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Edição 1955, 10 de maio de 2006

Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias - Física e Química

E-paper, boa notícia para as árvores

Mostre como funciona a tinta que promete substituir a mídia impressa e discuta suas vantagens com a classe


Notícias portáteis


Três aulas de 50 minutos


Papel eletrônico: funcionamento e impacto social


Examinar os princípios de funcionamento do e-paper e discutir as vantagens desse suporte em relação aos meios convencionais

Será o fim do papel como veículo de informação? As telas eletrônicas anunciadas por VEJA podem marcar o princípio de uma revolução nos meios de divulgação, o que nos leva a pensar que a mídia impressa talvez esteja com os dias contados. A reportagem dá ensejo a discutir essa questão e pode servir de ponto de partida para o estudo da tecnologia envolvida no novo processo que alguns jornais estrangeiros já começam a utilizar. Afinal, pilhas e pilhas de jornais e revistas têm nas árvores sua matéria-prima e o produto final acaba muitas vezes na reciclagem. O tema promete bons debates com a garotada.

Atividades

1ª aula – Contextualização
Discuta, inicialmente, a evolução das tecnologias de informação nas últimas décadas, tanto nos meios impressos – livros, jornais e revistas – como nos eletrônicos – rádio, televisão e internet. Tintas e métodos de impressão especiais (reticulado estocástico, pigmentos metálicos, UV, fosforescentes etc.), rádio AM estereofônica, TV digital e internet de banda larga são alguns exemplos desses avanços.
Verifique se todos estão a par do que é possível encontrar na internet, como livros, jornais e revistas e versões eletrônicas, originais ou não. Recentemente, a Editora Abril e o Jornal do Brasil passaram a disponibilizar a versão eletrônica de suas edições (reproduza o quadro abaixo e distribua as cópias aos alunos). Conte que já nos anos 1970, a Xerox começou a desenvolver uma tecnologia de representação de informação conhecida como tinta eletrônica (e-ink). Não é absurdo supor que esse recurso um dia permita sintetizar os atuais meios impressos e eletrônicos em dispositivos semelhantes a um livro, mas com capacidade potencial de uma tela de TV ou mesmo de um computador.
Então, leia o texto de VEJA e convide a garotada a refletir sobre o impacto dessa evolução nas atividades humanas a curto, médio e longo prazos.

Para seus alunos

Como funciona a tinta eletrônica

As microcápsulas, pequenas esferas transparentes, ocupam o espaço entre um eletrodo transparente (voltado para o leitor) e outro mapeado em elementos discretos (placa inferior). Dentro de cada uma, há centenas de
sub-microcápsulas, imersas num líquido viscoso transparente, com coloração branca e preta e cargas elétricas opostas. Cada configuração elétrica dos elementos discretos no eletrodo mapeado gera uma configuração de imagem em branco e preto para visualização através do eletrodo transparente.

2ª aula – Princípios de funcionamento
Explique que, nos últimos anos, tecnologias semelhantes foram criadas por várias empresas. Duas delas – a Gyricom, da Xerox e 3M, e a E-Ink, da Lucent – podem ser usadas conjuntamente de maneira vantajosa.
Copie e distribua para os adolescentes o quadro ao lado e mostre os princípios desses produtos (eles são basicamente os mesmos). Uma superfície fina e flexível coberta de microelementos mapeados e eletricamente polarizáveis é revestida de uma tinta eletrônica. Trata-se de uma solução com microelementos sensíveis à orientação e à separação por um campo elétrico. Planejado de início para permitir a visualização de caracteres alfanuméricos, o papel eletrônico, em seu estado atual de desenvolvimento em laboratório, exibe até imagens coloridas e em movimento, quase como uma tela de monitor de computador.
Lembre que o processo de deslocamento, orientação e separação de íons numa substância eletricamente carregada sujeita a um campo elétrico é conhecido como eletroforese. Daí é possível depreender o outro nome – visor eletroforético – do papel digital.

O movimento eletroforético é sujeito a uma força de Lorentz, em módulo:

F = q.E (F é a força; q, a carga e E, o campo elétrico). Opõem-se à migração eletroforética as forças reativas no meio. Com isso, normalmente atinge-se um estado de fluxo quase constante durante algum tempo. Como a força reativa é do tipo F = v.k (v é a velocidade e k, o coeficiente friccional), pode-se escrever, para o estado de fluxo constante: q.E = v.k.

Conforme o nível de conhecimento dos adolescentes e a conveniência do estudo, estenda-se nos detalhes a respeito dessas equações.

3ª aula – Vantagens e conseqüências
Proponha o exame e a discussão acerca das questões sugeridas a seguir.
  • O e-paper pode vir a sintetizar qualidades do suporte impresso convencional e dos meios eletrônicos, permitindo ao mesmo tempo a portabilidade e a facilidade de leitura do primeiro e os recursos de movimento e controle de texto (ampliação, destaque etc.) dos últimos. Que aceitação ele pode ter e quais as suas conseqüências sociais? Muita gente adora sair domingo pela manhã para ir à feira e, na volta, passar numa banca para comprar revistas e jornais. Esse hábito envolve mais do que o simples consumo de mídias impressas. Lembre que ainda hoje existem os saudosos dos bolachões (apelido dos discos de vinil) e das máquinas de escrever mecânicas. Do mesmo modo provavelmente haverá, por décadas, pessoas desejosas de sentar num banco de praça ou numa cadeira de balanço com um calhamaço desengonçado de papel soltando tinta preta nas mãos e na roupa e abri-lo prazerosamente de mão a mão (e também aqueles que continuarão fazendo isso em ônibus lotados...).
  • A produção de um pequeno livro ou de um simples jornal diário demanda tempo, trabalho e energia de anos, desde o plantio das árvores até o procedimento de venda ao consumidor final. Além disso, há o descarte e a recuperação dos resíduos desse processo: o jornal de ontem é o lixo que precisa ser descartado, coletado e só eventualmente reaproveitado. Em contrapartida, os dispositivos eletrônicos contêm basicamente areia e petróleo, com apenas traços de alguns outros elementos químicos. Os custos de desenvolvimento e implantação dos modelos de produção podem ser rapidamente diluídos em escala de produção comparável à da indústria editorial atual. E mais: o descarte e o recolhimento ocorrerão em escala muito menor, apenas por obsolescência ou dano acidental.
  • Qual a vantagem do e-paper no que se refere aos aspectos ambientais? E quanto aos impactos econômicos que pode provocar? O que deve acontecer com a indústria gráfica no médio prazo? É interessante levar a garotada a pesquisar o porcentual do consumo de papel destinado à imprensa e à escrita e compare com outros usos. Proponha que todos enumerem o maior número possível de atividades que podem surgir e outras que devem desaparecer com o avanço do e-paper.

    Para seus alunos

    Confronto de suportes

    Os jornais eletrônicos, comparados aos convencionais, oferecem mais facilidade no ato de ler, apesar de seus
    390 gramas de peso. Nesse aspecto, há ainda outra grande vantagem sobre o material impresso: os recursos de movimento e controle de texto, como ampliação e destaque, graças
    à tecnologia touchscreen.

    Impresso eletrônico

    Uma experiência inovadora, em que o suporte é o monitor
    do computador, foi realizada pela Editora Abril (www.experimenteabril.com.br) e pelo Jornal do Brasil (www.jb.com.br). As páginas na tela reproduzem o formato das publicações. O conteúdo está disponível de graça na web.

     

    Plano de aula sugerido por Renato da Silva Oliveira, professor de Física e coordenador do Planetário Móvel AsterDomus, de São Paulo

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