de calcular de Leibniz, de 1673, e da a máquina analítica de Babbage, de 1833, que já apresentava os componentes básicos do computador.

2ª e 3ª aulas - O professor de História deve dividir a classe em quatro grupos e atribuir a cada um a escolha de algum evento marcante - por exemplo, a primeira sessão de cinema realizada no Brasil ou o vôo inaugural do 14-Bis. Peça que, em torno da escolha, os alunos façam o levantamento de informações a respeito de pessoas envolvidas no fato, além de costumes, incluindo linguagem, vestuário, mobiliário, aparelhos de uso doméstico e profissional, configuração das cidades etc. A análise e a discussão da pesquisa serão agendadas para a aula seguinte.

4ª e 5ª aulas - O professor de Língua Portuguesa pode explorar um filme ou livro ambientado no passado a fim de examinar detalhadamente a reconstituição da época em que se passa a ação. Também é oportuno mostrar que o gênero literário em que se enquadra o romance A Máquina de Jogar Xadrez constitui uma forte tendência do atual mercado editorial, com diversos lançamentos no Brasil e no exterior.
Em seguida, encomende como tarefa individual a elaboração de uma redação que tenha como pano de fundo um dos acontecimentos pesquisados na aula anterior. Encarregue os estudantes de incluir tipos fictícios e descrever cada local visitado pela narrativa. Estimule a imaginação de todos: dê a liberdade de os autores virarem personagens e voltarem no tempo. Esse confronto de perspectivas pode ajudar a compreender melhor o evento histórico. Reserve uma aula para comentar os trabalhos.

 

Roteiro criado pela equipe de VEJA NA SALA DE AULA


 
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